Ivaiporãense inova e produz açaí a partir do fruto da palmeira juçara

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O ivaiporãense Osvaldo Ferreira de Paula, morador do distrito de Jacutinga, em Ivaiporã, produtor de sorvetes há 50 anos, convidou autoridades municipais, entre elas o prefeito Miguel Amaral; a chefe do núcleo regional da Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento), Vitória Montenegro Holzmann; o diretor municipal de Agricultura, Lourival Góes; e a diretora municipal de Indústria, Comércio e Turismo, Rosana Pagé, para uma degustação do açaí produzido com o fruto da palmeira juçara, que é uma árvore nativa das matas do Paraná e que se adapta bem ao clima da região.

Osvaldo de Paula está desenvolvendo o produto há cerca de dois anos e, agora, ele começa a ser oferecido, inicialmente, na sorveteira Sabor de Verão, mas também para duas sorveterias de familiares do produtor, em São Paulo. Ele disse à reportagem que trabalhou durante 20 anos com a produção de açaí em São Paulo e quando retornou para a região central, conheceu o fruto da palmeira juçara e logo percebeu que se tratava de uma fruta que poderia ser transformada em açaí. Além de frutos de árvores cultivadas em Jacutinga, ele também recebe frutos produzidos na Fazenda Urutágua, de Lunardelli, e todos com a característica de serem cultivados sem uso de agrotóxicos. “Muitas pessoas não acreditavam que era possível esta produção, porque aqui ninguém sabia e os frutos estavam se perdendo. Quando voltei para Jacutinga, eu vi esse açaí e me apaixonei”, disse Osvaldo de Paula.

Ele acredita que esse fruto pode representar um grande avanço para o município de Ivaiporã, gerando renda e emprego, em função do grande consumo de açaí que existe no Brasil. Apenas nas duas sorveterias que seus familiares mantêm em São Paulo, são consumidas, em média, 80 toneladas de polpa de açaí por mês. “O prefeito está me dando o suporte e acredito que posso realizar o sonho de fazer Ivaiporã ser a capital paranaense do açaí”, ressalta.

Ele destaca que a diferença do açaí que vem do norte do Brasil para o açaí de palmeira juçara não é muito grande; a coloração do nosso produto é mais forte, mas o gosto é mais suave. “O açaí do Pará é um pouco mais para o azedo e o nosso tem um sabor mais suave. Eu mandei algumas amostras para uma degustação em São Paulo, onde o consumo é muito grande, e a maioria dos que provaram preferiu o açaí do Paraná”, disse Osvaldo de Paula.

Miguel Amaral, Osvaldo de Paula e Eugênio Sinhorete mostram novidade

Miguel Amaral, Osvaldo de Paula e Eugênio Sinhorete mostram novidade

O processo de produção é idêntico ao açaí tradicional. Após colhido, o fruto é lavado em uma solução com cloro e esterilizado para a retirada das impurezas, ele fica em uma água quente por cerca de meia hora e, na sequência, é despolpado. A grande diferença, que pode ser uma vantagem para o açaí de juçara, é o custo de transporte. Ele lembra que uma carga de açaí que sai do Pará percorre cerca de 3 mil quilômetros para chegar até São Paulo, sem contar o tempo que o produto fica no barco, desde a colheita até chegar em Belém. “Eu acredito que o nosso açaí nem vai chegar a ir para São Paulo, pois será todo consumido aqui mesmo no Paraná”, ressalta.

O prefeito de Ivaiporã, Miguel Amaral, parabenizou o produtor pela iniciativa e também o proprietário da sorveteria Eugênio Jesus Sinhorete, pela parceria para a comercialização do produto. “Sem dúvida, temos em Ivaiporã um dos melhores mestres sorveteiros do Brasil que, inclusive, testa produtos para grandes marcas de São Paulo. E isso é algo bom e vai colocar o município de Ivaiporã em destaque, com um produto inovador e que pode gerar muita renda”, ressalta.

A técnica da Prefeitura de Ivaiporã, Maria Helena da Cruz, que é especialista em fruticultura, vê essa iniciativa como fantástica e que tem tudo para dar certo, pois o produto tem uma característica do Paraná e da região e possibilita que o cultivo de palmeira juçara tenha um segundo produto e não apenas o palmito, como se pensava anteriormente. “Eu vejo que esse produto pode ser trabalhado na forma do extrativismo, agrofloresta, recomposição de áreas degradadas ou consorciada com agricultura ou pecuária e para a nossa região isso é fantástico”, comenta.

Convidados participam de degustação do açaí cultivado em Ivaiporã

Convidados participam de degustação do açaí cultivado em Ivaiporã

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