Abuso contra crianças pode aumentar com isolamento social

Professora da Uem explica que isolamento social deixa crianças e adolescentes mais vulneráveis

Professora da Uem explica que isolamento social deixa crianças e adolescentes mais vulneráveis

A infância é violada dentro de casa. No Brasil, pelo menos 70% dos casos de violência sexual e outros tipos de violência contra crianças e adolescentes ocorrem no ambiente familiar, praticados por quem tem o dever legal de proteger a vítima, mas acaba sendo o seu algoz. Em meio à pandemia, que trouxe a necessidade de isolamento social, o risco para crianças e adolescentes torna-se ainda maior, tendo em vista que, esse público está convivendo mais diretamente com o agressor.

No dia 18 de maio, comemorou-se o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes.

A data foi criada para lembrar toda a sociedade brasileira sobre a menina que, em 1973 foi sequestrada, drogada, estuprada e morta por membros de uma tradicional família do Espírito Santo; Araceli Cabrera Sanches Crespo tinha oito anos e apesar da natureza hedionda do crime, ele ainda continua impune, e tornou-se emblemática na luta pelos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes.

A assistente social e professora do campus Regional Vale do Ivaí da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Vanessa Rombola Machado, doutora em Serviço Social pela PUC (SP) e pesquisadora na área de crianças e adolescentes, reforçou que o objetivo é alertar e mobilizar a população sobre a importância de combate ao abuso de crianças e adolescentes, pois ela acontece no espaço doméstico, muitas vezes velada e pouco denunciada, principalmente, em tempos de isolamento social, onde as crianças ficam mais suscetíveis à violência. “Existe o imaginário que a violência acontece nas camadas mais pobres, mas ela não tem cor e nem classe social, pode acontecer em todos os lares”, afirmou.

A professora comentou que é preciso deixar de aceitar a violência como algo comum e denunciar, mas que, na cultura da sociedade atual, a violência faz parte do processo educacional. “Tanto a violência doméstica quanto a sexual é praticada por alguém que deveria proteger. Muitas vezes a criança ou adolescente tem dificuldade de entender esse ato como violência e até de denunciar”, ressaltou.

Ela explicou que o isolamento social escancara problemas de vulnerabilidade social da sociedade, tendo em vista que as crianças deixam de ter a rede de proteção dos centros de convivência e ficam mais sujeitas à violência física, mas também a sexual, que não deixa marcas, bem como psicológica e negligencial.

Segundo o Mapa da violência de 2012 (do Centro Brasileiro de estudos latino-americano), a violência sexual é a segunda maior violência praticada contra crianças e adolescentes no Brasil, abaixo apenas da violência física; e o Paraná lidera (na região sul do país), com o maior número de violência contra crianças de 0 a 2 anos de idade. “Em Ivaiporã, entre os anos 2015 a 2017, tivemos 135 casos de violência física, e de 2011 a 2019, 149 casos de violência sexual, e isso é muito para uma cidade do tamanho de Ivaiporã”, registrou Vanessa Machado, lembrando que esses dados se referem em sua maioria, a famílias pobres, assim os dados da classe média e alta são subnotificados.

A Prefeitura de Ivaiporã, por meio do Departamento de Assistência Social, está atendendo situações e denúncias de violência em regime de plantão pelo telefone (43) 9-9974-5493.

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