Especialistas falam sobre cuidados da gravidez na adolescência

Cássia Lima Marques, enfermeira do Departamento de Saúde de Ivaiporã. Por: Antonello Nadal

Cássia Lima Marques, enfermeira do Departamento de Saúde de Ivaiporã

Fonte: Antonello Nadal

Jéssica Silva, assistente social do Cras

Jéssica Silva, assistente social do Cras

A adolescência, período compreendido dos 10 a 19 anos, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), é um estágio da vida em que o corpo passa por inúmeras transições, sejam elas hormonais, psicológicas e anatômicas. Por isso, especialistas ouvidas pelo Paraná Centro alertaram sobre o impacto da gravidez precoce em um corpo e mente em formação.

De acordo com a enfermeira do Departamento Municipal de Saúde de Ivaiporã, Cássia Cristina de Lima Marques, socialmente, a gravidez nessa fase da vida é vista como prejudicial para as jovens, por conta de várias consequências, além de ser uma gravidez de risco. Segundo a enfermeira, ser grávida adolescente é assumir responsabilidades normalmente atribuídas ao adulto, além da alteração da imagem corporal, revelação da sexualidade, conflitos familiares e interferência ou interrupção da escolaridade.

A situação fica ainda mais complicada, pois, além dos riscos e da repercussão psicológica, sociocultural e econômica, a gestante pode sofrer risco de aborto, ter doença hipertensiva (pressão alta), má formação fetal, anemia, atraso no desenvolvimento intrauterino, parto prematuro, desnutrição da mãe e do bebê, recém-nascido baixo peso, atraso no desenvolvimento neuromotor, parto traumático e mortalidade materna em decorrência dessas alterações.

A profissional informou que um levantamento do Departamento Municipal de Saúde apontou que, em 2019, foram registradas 42 gestantes adolescentes no município, sendo que a maior parte em vulnerabilidade social.

Uma das causas mais comuns para a gravidez na adolescência é a falta de informação sobre o uso adequado de métodos contraceptivos. Por isso, a estratégia para prevenção está baseada no vínculo da atenção primária à saúde com a família e a adolescente, contribuindo com o planejamento familiar, a saúde familiar, sexual e reprodutiva, bem como a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.

Conforme a assistente social do Centro de Referência de Assistente Social (CRAS), Jéssica Anali Silva, a adolescência é um período peculiar de desenvolvimento no qual a adolescente precisa de todos os cuidados, além de ser uma fase de descobertas e aprimorar os conhecimentos do corpo. “Fisicamente, a adolescente não está preparada para ser mãe e traz consequências como abandono escolar e doenças sexualmente transmissíveis”, justificou Jéssica.

A assistente social ressaltou que a gravidez na adolescência nem sempre está atrelada a situações problemáticas ou de vulnerabilidade social das jovens. “Existe um risco maior para as que estão mais vulneráveis, mas isso pode acontecer em qualquer família”, pontuou.

Jéssica Silva falou ainda que a Casa de Vivência realiza, em conjunto com o CRAS, um trabalho de prevenção de gravidez precoce. “Existe também um grupo para gestantes no qual é feito um trabalho sobre cuidados com o bebê e, no CRAS, fazemos o acompanhamento das famílias, inserindo no Cadastro Único para que elas sejam contempladas com os auxílios do governo”, finalizou a assistente social.

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