Trigo deve ter bom rendimento no campo, mesmo com intempéries

Soster avalia bom momento da cultura do trigo

Soster avalia bom momento da cultura do trigo

O agrônomo da unidade da Coamo de Ivaiporã, Fernando Soster, fez uma avaliação do desenvolvimento das lavouras de trigo na região de Ivaiporã e como os últimos eventos climáticos impactaram a cultura como o excesso de chuvas e o frio registrado nos últimos dias.

Soster ressalta que, em algumas localidades, o volume de chuvas ficou em torno de 400 milímetros, com duração de uma semana. “Isso contrasta com cerca de 10 milímetros que choveu no mês de agosto do ano passado”, compara. Ele ressalta que o trigo não se adapta bem ao excesso de chuva e a alta umidade oportunizou a entrada de algumas doenças, que também aproveitaram o final do prazo de aplicação de defensivos para atacar os trigais. No entanto, como os grãos já estão iniciando a fase de maturação, essas doenças não devem causar perdas maiores às lavouras. “Se esse excesso de chuvas tivesse ocorrido cerca de duas semanas antes, a perda certamente seria muito grande”, avalia.

Com relação à expectativa de colheita, Soster acredita que ela deve se intensificar a partir da segunda quinzena de setembro. Alguns produtores que fizeram a dessecação do trigo e a colheita, na semana passada, tiveram uma produtividade na ordem de 110 sacas por alqueire e com qualidade muito boa. Sobre a geada que atingiu algumas regiões do Paraná, Soster comentou que não houve registro de fenômeno na região de Ivaiporã e, por isso, não haverá prejuízos pelo frio extremo.

A maior preocupação, nesse momento, e que pode trazer algum prejuízo ao produtor é um possível excesso de chuvas na colheita, causando perdas na produtividade e, principalmente, na qualidade do grão.

Mercado

A expectativa com o mercado é positiva, tendo em vista que, nos últimos anos, o produtor não teve boa rentabilidade com o trigo, seja pelos preços baixos ou produtividade prejudicada. O trigo tipo 1 estava cotado, na Coamo, a R$ 60 a saca. “Parece que esse é um ano em que o produtor terá condição de ganhar dinheiro, algo que não acontece com o trigo há muitos anos”, ressalta.

Milho

Em relação à safra de milho safrinha, Soster comenta que ela está praticamente pronta para a colheita; até o momento, 65% da área plantada foram colhidas. A expectativa inicial era um grande prejuízo causado pela falta de chuvas, no entanto, a produtividade apresentada até o momento está surpreendendo. O agrônomo acredita que isso está sendo possível porque houve uma melhora significativa nas variedades de milho produzidas. E também os produtores têm melhorado as questões de fertilidade e compactação do solo, que fazem com que a planta suporte um pouco mais os períodos de longa estiagem.

“Outro fator é a melhoria na rentabilidade, que faz com que o agricultor invista mais na lavoura”, avalia. Na terça-feira, dia 1 de setembro, a saca do milho estava sendo comercializada na Coamo a R$ 51,40.

Para o ano que vem, o agrônomo projeta um grande aumento na área do milho safrinha, tendo em vista que, mesmo com os problemas apresentados, a produtividade média está em torno de 230 sacas por alqueire, acima da projeção inicial de 180 sacas.

Soster salienta que a tendência é o produtor antecipar o plantio da soja, que geralmente ocorre a partir da segunda quinzena de outubro, para a última semana de setembro e, com isso, abrir espaço para dar mais segurança à cultura do milho safrinha.

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