Prefeito de Ivaiporã fala da luta contra a Covid-19 e da tentativa do ex-prefeito para cassá-lo

Prefeito de Ivaiporã Miguel Amaral

Prefeito de Ivaiporã Miguel Amaral

Em entrevista exclusiva ao jornal Paraná Centro, o prefeito de Ivaiporã Miguel Amaral fala da luta para vencer a pandemia de Coronavírus e denuncia a armação que o ex-prefeito Carlos Gil e dois vereadores montaram para tentar cassar seu mandato.

Paraná Centro - Como é a experiência de ser prefeito numa inédita pandemia de Covid-19 e na maior crise mundial?

Miguel Amaral - Está difícil porque não se tem nada comparado com o que está acontecendo atualmente com os governantes, sejam presidentes, governadores e prefeitos. Outra pandemia conhecida na história foi em 1918, com a gripe espanhola, que matou muita gente. Acontece que, na época, a comunicação era limitada. Hoje, os governantes administram com a população manifestando-se nas redes sociais, com adversários políticos tentando confundir a opinião pública. O desafio é vencer tudo isso, sem se preocupar com a popularidade, mas garantir saúde à população.

Paraná Centro - Como espera que a pandemia de Covid-19 acabe?

Miguel Amaral - Espero e trabalho para que a pandemia termine com o mínimo de mortes possível. As suposições de que os prefeitos e governadores estão organizados para quebrar a economia é uma balela inventada pelos adversários políticos. Qual administrador gostaria de ter os comerciantes contra. Pode até ter pessoas mal intencionadas, mas em Ivaiporã temos o maior respeito com o comércio, afinal, sou empresário e fui presidente da Associação Comercial, por duas gestões.

Paraná Centro - A que atribui o aumento do número de casos, que em 16 de junho Ivaiporã estava com 22 positivos e, em 20 dias, passou para mais de 200?

Miguel Amaral - Principalmente, destaco o relaxamento da população, que depois de mais de 100 dias mantivemos o município, mesmo sendo uma cidade polo regional, com baixo número de pessoas com o coronavírus, graças às ações do Comitê de Segurança, composto pela equipe da Saúde Municipal, 22ª Regional de Saúde, prefeito, integrantes da Prefeitura, representantes do Ministério Público, da Associação Comercial, Vigilância Sanitária e sindicatos. Então, às vésperas e no Dia dos Namorados (12/06), tivemos restaurantes e lanchonetes superlotados sem respeitar as medidas de prevenção, bem como uma grande festa de uma conhecida família da cidade, onde ocorreu uma cadeia de contaminação pela COVID e outras comemorações familiares indevidas, burlando todos os princípios de segurança. Daí, em poucos dias, foi aumentado em 10 vezes o número de pessoas infectadas.

Paraná Centro - Qual é a medida tomada para evitar a continuidade dos casos?

Miguel Amaral - Bom, quando temos decisões a tomar, principalmente, as que visam defender a vida dos cidadãos, a nossa referência tem que ser os profissionais de saúde. Temos o COE (Centro de Operações Emergenciais), formado por profissionais médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, epidemiologistas, que discutem diariamente as estratégias. São eles que nos orientam. Mesmo assim, nos reunimos praticamente todas as quinzenas e, às vezes, semanalmente, para avaliar as medidas tomadas. Nas reuniões ouvimos todos os representantes para tomar a decisão. Fechar os comércios e prestadores de serviços, que são considerados não essenciais, é muito triste, mas fizemos isso diante das informações de início de uma contaminação comunitária massiva em Ivaiporã. Assim, por último e como medida extrema, mas indispensável, tivemos que retomar o fechamento por 15 dias.

Paraná Centro - Quanto ao fechamento do comércio, o senhor sabe da contrariedade que ficam os empresários que fecham, pois outros segmentos ficam abertos?

Miguel Amaral - Lógico que sabemos que fechar não agrada os empresários, porque vão ter prejuízos. Mas nossas decisões podem preservar a cidade de uma grande contaminação e, consequentemente, de muitas mortes trágicas e sofridas - pois as pessoas morrem sufocadas. Portanto, qualquer decisão do prefeito não agrada a todos. Se o comércio está completamente aberto, a população que está preocupada com o avanço dos casos quer que ela feche. Quando a decisão é fechar, a outra parte, principalmente, comerciantes, não fica contente. Quanto a ficar parte do comércio e indústria abertos, faz parte da lista do Decreto Estadual, que prevê que empresas consideradas de trabalho essencial têm que ficar abertas, o que confunde a população. Mas a Prefeitura tem que deixar esses ramos abertos.

Paraná Centro - Por que Ivaiporã tem mais de 200 pessoas contagiadas?

