Agrônomo acredita que gafanhotos não chegarão ao Paraná

Agricultores monitoram avanço da nuvem de gafanhotos

Agricultores monitoram avanço da nuvem de gafanhotos

Na semana passada, a notícia que tomou conta das redes sociais, sobre a proximidade de uma nuvem de gafanhotos na divisa da Argentina com o Rio Grande do Sul, fez com que muitas pessoas ficassem preocupadas com a possibilidade de prejuízos à produção agrícola do sul do Brasil.

No entanto, a movimentação dos insetos, monitorada por órgãos de defesa vegetal da Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil, mostra que os insetos estão voltando para o norte da Argentina e também perdendo força, com um número menor de gafanhotos.

O agrônomo Fernando Soster, responsável pelo departamento técnico da unidade da Coamo de Ivaiporã, ressalta que vem acompanhado a situação por meio dos informes da Secretaria Estadual de Agricultura.

Ele ressalta que o clima dos últimos dias inviabiliza a chegada dos insetos à região, já que eles não se adaptam à chuva e ao frio. Apesar disso, como eles têm a característica de juntar e migrar, podem se deslocar até 150 quilômetros por dia, em busca de alimentos.

Com relação ao potencial de danos desses insetos, Soster lembra que eles vão causar prejuízo na faixa que eles estiverem voando e não em toda a agricultura do Brasil, além disso, a tendência é que essa população venha diminuindo, já que os insetos vão morrendo e sendo controlados ao longo do caminho. “Eles não comem apenas as plantas de trigo ou milho, mas todo o tipo de vegetação, como mato, pasto e vegetação nativa”, relata.

Causas

No entanto, na Argentina e no Paraguai não é rara a formação de nuvens de gafanhotos e essas aglomerações de insetos se formam quando ocorre uma queda na população de predadores, como outros insetos maiores, pássaros ou roedores; quando o clima é atípico, como o longo período de estiagem e escassez de alimentos, além de uma reprodução exagerada do inseto. “Essa espécie, que é a mesma relatada na bíblia, tem a característica de migrar e se reunir na busca de alimentos e, no Brasil, tem espécies diferentes que não tem essa característica”, salienta.

Controle

Soster comenta que desde 1940 não era registrada uma situação como essa no Brasil e, na década de 80, houve uma situação de ataque de gafanhotos no Mato Grosso e Pará, mas em uma proporção bem menor que a nuvem de gafanhotos que surgiu na Argentina. No entanto, existem produtos eficientes contra esse inseto. O uso de aviões para pulverização da nuvem não é a forma de controle mais adequada, já que os insetos podem cair em uma área muito extensa, serem devorados por outros animais, que também podem se contaminar. “O controle ideal é no momento que esses insetos pousarem, quando se faz a aplicação do inseticida, de forma mais segura”, ressalta.

Ele destaca que, nesse momento, o produtor não deve se preocupar, e caso os insetos se aproximem da região, uma forma de atuação contra esse inseto deve ser pensada.

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