Filha do subtenente Luiz Abbá é aprovada em concurso para escola de oficiais da PM

A irmã Elizabeth Abbá, Priscila e a mãe Marlene Abbá

A irmã Elizabeth Abbá, Priscila e a mãe Marlene Abbá

Priscila Abbá, filha do subtenente Luiz Antonio Abbá, morto em setembro de 2018, atacado por outro policial dentro da 6ª Companhia Independente da Polícia Militar, foi aprovada no concurso para o Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar em Curitiba. O concurso é um dos mais concorridos do Estado do Paraná, comparado em concorrência ao vestibular de medicina da UFPR (Universidade Federal do Paraná). As duas primeiras fases do concurso, inclusive, são aplicadas pela instituição de ensino e, na primeira fase, eram 15 mil candidatos para apenas 90 vagas.

A mãe da aprovada, Marlene Abbá, comenta que as dificuldades foram grandes. Na prova da primeira fase, que foi realizada em Apucarana, Priscila passou mal, em função do calor que estava no local e teve que ser amparada pela equipe de enfermagem no local. “Eu consegui fazer 65 pontos e, no ano anterior, a nota de corte havia sido 62, ou seja, estava no limite para passar; mas a prova desse ano foi tão difícil que a nota de corte foi 52”, ressalta.

A segunda etapa foi a prova de redação e, a partir disso, as outras etapas ficaram sob a responsabilidade da Polícia Militar; sendo pelo menos seis etapas, como teste psicológico, entrega de documentos, exames e antecedentes criminais e teste físico. Priscila tem 1,56 cm e treinou apenas um mês, com o apoio da policial militar Luciana, da 6ª Companhia Independente da Polícia Militar de Ivaiporã. “O teste físico foi difícil, mas se preparar não é difícil”, ressalta.

Priscila Abbá deve fazer o curso por três anos e uma de suas expectativas é conseguir iniciar a carreira como oficial em Ivaiporã. Ela ficou em 43º na classificação geral e foi a 7ª entre as mulheres aprovadas para a turma desse ano.

Priscila Abbá conta que fazer o curso de formação de oficiais não estava em seus planos iniciais, e que ela se preparava para fazer o vestibular de medicina. O último ano do Ensino Médio, ela cursou em Londrina, no Colégio Maxxi, e se preparou para o vestibular fazendo cursinho. No entanto, a morte do pai fez com que ela perdesse seu segundo ano de preparação. “Depois que meu pai faleceu, surgiu um desejo no meu coração, e senti que foi um chamado da parte de Deus e comecei a me preparar para o concurso do curso de oficiais”, ressalta. Ela voltou a morar sozinha, começou a estudar como se fosse do zero. “Com a graça de Deus consegui passar”, comenta.

Priscila ainda criança com o pai Luiz Antonio Abbá

Priscila ainda criança com o pai Luiz Antonio Abbá

A mãe ressalta que para ela foi uma surpresa a mudança de carreira, mas desde o início ela apoiou a decisão de Priscila. “Ela me ligou e disse que Deus havia tocado o coração dela para que fizesse o curso de formação de oficiais, sempre quis que ela estivesse feliz e não fosse frustrada na carreira”, frisa.

Marlene Abbá comenta que seu esposo sempre ensinou a confiar no trabalho da Polícia Militar e que, apesar de uma profissão muito perigosa, ela é maravilhosa e gloriosa, que é prestar serviços à sociedade, nem que seja com a própria vida. “Tenho certeza que ela será uma excelente profissional, é humana como foi o pai, que tratava a todas as pessoas de forma igual e acredito que ela vai dar continuidade ao legado dele”, ressalta.

Marlene Abbá ressalta que, para ela, a aprovação da filha foi um milagre de Deus, e que ela se esforçou para essa conquista. “Ela e a irmã eram muito apegadas ao pai. E para conseguir esta aprovação, ela foi morar sozinha em uma quitinete em Londrina, e ia da escola para a casa e de casa para a escola. Foi daí que ela tirou essa força”, ressalta a mãe.

Segredo

Para Priscila, o segredo para conseguir sucesso no concurso foi não desistir e não se comparar com os outros. “Cada um tem sua história, não se apegar apenas em nossa inteligência, mas conhecer as nossas limitações, preencher as lacunas que você tem, procurar cada vez mais e nunca desistir”, frisa. Ela lembra a trajetória do pai, que entrou como soldado e chegou a subtenente, a maior patente possível para a carreira dele. “Para conseguir isso, ele participou de uma série de cursos e estudou muito e nunca se acomodou, sempre quis fazer isto, tanto que chegou à última patente como praça e, certamente, é um espelho que sempre me incentivou nos meus estudos e acredito que vou dar continuidade ao legado dele”, comenta a futura oficial da Polícia Militar.

No entanto, com a epidemia do Covid-19, o início do curso deve ser adiado, apesar da Polícia Militar já ter solicitado toda a documentação necessária para o ingresso na academia da PM. “Agora, temos que esperar a assinatura do governador e a nomeação, que deve ocorrer nos próximos dias”, ressalta.

Comentários