Pioneiro de Ivaiporã Ernesto Hezel falece em Joinville

Imagem da notícia.

Faleceu aos 95 anos, na manhã dessa sexta-feira, dia 31 de julho, vítima da Covid-19, o pioneiro Ernesto Hezel, que atualmente residia na cidade de Joinville (SC). O corpo será cremado e as cinzas trazidas para Ivaiporã, onde será sepultado no túmulo da família, no cemitério municipal de Ivaiporã. Ernesto Hezel teve oito filhos e é tio do ivaiporãense Dorly Hezel.

Industrial madeireiro, ele nasceu no dia 17 de outubro de 1924, na época, colônia Cândido de Abreu, distrito de Três Bicos, município de Reserva. Foi casado com Theodozia Szuver. E em 1949 veio morar em Ivaiporã.

Em entrevista concedida ao jornal Paraná Centro, há cerca de 7 anos, ele disse que, naquela época, a cidade já apresentava sinais de desenvolvimento e optou pela mudança para aquisição de terras para a criação de porcos. Pela cidade, foi um dos primeiros vereadores em Manoel Ribas, em 1955, quando Ivaiporã pertencia ao município vizinho.

Confirma a entrevista abaixo

“Optei por Ivaiporã, porque Cândido de Abreu não apresentava sinais de crescimento”

O industrial madeireiro Ernesto Hezelnasceu no dia 17 de outubro de 1924, na época, colônia Cândido de Abreu, distrito de Três Bicos, município de Reserva. Ele teve 8 filhos: Fabiana, Elvira, Ivone, Matilde, Irene, Dirce, Terezinha e Ernesto Hezel Filho. Ele reside em Cascavel, desde 1972, e costuma voltar ao município para rever os amigos. Aos 88 anos, Hezelconcede entrevista ao Paraná Centro e relembra quando chegou ao município de Ivaiporã.

Jornal Paraná Centro (JPC) – Onde o senhor nasceu?

Ernesto Hezel – Nasci, no dia 17 de outubro de 1924, na época, colônia Cândido de Abreu, distrito de Três Bicos, município de Reserva. Vivi em Cândido de Abreu e deixei o município aos 21 anos.

JPC – Quando passou a morar em Ivaiporã?

Ernesto Hezel – Em 1949. Optei por Ivaiporã, porque Cândido de Abreu não apresentava sinais de crescimento. Por outro lado, Ivaiporã dava sinais de desenvolvimento. Naquela época, fala-se muito em criar porcos. Nesse caso, eu precisava de espaço e de terras baratas, uma vez que não havia em Cândido de Abreu. Por isso, vim para Ivaiporã adquirir terras, fazer roça e criar porcos.

JPC – O senhor teve algum comércio?

Ernesto Hezel – Bom, decidi diversificar a minha atividade e comprei uma pequena casa de secos e molhados na comunidade do Pindaúva.

JPC – Quando chegou a Ivaiporã era casado?

Ernesto Hezel – Era e, passado um ano, os meus pais vieram morar em Ivaiporã. E, em 1960, quando tinha duas casas de comércio, me mudei para Ponta Grossa, e deixei os negócios com o meu irmão e cunhado. Em 1964, vendi as casas e fiquei morando em Ponta Grossa por um algum tempo. Em seguida, me mudei para São Paulo e, passados quatro anos, voltei para Ivaiporã, que estava mais desenvolvida. Nessa época, eu tinha alguns lotes de terra.

JPC – Acredita que Ivaiporã poderia estar mais desenvolvida?

Ernesto Hezel – O município é predominantemente agrícola. Portanto, o desenvolvimento de uma cidade com suporte agrícola é mais lento, se comparado a uma cidade industrial. Por isso, acho que Ivaiporã se desenvolveu de acordo com a atividade. Lenta! Mas segura.

JPC – Agora, retorna para visitar o município. Encontrou algumas pessoas conhecidas?

Ernesto Hezel – Sim! São as mesmas! Ivaiporã é uma família.

JPC – Chegou a ser uma espécie de corretor de imóveis?

Ernesto Hezel – Por volta da década de 50, quando fui morar na comunidade do Pindaúva, a Companhia Territorial Ubá fez um acordo com o Governo, assumiu as terras do município de Ivaiporã e colonizou. Naquela época, também comprei terras, que eram consideram devolutas. Sabia que tinham donos. Mas não eram definidos. Inclusive, me tornei uma espécie de corretor da Companhia Territorial Ubá. Em seguida, comprei e vendi terras.

JPC – Onde ficavam as terras?

Ernesto Hezel – Quando a Companhia Territorial Ubáloteou a cidade, um cidadão tinha a posse de 41 alqueires, onde fica a Vila Nova Porã, mas não tinha o documento comprovando a titularidade. Como a Companhia Territorial Ubá não tinha como legaliza as terras, contratei um advogado do Rio de Janeiro, e acabei comprando lotes e devolvendo 10 alqueires para o cidadão, ficando com 30, que é o patrimônio do Maneco [Vila Nova Porã].

O Maneco [Manoel Teodoro da Rocha, ex-prefeito de Ivaiporã] sugeriu lotear e um engenheiro loteou a área. Depois, fui para Ponta Grossa e o Maneco ficou como vendedor. Aquela parte da cidade deveria se chamar Vila do Ernesto. Mas ficou Vila do Maneco [risos].

JPC – O senhor vive em Cascavel desde 1972?

Ernesto Hezel – Sim. E, às vezes, venho rever os amigos, que são de saudosa memória [risos].

JPC – Aos 88 anos, é uma pessoa muito ativa...

Ernesto Hezel – ... É da minha própria natureza. Por norma, a minha família tem longevidade. Mas sempre gostei de ler, principalmente romance e noticiário político. Não sou político. Mas gosto de política. Agora, estou preguiçoso [risos].

JPC – O senhor exerceu algum cargo político?

Ernesto Hezel –Fui vereador em Manoel Ribas.

JPC – Acompanhou a criação do município de Manoel Ribas?

Ernesto Hezel – Criamos o município de Manoel Ribas, em 1955, e fui candidato a vereador, me elegi e cumpri o mandato até 1959. Naquela época, o vereador não tinha vencimento e, inclusive, tirava dinheiro do próprio bolso para construir estradas, escolas... Ou seja, aquilo que era prometido era cumprido. Mas, atualmente, não sou favorável. O vereador tem que ter salário. Caso contrário, como irá se aposentar?

JPC – Que lição de vida deixa para a família e os jovens?

Ernesto Hezel – Primeiro, é preciso ter vontade de viver. Segundo, é imprescindível ser honesto, porque a honestidade proporcionapaz vida. E, para ter paz, só sendo honesto.

Comentários