Recuperada da Covid-19, moradora de Jardim Alegre enfrenta preconceito

Empreendedora relata preconceito e rejeição mesmo após estar curada da Covid-19 – Foto/divulgação

Empreendedora relata preconceito e rejeição mesmo após estar curada da Covid-19 – Foto/divulgação

A representante comercial e digital influencer Renata Rafaeli Pereira de Abreu, 26 anos, vive uma mistura de sentimentos após o tratamento e recuperação da Covid-19. Ela faz parte do grupo de pessoas consideradas recuperadas da doença no município de Jardim Alegre.

Renata Rafaeli Abreu, que mora sozinha, começou a sentir os primeiros sintomas no dia 30 de maio, sendo submetida ao teste da Covid-19 logo depois. A partir daí, iniciou o isolamento domiciliar e, com a confirmação de que havia testado positivo, seguiu no isolamento até 15 de junho, quando recebeu alta. “Senti fortes dores de cabeça, ânsia de vômito, seguidas de perda total de olfato e paladar nos primeiros 8 dias, mas Deus é minha base e me ajudou a passar por esse momento”, disse.

Se por um lado está feliz e aliviada por ter vencido a doença, por outro, vive a tristeza e o temor da exposição negativa, discriminação e preconceito das pessoas. A empresária relatou que, mesmo após ter recebido alta médica e ser considerada recuperada da doença, ela e a família sofreram diversas formas de preconceito e discriminação na sociedade. “Sempre tive uma vida muito ativa e desde minha recuperação voltei para minha rotina normal, mas em lugares que eu costumava frequentar como academia, por exemplo, não quiseram me atender e demonstraram que eu não era bem-vinda no lugar. Minha família também sofreu rejeição, sendo mal recebida e julgada pela sociedade”, contou Renata Rafaeli.

Renata contou ainda que a doença, possivelmente contraída em uma viagem de trabalho, a fez perder 8 quilos e que sentiu medo quando apareceram os primeiros sintomas da Covid-19. No entanto, reforçou que sofreu muito mais com a rejeição das pessoas do que com o próprio vírus. “Recebi mensagens ofensivas nas redes sociais, disseram que eu era irresponsável e isso me chateou bastante. É um momento em que você está frágil e com o psicológico abalado, ao mesmo tempo em que precisa encontrar forças para superar e seguir em frente”, lembrou.

A empresária, que atende atacado e varejo no ramo de semijóias, ressaltou que o preconceito também a prejudicou comercialmente; algumas vendedoras chegaram a devolver mostruário para não ter contato com ela. Por outro lado, muitas pessoas passaram a conhecê-la e, com isso, as vendas online aumentaram. “Fiz questão de mostrar minha rotina porque sempre cuidei da saúde e tive fé que ia sair dessa, mas principalmente para que o ser humano entenda o verdadeiro significado da palavra empatia, porque poucas pessoas me estenderam a mão”, afirmou.

O sentimento de Renata Rafaeli após vencer a doença é de gratidão, por saber que se trata de um vírus traiçoeiro e que já tirou tantas vidas. “Gratidão por saber que não transmiti a doença para ninguém da minha família, por isso, peço que as pessoas obedeçam ao isolamento, aproveitem esse período para se autoconhecer e tenham responsabilidade, principalmente, com quem tem a saúde mais frágil para não viver com o sentimento de culpa pelo resto da vida”, encerrou.

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