Após o coronavírus será necessário um novo plano Marshall para recuperar a economia mundial

Primeiramente, antes de se preocupar com a economia, o governo deve priorizar a vida e a saúde da população brasileira. O país deve focar todos os esforços para conter a pandemia. No entanto, não podemos deixar de pensar nas consequências econômicas de médio e longo prazo causadas pelo vírus COVID-19. A pandemia que está assolando o mundo exige uma resposta econômica rápida dos governos. As consequências causadas pelo vírus serão sentidas por vários anos, em diversos setores da sociedade. Possivelmente, milhões de empregos serão perdidos em todas as partes do mundo e poderá haver uma mudança geopolítica importante.

Após o fim da II Guerra Mundial, os EUA lançaram o Plano Marshall. O objetivo do plano era financiar a reconstrução da Europa ocidental, que estava destruída pela guerra. Este plano vigorou entre os anos 1947 e 1951, sendo responsável pelo rápido crescimento econômico dos países que ficaram sob a tutela americana. Foram investidos bilhões de dólares em países como: Alemanha, Inglaterra e França. O Japão também entrou no pacote de incentivo americano. É importante destacar que o plano trazia, implicitamente, várias questões estratégicas e geopolíticas para a implementação da nova ordem mundial.

Neste contexto, o mundo ficou dividido entre comunismo, representado pela URSS, e o capitalismo liberal, representado pelos EUA. O plano americano também realizava uma propaganda maciça contra a URSS. Ao mesmo tempo, visava estabilizar a situação política e social na Alemanha e conter o avanço do poder de partidos comunistas na França e na Itália. Este cenário permitiu que os EUA se tornassem a maior potência econômica e militar do mundo, influenciando a cultura e o modo de vida da sociedade. Os EUA saíram vencedores da guerra fria.

No entanto, o cenário vem mudando rapidamente, principalmente, na última década. Uma nova “guerra fria” está em curso. Neste momento, temos uma disputa intensa entre os EUA E a China pela liderança mundial. A China, que já é uma potência econômica, terá uma ótima chance de colocar em prática seu plano hegemônico. Sem discutir questões ideológicas entre os dois países, não é este o objetivo deste artigo, é notório que os chineses são organizados, disciplinados, estratégicos e resilientes, a história demonstra isso.

A China é um país comunista, que utiliza o capitalismo selvagem para colocar em prática seus planos estratégicos. O governo controla quase tudo que a sua sociedade faz. Teremos que nos adaptar ao contraponto do que conhecemos como modelo social. O poder de influenciar a geopolítica mundial está deixando de ser do Ocidente e passando a ser do Oriente. Os chineses perceberam que o capitalismo é uma forma eficiente de controlar a sociedade e fazem isso como ninguém. Do lado americano, vemos um governo preocupado com o protecionismo, deixando a América cada vez mais isolada. Os EUA estão perdendo a capacidade de influenciar o mundo.

O modelo neoliberal está em xeque. A desigualdade social cresce no mundo todo. A tragédia humana potencializada pela pandemia exige que novos modelos econômicos sejam colocados em prática. Se nada for feito, mais uma vez os mais pobres pagarão a conta. É necessário um plano que realmente construa o bem-estar social, que seja inclusivo e menos perverso. O Estado deve ser o agente da promoção social e organizador da economia. Não pode se omitir de suas responsabilidades. Não há como saber com precisão quais serão os novos rumos econômicos e sociais pelos quais vamos passar. Mas, é certo que o modelo que conhecemos precisa ser repensado.

Após o caos gerado pelo vírus, veremos o governo chinês ofertar ao mundo um “Novo Plano Marshall”, o que colocará a China como a grande potencia do século XXI. O governo chinês já está demonstrando a sua influência, enviando ajuda humanitária, equipamentos e recursos diversos para enfrentamento da doença. Estamos passando por uma quebra de paradigma geopolítico, econômico e ideológico. Com certeza, após esta pandemia, teremos um “novo mundo”, em que as regras serão influenciadas com mais intensidade pelos chineses. Não há como avaliar se este mundo será melhor ou pior, mas já sabemos que será muito diferente.

Clayton Pereira de Sá

Graduado em Administração, pós-graduado em Gestão de Pessoas, mestre em Propriedade intelectual. Atualmente, é professor do Instituto Federal do Paraná - Campus Pitanga

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