Apesar de chuva, rios e lagos estão abaixo do nível normal

Antes da chuva, nível do lago da vila de Furnas havia baixado de forma considerável

Antes da chuva, nível do lago da vila de Furnas havia baixado de forma considerável

A chuva da sexta-feira, dia 22 de maio, trouxe alívio para os produtores rurais e estancou um longo período de estiagem, que já colocava em sério risco as lavouras de milho e sinalizava um início preocupante das lavouras de trigo. O cenário mais notório dessa falta de chuva eram os mananciais, que estavam muito abaixo do seu nível normal. Um dos locais mais afetados pela falta de chuvas é o lago da Vila Residencial de Furnas, que segundo alguns moradores, não esteve tão seco desde sua construção, no final da década de 70.

O lago chegou a ficar cerca de um metro abaixo do seu nível normal e, praticamente, todas as nascentes que o abasteciam, secaram.

A moradora Elza Machado comenta que, se a estiagem tivesse persistido, seria possível, dentro de alguns dias, atravessar o lago a pé, em função da seca intensa. “Essa chuva foi muito bem-vinda, mas ainda precisamos de outras chuvas regulares para o retorno do nível normal de água nesse lago”, frisa. Ela acredita que, desde a década de 70, o Paraná não passa por uma situação tão crítica na questão da falta de chuvas. “Estamos em uma época que a natureza está muito desgastada, as nascentes estão secando e, em vários locais, onde os rios secaram e as pessoas estão atravessando o leito a pé. Vivemos uma situação muito preocupante”, ressalta.

Valter Lindolfo, que reside na Vila Residencial de Furnas há cerca de quatro anos, também lamentou a situação em que se encontra o lago e relatou que ele é um cartão-postal de Ivaiporã, que está sofrendo com a falta de chuvas, e destacou a necessidade de cuidar das nascentes que abastecem o lago. “Sabemos que é algo da natureza, mas é uma judiação que está ocorrendo”, ressalta.

O engenheiro agrônomo Sérgio Empinotti, responsável pelo Deral (Departamento de Economia Rural) do Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) de Ivaiporã, comenta que o Paraná já teve períodos longos de falta de chuvas e alguns tão graves como esse. Ele lembrou que, na década de 60, houve um longo período sem chuvas, que causou incêndios em praticamente todo o Estado. No entanto, com uma redução tão drástica nos níveis de água de lagos e rios é a primeira vez que é registrada. Na semana passada, o nível do Rio Ivaí chegou a ficar em torno de 58 centímetros do leito, quase um metro a menos do que havia no início do ano.

Empinotti comenta que alguns fatores podem estar contribuindo para que essa seca esteja tão intensa, além da falta de chuvas regulares nos últimos meses, a quantidade de chuvas vem caindo com o passar dos anos. Ele acredita que, além disso, a falta de áreas de mata nativa também tem contribuído para essa situação. “O que percebemos é que, nos últimos anos, as frentes frias estão ficando mais fracas e estamos vendo situações como essa, do rio Ivaí praticamente seco”, frisa.

Ele acredita que a tendência para os próximos anos é que períodos sem chuvas sejam constantes e o produtor rural, ao planejar suas safras, fiquem atentos e pensem na utilização de variedades que tenham uma resistência maior a períodos maiores sem chuva.

Leito do Rio Ivaí chegou a ficar abaixo dos 60 centímetros

Leito do Rio Ivaí chegou a ficar abaixo dos 60 centímetros

Comentários