Miguel Amaral - Ivaiporã tem 32,7 mil habitantes, mas recebe, mensalmente, aproximadamente 200 mil pessoas, e possui tem 4 hospitais e muitas clínicas. Então, o preço de um município oferecer serviços estaduais, federais e de saúde, que atendem cerca de 22 municípios, é muito maior que de outras cidades. Por isso, já teríamos o potencial de ter um maior número de pessoas infectadas. Mas o que ocorreu na semana do Dia dos Namorados, sobretudo com enormes festas familiares e lotação de restaurantes sem os cuidados devidos, demonstra o risco e o potencial de contaminação da Covid-19: em dois dias, saltamos de 22 para mais de 70 casos - e depois alcançamos essa triste marca de 215 diagnósticos positivos.

Paraná Centro - A Câmara de Vereadores abriu Comissão Processante contra o senhor. É verdade que o senhor até fechou a Prefeitura para não ter a sessão de cassação?

Miguel Amaral - A CP partiu de uma denúncia do vereador Fernando Dorta, de que um sobrinho meu estava trabalhando na Prefeitura. Ele foi contratado por uma falha técnica e demitido após três meses, e os valores recebidos foram ressarcidos aos cofres públicos, pelo pai do jovem, que ganhava R$ 1.200 reais por mês. A denúncia foi ao Ministério Público de Ivaiporã, que após o inquérito, o promotor local determinou o arquivamento. Insatisfeitos, os vereadores Nando Dorta e Marcelo Reis recorreram ao Conselho Superior do Ministério Público, de Curitiba, que confirmou a decisão do MP de Ivaiporã e arquivou a denúncia. E a decisão foi clara: não havia qualquer possibilidade de me culpar pela contratação, que foi efetivamente feita por outras autoridades da Prefeitura, o que impediu que tivesse havido nepotismo.

Paraná Centro - Por que os vereadores continuaram a Comissão Processante (CP) na Câmara, mesmo sabendo que o Ministério Público arquivou?

Miguel Amaral - Porque o ex-prefeito Carlos Gil reuniu os vereadores e fez pressão - de verdade, coagiu ao menos três vereadores - para que votassem pela minha cassação, usando sua liderança política e seu poder econômico, porque é o homem mais rico de Ivaiporã. Temos fartas provas que o ex-prefeito Carlos Gil e os vereadores Marcelo Reis e Nando Dorta, com a colaboração do vereador Hélio Barros, estão coagindo outros vereadores porque querem minha cassação a qualquer custo, meramente por política, para me tirar da eleição e garantir que ganhem a próxima eleição, tentando impedir que eu possa disputar contra eles. O vereador Nando Dorta, que está impedido de participar da Comissão Processante porque foi o denunciante, chegou a mandar um áudio para a filha do presidente da Câmara, o vereador Éder Bueno, ameaçando-o caso não fizesse a votação da minha cassação e ainda colocou esse áudio em redes sociais para mostrar seu “poder”. Por tudo isso, entramos, na semana passada, com uma denúncia no Ministério Público pedindo a abertura de inquérito contra eles, demonstrando, por meio de várias provas, documentos, gravações e indícios, que existe uma clara e pública conspiração do ex-prefeito Carlos Gil para me cassar, coagindo vereadores, sendo que ele chegou a publicar numa rede social que garantia que me cassava em 90 dias e apresentava o resultado da votação na Câmara - 7 votos a 2 - dizendo que tinha aposta de 200 mil reais, caso conseguisse levar à votação o relatório da CP.

Paraná Centro - Como está o processo dessa Comissão Processante da Câmara, agora?

Miguel Amaral - Essa verdadeira ”armação” está sendo discutida na Justiça local e no Tribunal de Justiça, em Curitiba, onde conseguimos, graças ao trabalho do nosso advogado Guilherme Gonçalves, o cancelamento da reunião que já estava armada, pelo ex-prefeito Carlos Gil, para cassar o meu mandato. A Comissão Processante perdeu o prazo para me julgar, então a Justiça cedo ou tarde anulará essa ilegalidade. E tudo isso porque eu não concordei que o Carlos Gil, como um coronel, indicasse o vereador Marcelo Reis como candidato a prefeito. Inclusive, ele (Gil) disse que se eu não aceitasse o Marcelo Reis candidato a prefeito e saísse contra ele nas eleições, “minha vida viraria um inferno”, com aquela arrogância que as pessoas próximas dele conhecem. E agora, com essa investigação que vai correr no Ministério Público de Ivaiporã, acho que a população vai ficar sabendo de que modo essas pessoas fazem política, com manipulação, coação a vereadores e desrespeito à democracia.

Paraná Centro - É verdade que o ex-prefeito Carlos Gil pediu ao presidente da Câmara, Eder Bueno, levar um recado ao senhor para que renunciasse ou seria cassado?

