Árbitros da região falam das dificuldades do período sem futebol

Amarildo Júnior é aspirante a árbitro da Federação Paranaense. Por: Divulgação

Amarildo Júnior é aspirante a árbitro da Federação Paranaense

Fonte: Divulgação

A paralisação do futebol no Paraná e no Mundo, devido à pandemia de coronavírus, não prejudica somente clubes, jogadores e torcedores, mas também interfere diretamente na vida daqueles que precisam do futebol para sobreviver, como é o caso dos oficiais de arbitragem.

No Brasil, a profissionalização da arbitragem ainda não é regulamentada. Portanto, a categoria não tem um salário fixo e direitos trabalhistas garantidos. Todos recebem por partida apitada. Ou seja, sem jogos, sem salário.

Com o anúncio da liberação da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para volta dos treinos das equipes paranaenses, o Paraná Centro conversou com o árbitro Amarildo Aparecido dos Santos Júnior, de Godoy Moreira, e com o árbitro assistente de Jardim Alegre, Bruno Fernando Aparecido Rohling, que integram o quadro de oficiais da Federação Paranaense de Futebol (FPF), e apresentaram um panorama da realidade atual e falaram das perspectivas pós-pandemia, quando o futebol puder retornar.

Segundo os oficiais, a pandemia aconteceu em um ano em que os dois teriam uma agenda repleta de escalas para Jogos Oficiais do Estado e também na Federação Paranaense de Futebol, tendo em vista que a Escola do Esporte, associação a qual eles são vinculados, tem grande influência na Associação Paranaense de Árbitros de Futebol (Apaf). Além disso, eles relataram que o dinheiro que ganham apitando os mais diversos campeonatos fará falta para investir na profissão, valores que não se recuperam devido aos longos meses inativos.

“Vários campeonatos estão parados e muitos jogos foram cancelados. Por isso, o futuro é incerto e o ano da arbitragem está praticamente perdido, porque mesmo quando voltar o futebol, os clubes optarão por árbitros que sejam de regiões próximas para diminuir custos”, opinou Amarildo Júnior, que é funcionário concursado da Prefeitura de Godoy Moreira, e aspirante da federação, vivendo a expectativa da pré-temporada da FPF para ficar à disposição de ser escalado em partidas de divisões inferiores no Estado.

Bruno Rohling já atua como árbitro assistente na 1ª Divisão do estadual

Bruno Rohling já atua como árbitro assistente na 1ª Divisão do estadual

Trabalho com vendas fora de Jardim Alegre e tenho disponibilidade para ir a vários jogos, mas com a pandemia e a falta de jogos, a situação apertou e tive que recorrer ao Auxilio Emergencial do Governo Federal para pagar as contas”.
Bruno Rohling

Sobre a preparação neste período em que estão em casa, os oficiais ressaltaram que a Federação Paranaense envia vídeos com provas teóricas sobre regras para manter todos ativos e prontos para o retorno, assim que as autoridades sanitárias permitirem.

Eles admitiram que, assim como aconteceu na Alemanha e Coréia do Sul – países onde o futebol voltou, muita coisa vai mudar. Serão necessárias medidas preventivas como higienização da bola, estádios sem torcida, gols comemorados sem abraços. “Será um futebol muito diferente e menos alegre”, previram os oficiais de arbitragem da região.

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