Coordenador de educação física da UEM fala da importância e desafios da profissão

William Garcia fala sobre novos desafios do profissional de educação física

William Garcia fala sobre novos desafios do profissional de educação física

Em meio à pandemia de Covid-19, o professor doutor William Fernando Garcia, que é professor adjunto do curso de educação física da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Campus Regional Vale do Ivaí, além de coordenador do curso e triatleta, falou sobre a importância da profissão e os desafios dos profissionais nesse período de adaptações em diversos setores da sociedade.

O coordenador do Conselho Acadêmico do curso de licenciatura em educação física do CRV/UEM falou que o fato da região Vale do Ivaí oferecer um curso de educação física gratuito e possuir um corpo docente extremamente qualificado torna a experiência do ensino superior uma oportunidade ímpar para a comunidade. “Na esfera do ensino, todos os docentes do nosso curso são doutores ou doutorandos, o que eleva a qualidade das nossas aulas de forma muito significativa e superior à imensa maioria de cursos de educação física do estado do Paraná e do Brasil. Na esfera da extensão e da pesquisa, temos diversos projetos em que o aluno pode se engajar e experimentar a prática profissional em seu período de formação. Projetos esses nas áreas dos esportes coletivos, esportes paraolímpicos, atividade física e saúde, fisiologia, educação social, políticas públicas e até mesmo neurociência. Na maioria dos projetos, os alunos são contemplados com bolsas de pesquisa e extensão, que os auxiliam financeiramente nos estudos. Além do aluno fazer um curso em uma das universidades estaduais mais conceituadas do Brasil, ele ainda pode receber para estudar, é um diferencial incrível para a região”, pontuou o coordenador, lembrando que muitos profissionais formados pelo campus de Ivaiporã atuam em escolas e academias do Vale do Ivaí e de outros municípios do Estado, além de alunos aprovados em programas de mestrado e doutorado da universidade.

O professor destacou que a educação física é uma área de atuação que sempre existirá, independentemente do momento histórico que a sociedade vive. Ele ressaltou que, atualmente, vivemos um momento de interação do ensino e prática dos exercícios físicos e dos esportes, desde a iniciação até o alto rendimento, completamente conectados em um mundo digital. Os aplicativos para as práticas de atividades físicas estão cada vez mais presentes nos celulares das pessoas (são centenas disponíveis gratuitamente, e outros pagos); aplicativos utilizando sistemas de GPS para monitorar a distância e o tempo das caminhadas, corridas e pedaladas; aplicativos que monitoram os níveis de atividade física durante o dia (tempo de sono, exercício, consumos de alimentos, etc). No tocante à acessibilidade digital, o período de pandemia fez com que até mesmo competições muito tradicionais fossem realizadas de maneira digital. O Iromman, que é a franquia de triathlon mais tradicional do mundo (prova que envolve as modalidades de natação, ciclismo e corrida), cancelou diversas etapas neste ano e as provas foram transformadas em provas virtuais (chamadas de Ironman VR Virtual Race), em que os atletas percorrem percursos virtuais utilizando as bicicletas em rolos de treinamento e estimando a velocidade por meio de medidores de potência e correm em esteiras (podendo estar conectadas ou não a aplicativos simuladores virtuais de corrida). Cada atleta compete dentro de sua casa em um ambiente virtual. “Independentemente da forma como a pessoa se exercita, presencialmente em uma academia ou pista de caminhada, ou de maneira virtual, os indicadores de saúde evidenciam a cada dia mais que os praticantes de atividades físicas regulares possuem uma série de fatores de proteção contra doenças relacionadas a síndromes metabólicas, doenças psíquicas, problemas neurológicos e até mesmo a Covid-19 - pessoas fisicamente ativas liberam maior quantidade de irisina, que por sua vez pode ter efeitos terapêuticos contra a doença - estudo realizado na UNESP neste ano”, afirmou o professor doutor.

William Garcia defendeu que hábitos saudáveis devem ser incentivados desde a infância, exemplificando que crianças estimuladas e incentivadas pelo seu núcleo familiar a praticarem exercícios físicos desde cedo e a terem experiências esportivas positivas, com certeza terão um maior apreço pelos exercícios físicos na adolescência e na vida adulta e, certamente, terão este valor incorporado a sua vida permanentemente. A Educação Física escolar também possui papel semelhante, pois as experiências esportivas positivas realizadas na escola refletirão em toda a vida do aluno nas décadas seguintes. “É por isso que os profissionais de educação física, pesquisadores e universidades lutam tanto para que a carga horária semanal e as condições de trabalho na educação básica melhorem para a Educação Física para que mais alunos tenham a oportunidade de tomar gosto pelas práticas esportivas e experimentem de uma forma muito agradável a educação física, independentemente, das preferências dos alunos, sejam esportes, jogos, danças, lutas, ginásticas, atividades de recreação, dentre outros”, enfatizou.

Sobre as adaptações com o impacto da pandemia e a implantação de novas tecnologias na profissão, o educador físico acredita que é uma necessidade do profissional de educação física conhecer e se apropriar dos novos conhecimentos e formas de ofertar o exercício físico para as pessoas. “Sem dúvida, nosso curso de Educação Física está muito atento a nova tendência e trabalha essas temáticas constantemente nas disciplinas. Certamente, daqui a 10 ou 15 anos, vamos olhar para trás e comprovar as mudanças na realidade da nossa área. Acredito que estamos em um processo de transição muito importante, porque há necessidade de adaptar as novas tecnologias à prática do exercício físico. Além do aumento de espaço que os exercícios físicos e os esportes ganharam na mídia e na vida das pessoas, a interação dessas atividades com os recursos tecnológicos estará cada vez mais presente no dia a dia de cada prática”, finalizou.