Professores se reinventam para levar ensino à distância durante quarentena

Renata Venciguerra utiliza recursos tecnológicos para tirar dúvidas dos alunos. Por: Foto/divulgação

Renata Venciguerra utiliza recursos tecnológicos para tirar dúvidas dos alunos

Fonte: Foto/divulgação

A quarentena provocada pela pandemia da Covid-19 ocasionou uma mudança radical no dia a dia de muitos trabalhadores pelo Brasil e pelo mundo. E com os professores não foi diferente, eles tiveram de se reinventar em um intervalo curto de tempo a fim de entregar um ensino novo e de qualidade aos alunos; e as escolas, mesmo já acostumadas com o mundo tecnológico, tiveram que se adaptar ao cotidiano de ensino integralmente digital.

Segundo o professor de filosofia do Colégio Estadual Barbosa Ferraz, Ercio Luiz dos Santos, desde o começo da quarentena, notebook e celular fazem ainda mais parte da rotina dele, produzindo vídeos e usando a criatividade para criar materiais que favoreçam o aprendizado do aluno. É por meio desses aparelhos tecnológicos que ele participa de lives do colégio e da Secretaria Estadual de Educação, que tem como principal preocupação o aprendizado do aluno e que eles não sejam prejudicados pela ausência das aulas presenciais. “Ainda bem que a direção do colégio já, há uns 5 anos, vem nos dando cursos com aulas ministradas pelos próprios professores de informática da instituição sobre a classroom, sobre aulas online e atividades remotas; isso nos ajudou muito a sair na frente dessa situação emergencial”, contou o professor.

Ele relatou que, no início, foi muito difícil separar o lado profissional do familiar em um momento que não existia perspectiva de volta ao trabalho, e que há grande preocupação com os alunos que estão afastados, passando por problemas mais diferentes possíveis, sejam psicológicos, econômicos, de saúde, que perderem entes queridos, mas ressaltou o apoio da direção e equipe pedagógica foi fundamental e que eles têm se desdobrado para integrar todos ao ensino remoto. “A ausência dos alunos, certamente, é o mais difícil, pois ensino se faz de conteúdo, interação, convivência; fomos preparados para estar juntos aos alunos, sentir seu olhar, se está bem, se está triste, principalmente se está aprendendo. Pessoalmente, acho que vão ficar muitas coisas boas depois da pandemia, como atividades e tarefas que podem ficar para fazer em casa, o uso mais significativo dos áudio-visuais. Quem sabe o Estado poderia fazer estudo integral, complemento dos conteúdos, reforços, revisões via classroom”, opinou.

Também professora de Física, Projeto Mais Aprendizagem e Robótica, do Colégio Barbosa Ferraz, Talita Breschiliare Piffer Freire, afirmou que, em tempos de pandemia, a rotina mudou completamente, que foi preciso se adequar ao sistema de aulas online, com utilização de videochamadas e recursos audiovisuais, como slides. No entanto, mencionou que a adesão às aulas ao vivo é baixa e que não há mais horário pré-determinado para o professor trabalhar, pois tem que preparar o material que será trabalhado, atender aos alunos a qualquer período do dia e informar a equipe sobre as atividades pedagógicas realizadas pelos alunos, mas como eles realizam as atividades em momentos diferentes do dia, isso gera um trabalho excedente aos mestres. “A ausência da escola tem sito um grande problema emocional, principalmente, para mim. O espaço escolar não existe apenas em sala de aula, as conversas, as risadas, os sorrisos ou as “caras feias”, os questionamentos dos alunos são substantivos muito importantes ao professor. Um professor, só de olhar seu aluno, consegue perceber se ele ainda tem dúvidas, e nós perdemos esse elo tão importante. Eu, particularmente, ainda tenho a sensação de que não estou ministrando aulas, parece que algo está faltando, que eu estou sozinha”, mencionou a educadora.

Professora de artes no Colégio Estadual Bento Mossurunga, Renata Gonçalves Venciguerra, observou que a instituição, por meio de direção, equipe pedagógica e professores, tem buscado meios para interagir da melhor forma possível com os educandos, utilizando as ferramentas virtuais para tirar dúvidas, mas que nem sempre é possível, tendo em vista as dificuldades tecnológicas por conta da realidade social dos alunos. “Observamos que nossos alunos sentem necessidades das aulas presenciais, já que essa realidade de aula EAD está sendo bonita só no papel, pois essa faixa etária não comporta esse tipo de educação por vários motivos e, principalmente, pela maturidade; visto que para ensinar e ter aulas EAD, precisamos de aulas presenciais, também”, frisou Renata Venciguerra.

Para a pedagoga do Colégio Estadual Barbosa Ferraz, Rosa Venice, o primeiro trimestre do ano letivo foi de adaptação ao estilo de ensino à distância, acesso dos alunos ao aplicativo, preenchimento e envio das atividades. Já no segundo trimestre, o foco é nos conteúdos e aprendizagem do aluno por meio de lives, mensagens por aplicativos de celular e atividades em que são utilizados recursos audiovisuais. “Os alunos têm respondido às atividades e conteúdos, mas ainda boa parte não tem acesso à internet e, para esses, são entregues, semanalmente, atividades impressas, o que dificulta ainda mais, porque eles têm que estudar sozinhos”, explicou a pedagoga.

Aulas presenciais voltam em setembro

As aulas presenciais que estão suspensas pela Secretaria Estadual de Educação (Seed) desde 20 de março no Paraná, voltarão em setembro, seguindo um protocolo de segurança elaborado pelo Comitê de Retorno às Aulas e aprovado por epidemiologistas.

Os professores ouvidos na reportagem estão divididos entre a apreensão, medo da contaminação e preocupação com a preparação das aulas no sistema híbrido (aulas presenciais intercaladas com aulas remotas); e a grande vontade de voltar a estar com os alunos em sala de aula.

O chefe do Núcleo Regional de Educação de Ivaiporã, Válber Clarimundo, comentou que ainda não há uma data para o retorno presencial dos alunos às escolas do Estado, e que esse retorno será definido pela Secretaria de Saúde, com base no desenvolvimento da pandemia e após uma consulta pública às famílias dos estudantes. Pais que não quiserem que filhos retornem para aulas presenciais podem continuar, exclusivamente, no ensino remoto.

A realidade de cada municipalidade também será respeitada, conforme aponta o protocolo. Municípios que preferirem não retornar com as aulas presenciais nas escolas municipais (Infantil e Fundamental I) poderão optar por manter apenas o ensino remoto.