Uma vida dedicada à família

A pioneira Adília Michalak Manchur é nascida no dia 17 de junho de 1933, na comunidade de Barra Grande, município de Pitanga. Filha de Adão Michalak e Maria Blaka Michalak, seus avós vieram da Europa. Ela foi casada com Salvador Manchur, com que teve seis filhos: Lúcia, Lurdes, Maria, Antônio, João e Izabel.

Em entrevista ao jornal Paraná Centro, ela conta detalhes de sua vida em Pitanga e da família, que é uma das mais tradicionais do município.

Pioneira completa 87 anos em 2020

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Paraná Centro - Como seus pais vieram para Pitanga?

Adília Manchur – Acho que eles moravam em Irati, mas não tenho certeza. Desde que me conheço por gente, eles já moravam em Barra Grande (Linha Cantú), onde tinha a casa dos meus avós e crescemos por lá. No sítio que havia no local, eles faziam plantação de lavoura e criação de gado. A propriedade, na época, era dos meus avós, mas não era muito grande.

Paraná Centro - E como era esse sítio onde a senhora nasceu?

Adília Manchur - Meus pais moravam junto com meus avós nesse sítio, não era grande; ficamos lá por até eu completar 4 anos, quando voltamos para Irati. Meu pai começou a trabalhar no cultivo de batata. Ficamos pouco tempo lá, cerca de 1 ano, quando voltamos para Pitanga. Eu era de uma família de 11 irmãos e, nessa época, minha mãe já tinha mais dois filhos. Minha mãe tinha uma barraquinha de frutas por lá, mas tivemos que voltar.

Paraná Centro - Como foi essa viagem de volta de Irati para Pitanga?

Adília Manchur - Viemos de Irati até Pitanga de carroça, acho que levou uns 3 dias para chegar em Barra Grande, na casa do meu avô Michalak, que ainda morava aqui. Depois de um tempo, ele mudou para cidade e morava onde hoje fica o Posto Heira Boi; meu pai veio depois e conseguiu montar um mercadinho. O comércio era um armazém que vendia de tudo. Depois de um tempo, meu avô montou uma serraria, que ficava perto de onde hoje é a rodoviária, e funcionou por muitos anos. Um tempo depois, meus avós faleceram. Mas antes, meu pai teve uma casa de comércio na Linha Cantú, onde ficamos até nos criarmos e me casei, quando tinha 19 anos.

Imagem retrata início da construção da casa em Pitanga

Imagem retrata início da construção da casa em Pitanga

Paraná Centro - Nessa época, a senhora conseguiu ir para a escola?

Adília Manchur - Tinha uma escola. Na época, todos os homens da comunidade ajudaram na construção. Cada um pegava uma carroça e ia até a serraria, enchia de madeira e levava até a obra. Na época, eu tinha 9 anos e era a mais velha de 11 irmãos, mas como tinha que ajudar o papai no comércio e cuidar das outras crianças para a minha mãe, acabei saindo cedo da escola, estudei apenas até o 4º ano. Eu queria muito ser professora, mas como tive que sair cedo, não consegui.

Paraná Centro - Como a senhora conheceu seu esposo?

Adília Manchur - A família dele morava bem pertinho da escola e ele já era rapaz de mais idade e eu tinha apenas 10 anos e nem pensava em namorar; ele namorava outras moças, mas o tempo foi passando e eu ficando mais mocinha; quando ajudava meu pai no comércio, ele sempre falava que aquela “polaquinha” não seria de outro e sim dele.

Paraná Centro - A senhora ajudava seu pai em tudo no comércio?

Adília Manchur – Sim, sempre ajudei meu pai; ia até a prefeitura, recolhia os impostos, pagava as contas, enfim tudo era eu que fazia e como não tinha nenhum meio de transporte, eu vinha a pé, desde a Linha Cantu, até a sede do município. Ainda, naquela época, a estrada era de chão, não tinha asfalto nem na cidade. Eu ajudava bastante meu pai, até que me casei, quando tinha 19 anos.

Fábrica de farinha teve início na década de 70

Fábrica de farinha teve início na década de 70

Paraná Centro - A senhora namorou muito tempo antes de se casar?

