Aumento de preços de produtos básicos preocupa consumidor

Consumidor observa produto que teve alta de mais de 50%.

Consumidor observa produto que teve alta de mais de 50%.

A alta nos preços do dólar e nas cotações dos produtos agrícolas começa a chegar ao consumidor que, nas últimas semanas, viu disparar os preços do arroz, óleo de soja e carne suína. No caso do arroz, por exemplo, desde abril, o produto vem subindo de forma gradual e, no último mês, deu um salto, saindo da faixa de R$ 10 a R$ 15, no início do ano, para chegar entre R$ 20 e R$ 26, o pacote de cinco quilos. O óleo de soja teve uma alta de quase 50% no último mês, saindo de R$ 3,50 para um patamar acima de R$ 5, no frasco de um litro. A carne suína, que chegou a ser vendida, em determinadas épocas do ano passado, a R$ 7 o quilo, hoje já é encontrada a R$ 13 e R$ 15 o quilo.

O gerente do Paraná Supermercados, Marcos Belli, falou que esses produtos subiram demais nos últimos meses. Na caixa de óleo de soja com 20 unidades, por exemplo, o supermercado está pagando ao fornecedor o valor acima de R$ 100. “Estamos repassando, praticamente, apenas o custo; sabemos que as pessoas estão estranhando, mas nossa margem também caiu muito e não estamos conseguindo repassar ao consumidor, pois o cliente está assustado com essas altas”, comenta.

O aumento no preço do óleo de soja tem relação direta com o aumento da exportação da soja para a China, que tem feito o valor da cotação da saca superar os R$ 115. Além disso, existe falta de soja para a indústria de óleo, o que deve continuar pressionando os preços.

Outro produto que está assustando os consumidores é o arroz, que teve um aumento superior a 100% nos últimos anos. Marcos Belli disse que, além da quebra de produção no Rio Grande do Sul, no começo do ano, o dólar alto incentivou a exportação do produto, que agora está em falta no país. “Estamos trabalhando com a expectativa que o preço do arroz continue subindo e já acreditamos que o pacote de 5 quilos ficará acima dos R$ 30 e pode, inclusive, faltar produto no mercado, o que pode obrigar o Brasil a importar arroz”, comenta. Os supermercados trabalham com a expectativa de estabilização dos preços e regulação dos estoques apenas em janeiro, quando começa a colheita.

A carne suína, que sempre foi boa alternativa às altas na carne bovina, também está com preço mais salgado. Marcos Belli lembra que a rede de supermercados chegou a fazer promoções desse produto a R$ 7 o quilo, mas que, agora, o preço médio de custo da carne de porco para o supermercado está acima de R$ 11.

O gerente comenta que muitas pessoas acreditam que essas subidas de preços são benéficas ao supermercado, quando, na verdade, ele tem a margem de lucro ainda menor. “Com o produto mais barato, conseguimos ter uma margem um pouco maior, mas com o aumento, ela fica pequena, pois não conseguimos repassar ao consumidor, que já está assustado com os aumentos”, frisa.

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