Como identificar comportamentos suicidas

Não é possível prever com certeza se uma pessoa vai ou não tirar a própria vida. Existe uma série de elementos – psicológicos, biológicos, culturais e socioambientais – que podem levar ao desfecho.

É preciso estar atento ao comportamento das pessoas à sua volta e não ignorar sinais que podem ser pedidos de ajuda.

Existem alguns possíveis sinais de comportamento suicida:

1. Falar muito sobre a própria morte e demonstrar desesperança em relação ao futuro;

2. Usar expressões que manifestam intenções suicidas: “vou desaparecer”, “vou deixar vocês em paz”, “eu queria poder dormir e nunca mais acordar”, “é inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar”, “vocês vão ficar melhor sem mim”, não aguento mais”;

3. Reduzir as interações: não atender a telefonemas, não responder mensagens ou ser evasivo;

4. Apresentar grandes mudanças de humor (estar eufórico em um dia e profundamente desencorajado em outro);

5. Ter atitudes arriscadas, como dirigir de forma imprudente ou entrar em brigas;

6. Começar a se despedir de amigos e familiares como se não fosse vê-los novamente.

Pratique a escuta ativa

Mesmo com o distanciamento social, é possível perceber mudanças no comportamento on-line de seus entes próximos, especialmente aqueles que você sabe que são depressivos ou estão em sofrimento.

Nesse caso, é importante chamar a pessoa de maneira privada e tranquila para conversar de forma aberta, respeitosa e empática. Pergunte como a pessoa está, o que tem feito ultimamente, como está se sentindo.

Manifeste sua preocupação e se mostre aberto para ouvir. Não tenha medo de perguntar sobre a vontade de morrer. Isso não induz ao ato. Pelo contrário: ajuda a pessoa a falar e buscar ajuda.

Evite falar muito sobre si, oferecer soluções simples, julgar ou menosprezar o problema. Frases como “não acredito que você pensou nisso”, “isso é pecado”, “pra sair dessa é só querer”, “tem gente em situação pior”, “isso é frescura”, “não precisa chorar por isso”, “você tem tudo do bom e do melhor” não ajudam a demover as intenções. Pior: tendem a encerrar a conversa.

A escuta ativa é fundamental para que a pessoa sinta que está realmente sendo ouvida e compreendida. Isso não significa, no entanto, deixar a pessoa falando sozinha e apenas ouvir.

Confira algumas pontuações que podem ser feitas ao longo da conversa:

• Faça perguntas abertas (como: o que você tem feito?, como está se sentindo?)

• Resuma brevemente o que a pessoa falou, de tempos em tempos, para que ela saiba que você está atento ao que ela diz (é uma forma dela mesmo se escutar)

• Retorne a algum ponto que não tenha ficado claro e tente, ao máximo, escutá-la sem julgamentos

A importância do acompanhamento profissional

Uma das características do pensamento suicida é a distorção mental da percepção da realidade. A pessoa tem uma avalição rigorosamente negativa sobre si, sobre o mundo e sobre o futuro. Muitas vezes, vislumbra apenas a morte como possibilidade para o fim de um sofrimento. Isso somado a um comportamento impulsivo pode levar a um fim trágico.

O acompanhamento psiquiátrico e psicológico oferece outras perspectivas e ajuda a desenvolver habilidade emocional para administrar adversidades da vida. Aos poucos, é possível reencontrar a força para recomeçar.

Você pode ajudar se oferecendo para marcar a consulta com o profissional de saúde. Também é importante manter o contato com a pessoa, mostrar que está junto e acompanhar a evolução.

Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, a orientação do Ministério da Saúde é não deixá-la sozinha. Você pode procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência ou entrar em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa.

Se a pessoa com quem você está preocupado vive com você, assegure-se de que ela não tenha acesso a meios para provocar a própria morte em casa.

Você também pode indicar os serviços oferecidos pelo CVV, disponível em www.cvv.org.br, que trabalha para promover o bem-estar das pessoas e prevenir o suicídio, em total sigilo, 24h por dia.

Fonte: https://www.unimed.coop.br/

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