Adília Manchur – Não, nós começamos namorar em fevereiro e em maio já casamos. Meu esposo tinha várias pretendentes, mas eu era nova e ele mais velho, foi um namoro rápido, pois meu pai era bravo e, naquele tempo, tudo era mais rigoroso. Ele trabalhava com safra de porco, levava nas roças, tocando, caminhando. Comprava de outros produtores, colocava no mangueirão e, no outro dia cedo, tratava e soltava na roça, desta forma ele engordava os porcos. Ele também fazia a venda para pessoas aqui em Pitanga, que levavam esses animais para serem vendidos em Ponta Grossa; e fazia esse trabalho de compra e venda. Depois de um tempo, ele começou a comprar porco magro para engordar.

Paraná Centro - Depois que se casou, continuou cuidando da casa ou ajudando o esposo nos negócios?

Adília Manchur - Depois que me casei fiquei só no trabalho de casa, eu ainda era criança de tudo. Naquele tempo, meu esposo tinha muitas pessoas que trabalhavam para ele, cerca de 8 a 10 pessoas, e eu ficava encarregada de fazer comida para eles, tipo um restaurante, fazia o almoço e, às vezes, até o mesmo o jantar. Mas ele não queria sair de lá e eu comecei a ter preocupação com o estudo para as crianças; aqui tinha o colégio ucraniano, mas eles eram pequenos e eu tinha dó de colocar. Quando tive o terceiro filho, ainda morava em Barra Grande, resolvi que queria morar mais perto da cidade, para que as crianças pudessem estudar. Mas meu marido não tinha a intenção de morar em outro lugar, dizia que queria morar em Barra Grande até o fim da vida. Mas apareceu a possibilidade de troca de uma casa perto da cidade pelo sítio que tínhamos no interior e, em 1959, mudamos para cidade de Pitanga.

Filhos do casal

Filhos do casal

Paraná Centro - Como era a cidade nessa época?

Adília Manchur - As casas eram de madeira, não havia construção em alvenaria como hoje, nem asfalto, era tudo barro. Mas meu esposo continuou trabalhando com safra de porco, até os meninos que nasceram aqui em Pitanga ficarem adultos; a nossa vinda para a cidade possibilitou que os meninos pudessem estudar. Depois disso, compramos uma casa perto de onde morava a família Petrechen. O local era grande e dava para a construção da casa e até criação de gado, mas o local ainda era pouco habitado, mas logo nos acostumamos.

Paraná Centro - Como surgiu o negócio da cerealista?

Adília Manchur - Antes da cerealista, a família teve outros negócios. Eu insisti muito para que eles estudassem. Primeiro a minha filha Maria, que estudou muito e, com 16 anos, começou a dar aula e se aposentou há poucos meses, após mais de 40 anos de magistério. O meu sonho era ter sido professora, mas não deu certo, mas ela realizou no meu lugar. O Antônio não quis mais estudar e pediu para ir até a Barra Grande ajudar o pai na lida do campo, na época ele tinha 19 anos. O proprietário de uma fábrica de farinha ofereceu emprego para o Antônio e para o João, que estava com 17 anos. Pouco tempo depois, houve a oportunidade de adquirir a fábrica de farinha, com proposta de incluir parte do terreno da casa ou mesmo um carro; eles conseguiram comprar as máquinas e trazer para aqui, onde hoje é o terreno da cerealista. Aos poucos, mesmo sem dinheiro, conseguiram fazer a terraplanagem do terreno e a instalação da fábrica de farinha de milho. Também colocaram uma máquina para beneficiamento de arroz e um pequeno escritório, até que conseguiram comprar um caminhão para puxar milho e levar a farinha pronta para os mercados. As primeiras cargas foram levadas em um fusca, mas, aos poucos, foram trabalhando, crescendo e começaram a comprar milho, feijão, e resolveram montar a cerealista. A fábrica funcionou por cerca de cinco anos, depois eles venderam o maquinário da fábrica e ficaram só com a cerealista.

Paraná Centro - Qual maior dificuldade que a senhora e seu esposo encontraram em Pitanga?

Adília Manchur - O tempo mais sofrido foi quando viemos de Irati, depois as coisas foram encaminhadas. Trabalhamos muito, foi necessário para que pudéssemos ter um futuro melhor.

Paraná Centro - Qual a maior alegria que senhora viveu aqui?

Adília Manchur - Minha maior alegria é estar com os filhos, todos com saúde, trabalhando, animados. Nunca fui de sentir tristeza, o momento mais difícil foi o falecimento da minha mãe, que morava comigo; também perdi meu genro, que morreu novo, vítima de AVC, ficamos abalados; mas por outras coisas não tenho lembrança de ficar triste.

Casamento é realizado em Manoel Ribas

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