Miguel Amaral - É verdade, inclusive, a gravação da conversa está na denúncia que fizemos ao Ministério Público. É vergonhoso, porque um ex-prefeito querer que um prefeito saia porque discorda dele. O Gil esteve na casa da vereadora para ameaçá-la a votar pela minha cassação e o presidente da Câmara de Vereadores Eder Bueno tentou pacificar, mas ele disse que só aceitava não me cassar se eu renunciasse ou me afastasse por 6 meses para o vice assumir. Dizendo que essa era a única chance que eu tinha para não ser cassado. Como se ele mandasse na Câmara e determinasse se o prefeito ficaria ou fosse cassado.

Paraná Centro - Na sua opinião, por que o ex-prefeito Carlos Gil age dessa maneira, sendo que ele o apoiou na sua candidatura a prefeito?

Miguel Amaral - Eu entendo que o ex-prefeito Carlos Gil não tem motivos para fazer isso. Inclusive, antes de rompermos em dezembro de 2019, eu disse que o apoiaria por ética e gratidão, mas ressaltei que não apoiaria o vereador Marcelo Reis numa candidatura a prefeito, porque ele foi adversário da atual administração desde o início, sabotando nossas iniciativas e votando contra os projetos importantes para Ivaiporã, como o Concurso do Café do Paraná, cuja votação ele tentou impedir até na última hora. Conseguimos fazer a reunião extraordinária na véspera, mas ele e o ex-prefeito Carlos Gil tentaram impedir a reunião para que os vereadores não aprovassem o recurso de R$ 37 mil reais. Resultado, o presidente Eder Bueno conseguiu aprovar o recurso em reunião extraordinária. Por conta de realizarmos o Concurso do Café do Paraná, o secretário de Estado da Agricultura Norberto Ortigara liberou recursos para o município fazer 4,5 quilômetros de pavimentação na área rural, com pedras irregulares, no valor de R$ 950 mil reais e mais um veículo zero quilômetro, no valor de R$ 50 mil reais. Veja o benefício que iríamos perder, pela vaidade dos senhores Marcelo Reis e Carlos Gil, que agora ficam se promovendo como candidatos a prefeito e vice em várias redes sociais.

Paraná Centro - O que o senhor espera para acabar com essa perseguição na Câmara de Vereadores?

Miguel Amaral - Espero que o Poder Judiciário coloque um fim nisso. Que o inquérito da Promotoria Pública desvende essa armação e falta de democracia, engendrada pelo ex-prefeito Carlos Gil, que age como um daqueles “coronéis” sem farda do passado, para elucidar e colocar fim a essa perseguição. Esse ex-prefeito se escora no poder econômico para me atacar com arrogância, com essa armação na Câmara e usando de sua emissora de rádio para me atacar, mentindo e confundindo a população. A população de Ivaiporã precisa saber disso. Carlos Gil fica me atacando e eu pergunto: por que ele e seus aliados, os vereadores Marcelo Reais e Nando Dorta, estão com tanto medo de me enfrentar nas urnas? Meu advogado Guilherme Gonçalves me disse uma coisa engraçada, mas que é verdade “só político que tem medo de eleição apela ao tapetão”.

Paraná Centro - Quantas obras a atual gestão está para entregar nos próximos meses e já entregou nos últimos meses?

Miguel Amaral - Temos 38 obras, das quais já entregamos várias e outras vamos concluir nos próximos meses. Obras e ações em todos os setores, com saúde, educação, agricultura, meio ambiente, infraestrutura urbana e rural. Enfim, um avanço de 30 anos em Ivaiporã. Destaco aqui a construção e funcionamento do Hospital Regional em Ivaiporã, assim como os R$ 37 milhões de reais que a Sanepar está investindo no saneamento básico, com a construção da nova Estação de Tratamento de Esgoto e a colocação de captação de esgoto, que vai tirar Ivaiporã de 14,5% para 60% na rede de tratamento de esgoto do município, tirando a cidade do atraso e melhorando a saúde da população.

Paraná Centro - O senhor vai se candidatar à reeleição para disputar as eleições de 2020?

Miguel Amaral - Não me restou alternativa. Não era a minha proposta, mas agora sou pré-candidato à reeleição contra quem vier. Infelizmente, o ex-prefeito não soube valorizar nossos esforços realizando obras importantes e garantindo que Ivaiporã prosperasse. Portanto, nosso grupo está preparado para enfrentar o coronelismo, essa armação para dar um golpe na Câmara e me cassar e a falta de respeito para com a população e com as instituições constituídas. Nossa proposta é manter a população sendo atendida com dignidade e sem perseguição. E faço um desafio ao ex-prefeito Carlos Gil e seu grupo político: parem com essa ridícula tentativa de cassação e venham disputar a eleição comigo e com os outros candidatos que aparecerem.

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