Rico & Pobre

O nome da coluna é inspirado no nível de cultura humana. Quem sabe e gosta de ler, é sempre rico e encanta por onde passa, não importa a circunstância. Já o concidadão que não gosta, tem o resultado inverso como castigo. E, também, Rico e Pobre traz a doce lembrança de um tio/professor, Sergio Rickli Pobbe, que nos deixou em 14 de março, mas me ensinou muita coisa sobre educação, inclusive a gostar de política. Curiosidade: em 1992, junto com uma prima Liliane, filha do saudoso tio, cantamos uma música na Rádio Ubá, na oportunidade da revisão constitucional e em defesa da República.

Trazendo a prosa para os ensaios da educação e sobre a leitura. Durante a história tivemos inúmeros pensadores que dedicaram a vida para estudar a forma correta de ler e entender: Hugo de São Vitor (1096 -1141), Didascálicon: Da Arte de Ler. René Guénon 1886 - 1951). Dante Alighieri (1265-1321), Sêneca e vários outros. O que dá vida ao meu desígnio, é o mestre Mortiner J. Adler (1902 – 2001).

O maior historiador da obra de Adler, foi o meu professor curitibano, José Monir Nasser (1957 – 2013), que repetia a seguinte frase, em todas as suas palestras show “Todo alfabetizado saber ler até certo ponto, mas como esse ponto pode estar muito baixo, é preciso melhorar a habilidade da leitura em geral. Esse problema é um dos mais complexos das artes da educação”

Agora sabemos que para ler um texto no Facebook basta ser alfabetizado. Agora, a gente não quer só comida, diversão e balé! (Titãs, Arnaldo Antunes) Certo? Então, para ler, por exemplo, o italiano Dante Alighieri (Florença, entre 21 de maio e 20 de junho de 1265 d.C. — Ravena, 13 ou 14 de setembro de 1321 d.C.), na sua obra prima “ A Divina Comédia”, que traz um poema alegórico dividido cirurgicamente em três partes “Inferno”, “Purgatório” e “Paraíso” composto de 100 cantos em tercetos (cada parte com 33 cantos, e mais um de abertura, formando o número 100), que por acaso é onde nasceu o termo “Inferno de Dante”, é necessário criar uma habilidade. Leia, novamente, criar!

Todavia, calma. Tudo tem um começo. Comecemos, dizia o poeta brasileiro, Geraldo Vandré “Vem vamos embora que esperar não é saber; quem sabe faz a hora não espera acontecer!”

Adler, para facilitar, separou o aprendizado da leitura em degraus, precisamente em gêneros. Livros podem ser imaginativos (Ficção) e expositivos (Práticos e Teóricos). Em ordem crescente por gêneros, do mais fácil para mais complexo: Poesia, Teatro, Prosa, História, Ciências e Filosofia. E para Compreensão, em graus Leitura Elementar, Averiguativa, Analítica e Sinóptica.

Por fim, Dante, na Divina Comédia, ao narrar a passagem no Inferno, e entre os 7 Pecados Capitais, em meio a tantos ricos ensinamento lá, ofereço duas para reflexões esta semana: uma - “Quem és tu que queres julgar, com vista que só alcança um palmo, coisas que estão a mil milhas?”; outra - “No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise”.

Semana que vem, entraremos no primeiro gênero “Elementar”, ascenderemos o primeiro degrau da “da Poesia e Teatro”. E, claro, para ilustrar a frase do Ato III, Cena I da peça “Hamlet”, de William Shakespeare "Ser ou não ser, eis a questão"!

Autor: Ronan Wielewski Botelho é nascido no Hospital Bom Jesus em Ivaiporã.

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