Coronavírus é Covid-19

Nesta semana, a coluna vai se ater a explicar o nome dessa doença que está se tornando o maior problema já atravessado pela geração atual, haja vista que estamos vivendo momentos de grande incerteza e angústia diante de uma crise de saúde e econômica mundial sem precedentes. Essa crise testa a capacidade de adaptação e, consequentemente, nossa resiliência.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que o nome oficial da doença causada pelo novo coronavírus é Covid-19, pois a palavra coronavírus refere-se ao grupo de vírus ao qual pertence, e não à última cepa.

O vírus em si foi designado como SARS-CoV-2 pelo Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus. Os pesquisadores vinham clamando por um nome oficial para evitar confusão e estigmatização de qualquer grupo ou país.

“Tivemos que encontrar um nome que não se referisse a uma localização geográfica, um animal, um indivíduo ou grupo de pessoas, e que também seja pronunciável e relacionado à doença”, disse o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS). E prossegue explicando: “Ter um nome é importante para impedir o uso de outros nomes que podem ser imprecisos ou estigmatizantes. Também nos fornece um padrão a ser usado em futuros surtos de coronavírus.”

O novo nome é retirado das palavras “corona”, “vírus” e “doença”, com 2019 representando o ano em que surgiu (o surto foi relatado à OMS em 31 de dezembro de 2019).

Por que a demora em nomear o novo vírus?”A nomeação de um novo vírus costuma demorar bastante e o foco até agora tem sido a resposta de saúde pública, o que é compreensível”, diz Crystal Watson, professora-assistente do Centro para Segurança da Saúde de Johns Hopkins, nos Estados Unidos. “Mas há razões pelas quais o nome deve ser uma prioridade”, acrescenta.

Para tentar diferenciar esse vírus em particular, os cientistas o chamaram de “novo coronavírus”. Os coronavírus recebem esse nome por seus espinhos em forma de coroa quando vistos em um microscópio.

A OMS recomendou o nome temporário 2019-nCoV, que inclui o ano em que foi descoberto, “n” para novo e “CoV” para coronavírus. Mas esse nome não “pegou”.

“O perigo quando você não tem um nome oficial é que as pessoas comecem a usar termos como ‘vírus da China’, e isso pode criar uma discriminação contra certas populações.” Corrobora Crystal Watson.

Uma reportagem recente da BBC News Brasil mostrou como o novo coronavírus está espalhando antigos preconceitos sobre a China e seus hábitos culturais. Com as redes sociais, nomes não oficiais se firmam rapidamente e são difíceis de ser mudados, diz a pesquisadora.

Quem ‘batiza’ o vírus?A tarefa urgente de nomear formalmente o vírus é de responsabilidade do Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV, na sigla em inglês).

Surtos anteriores dão sinais de alerta. O vírus H1N1 em 2009 foi apelidado de “gripe suína”. Isso levou o Egito, por exemplo, a abater todos os porcos, apesar de a doença ser espalhada por pessoas.

Nomes oficiais também podem ser problemáticos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) criticou o nome Mers (Síndrome Respiratória no Oriente Médio) em 2015.

“Vimos que certos nomes de doenças provocam uma reação contra membros de comunidades religiosas ou étnicas específicas, criam barreiras injustificadas para viagens, comércio e comércio e provocam o abate desnecessário de animais para alimentação”, afirmou Watson em comunicado.

Como resultado, emitiu diretrizes. De acordo com elas, o nome do novo coronavírus não deve incluir localizações geográficas, nomes de pessoas, animais ou tipos de alimento, e referências a uma cultura ou setor específico.

A OMS diz que o nome deve ser curto e descritivo — como o da Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave, na sigla em inglês).

Mas, para que ele se firme, também precisa ter apelo, diz Benjamin Neuman, professor de virologia, que, junto com outras 10 pessoas, fez parte do grupo de estudo da ICTV que escolheu o novo nome. “Tem de ser mais facilmente pronunciado que os outros”, afirma o professor.

A equipe demorou cerca de duas semanas discutindo acerca do nome e demorou dois dias para escolher um, segundo Neuman, que desempenha a função de professor, e é presidente de Ciências Biológicas da Texas A&M University-Texarkana nos EUA. Além de ajudar o público a entender o vírus, a ICTV espera permitir que os pesquisadores se concentrem em combatê-lo, economizando tempo e evitando confusão. “Descobriremos no futuro se acertamos”, advogaNeuman. “Para alguém como eu, ajudar a nomear um vírus importante pode acabar sendo mais duradouro e mais útil do que o valor de uma carreira profissional. É uma grande responsabilidade”, completa.

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