Regência Verbal

Aprender os conceitos gramaticais é essencial para se expressar na fala e, sobretudo, na escrita da variedade padrão da língua. As regras gramaticais garantem que uma mensagem seja devidamente compreendida, evitando problemas como ambiguidade. Um dos conceitos gramaticais que mais causa dúvidas nos estudantes é a regência. Esse ponto trata da relação de interdependência e complementação que se estabelece entre um termo principal (termo regente) e um termo que lhe serve de complemento (termo regido). É conhecido na gramática como Regência Verbal e Regência Nominal.

Exemplo: Andreia cancelou a assinatura de telefone.

Termo regente: cancelou

Termo regido: a assinatura de telefone.

O conceito pode parecer complicado, mas quando se compreende a forma como ele se estrutura, não será muito difícil aprender e usá-lo na escrita dos seus textos. Vamos nos aprofundar no princípio da Regência Verbal, explicando o uso dos verbos que podem causar confusão e levar ao erro na hora de escrever textos ou prestar provas e/ou concursos.

A língua portuguesa conta com mais de 10 mil verbos, mas apenas um pequeno grupo pode confundir os estudantes e geralmente são os mais cobrados em provas por causa das diferenças que eles apresentam entre a linguagem padrão e a variedade coloquial da língua (ou informal). A exigência é sempre para o uso padrão:

Visar: trata-se de um verbo que possui diferentes sentidos e por isso tem sua regência alterada de acordo com cada uma delas. Veja:

Visar – pretender, ter como meta, objetivar – É usado com um objeto indireto e portanto precisa de preposição.

Exemplo: Os empresários visaram ao sucesso financeiro do empreendimento.

Visar – mirar, dirigir – Nesse caso o verbo pede apenas objeto direto e não é usado com preposição.

Exemplo: O atirador de flechas visou o centro do alvo.

Preferir: Esse é um dos verbos que apresenta maior diferença entre a variedade padrão e a variedade coloquial, por isso é importante estar atento. Sua regência é acompanhada da preposição “a”.

Exemplos: Preferimos cinema ao teatro.

Antônio prefere os estudos à ignorância.

Obedecer: Na linguagem coloquial são usados geralmente sem preposição, porém a norma padrão exige que esse verbo seja acompanhado por um objeto indireto (com preposição).

Exemplo: Os participantes devem obedecer ao regulamento estabelecido.

Agradar/Desagradar: No sentido de “satisfazer” e desagradar significando “descontentar”, precisa de um objeto indireto (aquele que necessita de uma preposição).

Exemplos: A apresentação agradou ao público consumidor.

A reunião dessa tarde desagradará aos principais participantes.

Assistir: Possui dois significados e a depender de cada um deles terá sua regência alterada.

Assistir – no sentido de ajudar, auxiliar ou dar assistência, necessita de um objeto direto e por isso não é usado com preposição.

Exemplo: A escola assistiu os alunos que estavam com dúvidas.

Assistir – no sentido de ver, atuar como expectador ou presenciar, necessita de preposição.

Exemplo: A turma toda foi assistir ao filme do Pelé.

Ir/Chegar: São verbos intransitivos (que não precisam de complemento, pois seu significado é suficiente para compreendê-los), no entanto são acompanhados por um adjunto adverbial de lugar.

Exemplos: Vamos ao show no final do ano.

Quando chegaremos a uma cidade tranquila?

Pagar/perdoar: São dois verbos que compartilham da mesma regência, deste modo, a partir de um objeto indireto têm seus sentidos complementados.

Exemplos: É preciso pagar aos trabalhadores.

Embora magoado, ele decidiu perdoar ao pai.

Resumo: A variedade padrão da Língua Portuguesa é composta por algumas regras gramaticais que podem causar dúvidas, como é o caso da Regência Verbal de alguns verbos do nosso idioma. Dominar a regência desse grupo de verbos, entendendo a diferença entre seu uso formal e coloquial é imprescindível para um bom desempenho na escrita de textos, assim como em provas e/ou concursos.

Até a próxima semana!

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