Pioneira relata trajetória em Pitanga

Rosa Ferreira Pulter Lubczyk é nascida no município de Prudentópolis, em 5 de novembro de 1928, filha de Manoel Mariano Pulter e Maria Ferreira Pulter. Foi casada com Albino Lubczyk e teve quatro filhos, Dirce Maria, Sônia Marli, Rosni e Albani. Rosa é avó de 12 netos e 15 bisnetos. Em entrevista, ela conta sua trajetória de vida, desde a vinda de Prudentópolis até os dias atuais.

Rosa em recente fotos com os filhos

Rosa em recente fotos com os filhos

Paraná Centro - Como era sua vida em Prudentópolis?

Rosa - Meu pai era comerciante, em uma localidade chamada Lajeado Raso, que era uma colônia de poloneses. Ele era proprietário de uma casa de comércio de secos e molhados e nós trabalhávamos lá. Ele também tinha uma fazenda e os filhos ajudavam nas duas atividades. Apesar desse local ser formado, em sua maioria, por poloneses, meu pai era de origem alemã. Ele veio com seu irmão, que ficou no Rio Grande do Sul, e se estabeleceu em Jaciara, município de Prudentópolis. Ele morou lá por mais de 30 anos, depois vendeu e veio para Pitanga, isso no ano de 1945.

Paraná Centro - Que atividade seu pai fez em Pitanga?

Rosa - Ele veio para trabalhar com comércio, construiu sua casa aqui e ficou com o comércio nessa esquina (Rua Visconde de Nacar x Arthur Mehl) até falecer. Depois meu irmão José assumiu o negócio. Era casa de comércio que vendia de tudo, lá em Jaciara era assim também.

Paraná Centro - E como foi sua vinda para Pitanga?

Rosa - Eu vim quando tinha 16 anos, ainda solteira, com meus pais. Eu me casei aqui, em 1947, aos 19 anos, mas meu marido também era morador de Prudentópolis. Quando chegamos, meu pai demorou para ter uma casa de comércio aqui e, nesse meio tempo, eu me casei e só depois disso que fui ajudar no comércio, já que meu marido também trabalhava para ele.

Pioneira chegou em Pitanga em 1945

Pioneira chegou em Pitanga em 1945

Paraná Centro - E como era essa região naquela época?

Rosa - Na época que mudei aqui, não havia casas de alvenaria, só de madeira. O primeiro local que morei em Pitanga foi no Xaxim, mas por pouco tempo, e depois nos mudamos para esse local aqui, onde meu pai tinha o comércio e onde nasceram meus filhos.

Paraná Centro - A senhora estudou em Prudentópolis?

Rosa - Estudei o primário lá, depois estudei o ginásio no Colégio São José, de Castro. Fui para Castro, para um colégio interno, quando tinha 14 anos, mas não terminei os estudos lá, só depois de muitos anos, aqui em Pitanga, é que terminei os estudos. Terminei os estudos depois de viúva, já faz 26 anos que meu marido faleceu.

Paraná Centro - Como a senhora conheceu seu esposo?

Rosa - Ele morava no mesmo bairro que eu, em Prudentópolis, e nos conhecíamos desde criança. Quando viemos para Pitanga, ele veio junto e nos casamos aqui. Ele veio por minha causa. Casamos e meu pai queria que ele viesse trabalhar aqui na cidade. Depois de um tempo com meu pai, ele saiu e foi trabalhar na prefeitura, por 12 anos, como fiscal geral, e trabalhou nos mandatos dos prefeitos Chico Costa, Dr. Orlando e José Grande. Ele voltou a trabalhar com meu pai no comércio dele. Mas ele tinha um problema no coração, se aposentou e faleceu aos 74 anos.

Paraná Centro - E a senhora sempre trabalhou com seu pai?

Rosa - Dei aula no Colégio São Bento; quando mudei aqui, havia apenas dois colégios, o Santa Terezinha e o São Bento. Minhas filhas começaram a estudar no Colégio São Bento e depois foram para o Santa Terezinha. Depois fizeram o ginásio. A minha filha mais velha queria estudar para freira e aqui não tinha, então ela foi para Prudentópolis, onde fez o curso normal. Naquela época, poucas mulheres tinham acesso aos estudos e, quando eu comecei a dar aula no colégio, ainda não tinha o primeiro grau completo, só muito tempo depois é que fiz a UNATI, que era faculdade para os idosos. Comecei a dar aula em 1960 e, na época, tinha apenas três professoras, que era eu, a Glaucia Kozuski e Dona Maria Alves, fora as irmãs religiosas, que também davam aula. Eu dava aula para o segundo ano e substituía quando faltava alguma professora.

