Feijão perde espaço na região, mas lavoura de inverno deve surgir como alternativa

Anderson Majewski acredita que lavoura de inverno pode ser alternativa para manter o cultivo de feijão

Anderson Majewski acredita que lavoura de inverno pode ser alternativa para manter o cultivo de feijão

Lucas Lawryniuk gostaria de ter mais incentivo para voltar a plantar feijão

Lucas Lawryniuk gostaria de ter mais incentivo para voltar a plantar feijão

Uma das principais culturas agrícolas do centro do Paraná e que já foi muito importante para o desenvolvimento regional, o feijão, vem perdendo espaço ao longo dos anos para outras culturas, como a soja, por exemplo. Segundo dados do VBP (Valor Bruto de Produção), que apontam a remuneração ao produtor de cada produto da agropecuária, entre 2015 e 2018, o valor gerado pelo feijão caiu 40,6%. Enquanto em 2015, o cereal rendeu aos produtores, em todos os 31 municípios do centro do Paraná, cerca de 103,1 milhões, no ano de 2018, o valor caiu para 61,1 milhões.

Vários fatores explicam essa queda na área plantada do grão, mas a principal delas talvez seja a falta de garantia de comercialização. O agricultor Lucas Lawryniuk, de Pitanga, não planta feijão há 8 anos. Ele conta que, até então, sempre cultivava entre 15 e 20 alqueires por ano, mas que a falta de incentivo e, principalmente, a dificuldade de comercialização fez com que ele desistisse do plantio. “O mercado varia muito, às vezes, o preço está lá em cima, outras está embaixo; e não temos garantia de venda e, com isso, fomos desanimando e paramos com o plantio”, ressalta.

Ele salienta que o feijão sempre foi uma boa alternativa, principalmente, após a colheita do trigo, já que é uma cultura rápida e, em 90 dias, está sendo realizada a colheita. “Com o feijão, a gente consegue fazer até três lavouras no ano, na mesma propriedade”, ressalta.

O cerealista Anderson Majewski, de Manoel Ribas, comenta que uma série de fatores tem influenciado o produtor a desistir da lavoura, principalmente, do cultivo da primeira safra, que vai de setembro até início de janeiro. Uma das dificuldades é a comercialização, especialmente no final do ano, quando o consumo de feijão cai em função das festas e das famílias que viajam em férias e preferem outro tipo de alimento. O consumo de feijão volta a se equilibrar com o início das aulas. No entanto, nos últimos anos, especialmente nas grandes cidades, o feijão tem sumido do prato dos brasileiros, especialmente pela opção por comidas rápidas. Além disso, o produtor tem preferido apostar na soja, que tem um mercado mais estável e, nas últimas duas décadas, tem proporcionado um rendimento melhor ao agricultor. “O feijão também é muito sensível às mudanças climáticas e o consumidor sempre prefere o feijão mais novo na prateleira”, avalia Majewski.

Alternativa

No entanto, nos últimos anos, os agricultores têm observando como alternativa para o plantio do feijão, a safra de inverno, que iria de fevereiro até junho. Apesar dos riscos de geada na colheita e também de dias mais curtos, que prolongaria o ciclo vegetativo da cultura, o plantio do feijão após a colheita da soja parece ser bem interessante para os produtores. A cada ano, as variedades de soja estão mais precoces e é possível com o feijão, ao invés do milho safrinha, o produtor conseguir ainda plantar o trigo um pouco mais tardio. “Temos, hoje, variedades que são colhidas a partir de 80 dias e, por ser mais rápida, reduz o risco de perdas com a chegada do inverno”, frisa o cerealista.

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