Violência contra a mulher cresce quase 50% em 2020

Major Élio Boing avalia crescimento no número de violência doméstica

Major Élio Boing avalia crescimento no número de violência doméstica

A pandemia da Covid-19, entre as séries de problemas que trouxe para as famílias, como desemprego, doenças e perda de entes queridos, também está causado outro problema, que está registrado nas estatísticas da Polícia Militar: o aumento expressivo na violência contra a mulher.

A pedido do jornal Paraná Centro, a 6ª Companhia Independente da Polícia Militar de Ivaiporã fez um levantamento das ocorrências de violência doméstica, nos meses de janeiro a setembro de 2017 a 2020, e os números registrados neste ano são alarmantes. Em todos os 14 municípios da área de atuação da jurisdição da PM, foram 1.514 ocorrências nesses nove meses, o que significa um aumento de 48,4% em relação a 2019, quando foram registradas 1.020 ocorrências. Nos dois anos anteriores, os números se mantiveram estáveis, com 1.025 registros em 2018 e 1.044 registros em 2017.

Os municípios que, percentualmente, tiveram maior número de registros foram Cruzmaltina, que registrou 27 ocorrências nesse ano contra 13 no ano passado, aumento de 107%; Ivaiporã, que passou de 353 ocorrências para 634, com aumento de 79,6%; e São João do Ivaí, que passou de 85 ocorrências para 144, acréscimo de 69%.

Apenas em Godoy Moreira houve decréscimo nas ocorrências de violência doméstica, caindo de 19, nos nove primeiros meses de 2019, para 10 no mesmo período desse ano.

O comandante da 6ª Companhia Independente da Polícia Militar de Ivaiporã, major Élio Boing, ressalta que era esperado um aumento em relação ao ano passado, em função da pandemia, já que as pessoas têm ficado mais tempo em casa e também têm limitações para sair, o que tem provocado um aumento no nível de estresse no ambiente doméstico e isso potencializa a agressão no ambiente familiar. Outro fator, que o comandante da PM considera, é que a maior parte desses episódios está associada ao consumo excessivo de álcool. “Acreditamos que a pandemia é a única explicação plausível para esse aumento do registro de violência doméstica”, ressalta.

Major Boing lembra que, muitas vezes, esse tipo de violência acontece dentro das famílias, mas é ocultado. “As mulheres não denunciam esse tipo de crime por medo, por temer pela própria segurança ou da família ou assimilam a violência sofrida”, frisa.

Também existem situações em que a PM é acionada, chega ao local e observa todas as evidências da agressão, mas a vítima nega que tenha ocorrido a violência e, nesse caso, a polícia não pode fazer nada. Também acontece de haver o deslocamento até a delegacia ou a Polícia Militar, mas a mulher muda sua versão e não representa contra o marido agressor. “O ambiente familiar, muitas vezes, é levado a conflitos e que precisam ser resolvidos na base do diálogo e não apenas na questão da força física”, ressalta.

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