MAPA aprova Consórcio Cid-Centro para ampliar área de comercialização

Secretário Norberto Ortigara participou de assembleia virtual que formalizou ampliação do consórcio Cid-centro

Secretário Norberto Ortigara participou de assembleia virtual que formalizou ampliação do consórcio Cid-centro

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) habilitou 12 consórcios em todo o Brasil, sendo apenas um no Paraná, para um projeto piloto que está sendo elaborado pelo Governo Federal, que vai acompanhar e treinar esses consórcios para a comercialização de seus produtos de origem animal, através do Sisbi (Sistema Brasileiro de Inspeção de Origem Animal). O único consórcio paranaense é o Cid-Centro, que atualmente conta com 30 municípios das regiões administrativas da Amuvi (Associação dos Municípios do Vale do Ivaí) e Amocentro (Associação dos Municípios do Centro do Paraná).

O secretário executivo do consórcio Cid-Centro, Nilson Padilha, diz que com a adesão ao Sisbi e com as capacitações que irão ocorrer durante o ano, será possível, já no final de 2020, que produtores da região possam comercializar seus produtos em grandes centros do Paraná e de outros estados.

O médico veterinário da Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento) do núcleo regional de Ivaiporã, Carlos Eduardo dos Santos, comenta que, após a assembleia que ratificou a entrada dos municípios da jurisdição da Seab de Ivaiporã no consórcio Cid-Centro, os municípios vão começar a trabalhar em novo estágio, para os produtores ampliarem ainda mais seu mercado consumidor. Com essa aprovação, o MAPA irá treinar e capacitar os médicos veterinários, para que eles possam atuar como inspetores e certificadores das pequenas agroindústrias que, mesmo com o Serviço de Inspeção Municipal (SIM), por meio do consórcio e do e-Sisbi, poderão comercializar seus produtos em todo o Brasil.

Carlos Eduardo explica que até então, para que um produtor rural pudesse vender um queijo ou salame fora do município, precisava ser aprovado pelo SIF (Serviço de Inspeção Federal), e uma das exigências, por exemplo, é uma construção acima dos 400m², que é praticamente inviável para um pequeno produtor ou estar atrelado ao Sisbi estadual, que também tem uma série de exigências. Já com esse projeto piloto, que vai qualificar veterinários da região, eles poderão com o SIM e com pequenas adaptações em sua estrutura física, ter a certificação de um veterinário local e, com isso, ter a autorização para vender em todo o território nacional. “O profissional vai poder avaliar a realidade de cada produtor, observando as normas de higiene e sanidade, que garantem um produto de qualidade para o consumo, mas também que possa atender às condições de produção de cada propriedade”, ressalta.

A partir de agora, a Seab de Ivaiporã vai orientar os médicos veterinários interessados para que façam o cadastramento no e-Sisbi e, com isso, possam se habilitar como inspetores e apresentar a certificação aos produtores da região.

A chefe do núcleo regional da Seab, Vitória Maria Montenegro Holzmann, ressalta que, inicialmente, foi uma surpresa, entre 38 consórcios que se inscreveram, o Cid-Centro ser selecionado, sendo o único no Paraná. Além disso, abre uma porta muito importante para os produtores da região, que poderão vislumbrar uma ampliação de seus negócios.

Já com a adesão ao Cid-Centro, que foi formalizada pelos municípios do Vale do Ivaí, na semana passada, um produtor rural de Ariranha do Ivaí, que estava limitado a uma população consumidora na ordem de 3 mil habitantes, pode pensar em comercializar para uma região de 600 mil habitantes, já que Guarapuava faz parte dos 30 municípios já habilitados no Cid-Centro. Além disso, estão bem encaminhadas conversas com municípios jurisdicionados aos núcleos regionais de Apucarana e de Campo Mourão, que pode incluir mais 300 mil habitantes a esse mercado consumidor potencial. “E são produtos que a gente sempre gostou, como queijo colonial ou o salame, e o produtor não precisa ter medo dessa adequação, pois serão necessárias estruturas simples e poucas adaptações”, frisa a chefe do núcleo da Agricultura.

Ela ressalta que, desde 1982, quando começou a trabalhar na região, sonhava com a possibilidade de ver um produto da região ser comercializado em um grande centro e que isso está muito próximo de acontecer. “O produtor vai ganhar dinheiro e teremos, certamente, jovens retornando ao campo, pois a transformação dos produtos gera valor e o produtor vai comercializar mais e gerar mão de obra”, comenta.

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