Dentista desenvolve aparelho que pode ajudar pacientes com dificuldade de respiração

José Márcio Leite mostra respirador construído com peças recicláveis

José Márcio Leite mostra respirador construído com peças recicláveis

O dentista José Márcio Perin Leite, que atua nas cidades de Boa Ventura do São Roque e Santa Maria do Oeste, desenvolveu um aparelho que serve como um acionador mecânico de ambu. Ambu é um reanimador manual, composto por uma bexiga que é acionada manualmente e utilizada na reanimação de pessoas que sofrem parada cardiorrespiratória. Para desenvolver o projeto, o idealizador usou peças de sucata, que proporcionaram um custo muito baixo para o projeto, algo em torno de R$ 30.

Márcio Leite explica que esse aparelho não é um respirador e não tem a homologação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e nem os demais instrumentos que têm um aparelho que equipa UTI, mas que pode ser usado em uma situação crítica. A ideia de montar o equipamento surgiu após uma conversa com o secretário de Saúde de Boa Ventura do São Roque, sobre a dificuldade de leitos de UTI na região central e, principalmente, pelo risco de ocorrer um número descontrolado de casos em que não haveria leitos suficientes para atender as pessoas.

“Somente nesse caso, se tivermos paciente em estado grave, com Covid-19, na unidade de Saúde e não conseguimos leitos para atendê-lo, que esteja com dificuldades de respirar, poderíamos, numa tentativa desesperada de salvar uma vida, usar esse equipamento”, comenta.

O dentista ressalta que o aparelho tem controle de velocidade e intensidade e consegue monitorar a quantidade de vezes que o ambu é acionado por minuto e pode ajudar em uma situação extrema. Podem ser montados até dois aparelhos por dia e instalados em qualquer lugar. O aparelho é ligado à energia elétrica e utiliza um motor de limpador de para-brisa, que possibilita, inclusive, que seja ligado à bateria de carro. “Isso evita que a pessoa fique acionando-o de forma manual, já que o paciente, nessa situação, pode ficar mais de uma semana necessitando da respiração mecânica”, frisa.

Ele agradeceu o apoio da Prefeitura de Boa Ventura do São Roque e da Prefeitura de Santa Maria do Oeste para desenvolver o projeto, sendo que cada município já recebeu um protótipo.

Márcio ressalta que, após a divulgação em algumas redes sociais, pesquisadores da Unicentro já entraram em contato com ele, para ter acesso ao projeto e, talvez, desenvolver algo mais elaborado. “Espero que de alguma forma ele possa ser útil e ajude em caso de emergência”, ressalta.

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