Isolamento social muda rotina de pais e filhos

Fernanda Reis com a filha Marina, de 4 anos. Por: Antonello Nadal

Fernanda Reis com a filha Marina, de 4 anos

Fonte: Antonello Nadal

O isolamento social provocado pelo novo coronavírus (Covid-19) tem provocado inúmeras mudanças na rotina das crianças que estão sem ir à escola e confinadas em casa, desde meados de março. Tudo isso pode parecer muito confuso para os pequenos, e cabe aos pais a tarefa de explicar o que está acontecendo no mundo e o porquê da privação de ir à escola, brincar com os amigos e até mesmo ver os avós, que estão no principal grupo de risco da doença.

É a situação enfrentada pela microempresária Fernanda Cois dos Reis, com a pequena Marina, de 4 anos. Segundo a mãe, a menina comenta que está entediada e com saudades de ir ao parque, dos primos, dos avós, que, nos primeiros 15 dias pôde ver uma vez, mas sem abraçar e beijar, e dos coleguinhas do Colégio Objetivo, onde está no Infantil II. “A primeira semana foi mais fácil, ela pedia para pegarmos o caderno dela e fazermos atividades. Eu comecei a explorar coisas que não estavam sendo exploradas na escola para estimular o raciocínio dela e, dessa forma, conseguimos manter uma rotina de atividades escolares e brincadeiras”, relatou Fernanda Reis.

Para a microempresária que trabalha com comidas e lanches saudáveis preparados em casa, a missão tem sido inserir a filha na rotina de atividades para que ela não passe o tempo sem fazer nada.

Ela destacou que um dos desafios é não deixar que a filha passe um longo período mexendo no celular, mas confessou que está sendo difícil manter a disciplina. “Tento conciliar meu trabalho e o tempo para me dedicar a ela”, contou Fernanda, que grava vídeos nas redes sociais mostrando a rotina atual e o companheirismo entre ela e a filha.

Fernanda Cois comentou que, para aliviar a saudade dos avós, Marina tem se comunicado com eles por mensagem e chamadas de vídeo no whatsapp. “Apesar do distanciamento social, é uma forma que encontramos para conversar com os familiares até com mais frequência, pois na rotina corrida do dia a dia sobra pouco tempo”, ressaltou.

Larissa Moraes e as filhas Pietra e Antonella

Larissa Moraes e as filhas Pietra e Antonella

O dilema de manter uma rotina saudável para as crianças nesse período de pandemia é compartilhado pela amiga de Fernanda, a cirurgiã dentista Larissa Rocha Moraes, que é mãe de Antonella, 8 anos, e Pietra, 9 anos.

Ela relatou que, nos primeiros dias de distanciamento social, as meninas, que também são alunas do Colégio Objetivo, ocupavam o tempo livre estudando, lendo e fazendo trabalhos escolares que ainda estavam pendentes. Larissa Moraes contou que, duas vezes por semana, as filhas, por meio de um aplicativo, assistem a vídeo aulas do curso de inglês em que estão matriculadas.

No entanto, essa é uma rara atividade que mantém a disciplina das meninas e, com o passar das semanas, a rotina das irmãs mudou e elas costumam passar mais tempo participando de jogos online com as amigas pelo celular. “Com isso, elas deram uma amenizada no tédio e na impossibilidade de ver as amigas”, descreveu a dentista.

As irmãs que são bastante ativas na rotina normal, onde praticam esportes, disseram que estão sentido falta, principalmente, da escola, de encontrar os amigos, das brincadeiras ao ar livre e dos avós. “Elas jogam futebol e fazem aulas de tênis, atividades onde gastam bastante energia e, agora, eu e meu marido temos que jogar futebol com elas em casa”, comentou Larissa Moraes, lembrando que a rotina de sono também foi prejudicada pelo isolamento.

A cirurgiã dentista também exaltou os pontos positivos da situação. Segundo ela, ficar em casa tem proporcionado aproveitar mais momentos em família, com tempo para atividades recreativas, assistir filmes e séries. “Não temos tido contato com os meus pais e nem com os pais do meu marido, porque acreditamos que é uma medida de precaução segura, mas as meninas estão conversando diariamente com eles por vídeo, diminuindo assim a saudade, porque elas viam os avós com muita frequência”, assinalou.

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