Com atividades paradas, setor de eventos contabiliza prejuízos

Palazzo Ivaiporã não recebe eventos desde março

Palazzo Ivaiporã não recebe eventos desde março

O mercado de eventos foi um dos primeiros a entrar nas restrições, provocadas pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), e caminha para ser também um dos últimos a sair da crise econômica.

Com a recomendação de distanciamento social, o setor de eventos enfrenta estagnação e representantes do setor dizem que ainda não conseguem estimar o prejuízo causado pela crise, mas já consideram que, em alguns segmentos, o impacto da crise possa gerar fechamento de portas.

Entre cancelamentos, suspensões e adiamentos, o setor de eventos é um dos mais impactados na região Vale do Ivaí, e a alternativa dos profissionais é tentar minimizar os impactos causados pela pandemia, bem como projetar melhoria no segundo semestre, quando a doença pode estar mais controlada.

Festas de casamento estão suspensas

Festas de casamento estão suspensas

A proprietária do Palazzo Eventos de Ivaiporã, Normanda Hessmann Simões, disse que sem poder utilizar o salão para eventos, a situação está complicada. “Poucos dias antes de um casamento marcado para março, as autoridades pediram para fechar o local por conta da pandemia, e as coisas do casamento estavam compradas, por isso, tivemos um prejuízo enorme, até porque tivemos que alterar datas de casamentos e eventos que aconteceriam em maio. Estou contando com ajuda do meu marido para pagar contas e, se não voltar em junho, não sei como será, infelizmente não há previsão de volta e, se o governo não abrir um financiamento com uma carência maior, muita empresa vai quebrar”, disse a empresária, lembrando que tem uma despesa mensal com o Palazzo em torno de R$ 6 mil por mês.

Uma das categorias mais afetadas com a paralisação dos eventos é a de fotógrafo. Para superar as dificuldades financeiras da crise, os fotógrafos estão tendo que renegociar dívidas, utilizar reservas, e se readaptar na profissão, realizando trabalhos de books fotográficos externos, para não serem obrigados a fechar as empresas do ramo.

“Os prejuízos foram grandes, tendo em vista que diversos terceirizados acabaram perdendo o ganha pão, pois não somente o fotógrafo em si, nós contratamos por evento de 3 a 7 pessoas, alguns que somente utilizavam esta renda para se manter, funcionários que terão que ser demitidos, tendo em vista a incerteza do retorno dos eventos. A remarcação de todas as datas dos eventos anteriores, além de gerarem um prejuízo financeiro por não termos tido qualquer entrada nesta época, eles ainda ocuparão vagas de eventos que iriam nos contratar nesta data, então o prejuízo é dobrado. Normalmente, fotógrafos de eventos, em geral, são administrados pelo casal, não tendo então, uma segunda renda para conseguirmos continuar tranquilos nesta época”, detalhou o proprietário do Studio CG, Adilerson Casagrande.

Fotógrafo relata dificuldades durante pandemia

Fotógrafo relata dificuldades durante pandemia

“O impacto dessa pandemia para os fotógrafos foi muito forte, desamparou e afetou de forma geral a todos que trabalham com eventos, porque está praticamente tudo parado. Muitos contratos foram cancelados, outros adiados, não é possível estimar prejuízos, mas creio que para recuperar vai levar mais de 1 ano”, destacou João Pires, proprietário do Foto Pires.

A empresária do ramo de decorações, Lú Baggio, reforçou que os prejuízos com a paralisação de eventos como casamentos, festas de 15 anos, formaturas e eventos corporativos é incalculável, por conta da remarcação e do valor das flores que decoram os ambientes e dispararam nesse período de pandemia. Ela contou que, 15 dias antes do fechamento do comércio, fez um investimento de R$ 70 mil, que não se recupera mais. “O investimento foi grande e os prejuízos só poderão ser contabilizados quando voltarmos a trabalhar; teremos poucos fornecedores para uma demanda grande”, pontuou Lú Baggio.

O segmento de maquiagem também sofreu grandes consequências com o remanejamento de casamentos para o final deste ano e começo de 2021, como relatou a maquiadora Jéssica Cobianchi, que, no total, perdeu 10 casamentos. “Quem depende de evento está tendo que se virar para conseguir se manter, pois todos os casamentos e formaturas foram cancelados ou adiados. Tive que procurar outras formas de ganhar dinheiro, fazendo bolos, tortas e comida para vender”, lembrou a maquiadora.

Segmento de decoração também sofre perdas significativas

Segmento de decoração também sofre perdas significativas

Maquiadora comenta prejuízos

Maquiadora comenta prejuízos

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