A antiga casa de comércio da família

A antiga casa de comércio da família

Paraná Centro - E como a senhora foi convidada para dar aula?

Rosa - Meu marido era fiscal da prefeitura e depois se tornou inspetor de alunos; ele ficou sabendo que precisava de alguém para dar aula e, por intermédio dele, meu nome foi sugerido, o que foi aceito pela direção da escola. Naquela época, os alunos eram muito quietinhos, obedientes à professora, não respondiam e nem batiam nos professores, como acontece hoje. E quando não obedecia, era só chamar os pais e eles colocavam o filho na linha, o que a professora falava, estava falado. Naquele tempo era muito bom dar aula, sempre tive uma turma grande, com alunos de até 40 anos, pois tinha pouco professor. Fiquei na escola por quatro anos. Depois que saí do colégio, ajudei meu pai no comércio e fiquei em casa cuidando dos filhos.

Paraná Centro - Como era o movimento no comércio, vinham pessoas de fora para comprar?

Rosa - Sim, vinham pessoas de muitos lugares, mas eram poucas pessoas que tinham carro, o movimento maior na cidade era de charretes ou carrocinhas. Aqui em Pitanga, naquela época, não tinha nem rua, era quase como se fossem carreadores. Tinha muito mato e criava muitos mosquitos. As casas eram poucas, umas cinco na rua; lembro que moravam o senhor Fernando Malco, os Mazur e Arthur Melh, que era juiz de paz.

Paraná Centro - A senhora exerceu outras atividades aqui?

Rosa - Além de cuidar da casa, quando meus filhos nasceram, eu também dei aulas de tricô e ensinava aqui em casa mesmo e também fui catequista.

Paraná Centro - Como foi a construção da casa, onde seu esposo tinha um comércio?

Rosa - Logo que meu marido construiu, ficamos morando um tempo; ele trabalhava na prefeitura ainda. Depois ele desmanchou a casa e construiu o prédio do lado, onde tinha salas comerciais e apartamentos alugados. Hoje, eu moro em um apartamento e meu filho mora em outro, ele também tem uma lojinha embaixo e mais duas salas alugadas. A casa foi construída na década de 50 e foi utilizada madeira de peroba, que era a melhor que tinha na época; em 1970, o prédio foi derrubado e construído em alvenaria.

Casa de madeira foi construída na década de 50

Casa de madeira foi construída na década de 50

Paraná Centro - Depois de 75 anos morando em Pitanga, qual a visão a senhora tem da cidade?

Rosa - Pitanga mudou muito, hoje está boa, porque quando eu vim para cá, era uma vila, tinha pouca gente, quase não tinha movimento de carro, quando vinha caminhão trazendo mercadoria, muitas vezes, ficava encalhado por não ter asfalto. Então, quando chovia era barro e quando não chovia era pó, inclusive, quando eu precisava levar minha filha ao colégio, ficávamos encalhadas nas ruas. Os carros que haviam eram fuscas e pé de bode. No começo, tínhamos uma charrete, depois compramos nosso primeiro carro, um fusca.

Paraná Centro - Seu marido também trabalhou como recenseador, como foi esse serviço?

Rosa - Houve em um recenseamento, em 1950, e meu marido trabalhava na prefeitura. Na época, Boa Ventura do São Roque pertencia ao município de Pitanga e ele foi trabalhar como recenseador lá. Ele teve que fazer todo o trabalho a cavalo, já que não havia carro e as estradas eram ruins. Ele ficava muitos dias fora, às vezes, passava uma semana ou quinze dias, dependendo da distância. Esse trabalho demorou quase 4 meses para ser feito. Mas ele também foi subdelegado e ocupava o cargo de delegado.

Paraná Centro - Ele chegou a enfrentar alguma situação de perigo?

Rosa – Sim, enfrentou. Na época, teve um tiroteio na casa do senhor Francisco Costa. Ele ficou ajudando a cuidar da casa, já que era muito amigo do “Seu Chico”. Eles montaram uma guarda, com mais 6 pessoas. Lembro que as crianças eram muito pequenas e, na casa, onde morávamos, acertou um tiro e ficamos muito assustados. Ele enfrentou muitas situações difíceis aqui em Pitanga.

Alunos do Colégio São Bento posam para foto

Alunos do Colégio São Bento posam para foto