Linguagem oral e linguagem escrita

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Mais uma vez, nesse espaço, voltamos a ressaltar a diferença entre as modalidades oral e escrita da Língua Portuguesa, as quais constituem universos específicos de linguagem e, como tal, possuem características próprias. A modalidade escrita parece caminhar para o espaço da totalidade, do distanciamento máximo entre produtor e interlocutor, enquanto a oralidade pressupõe um envolvimento maior entre os falantes. Entretanto, sabe-se que essa configuração nem sempre se realiza, haja vista que a Língua é utilizada de acordo com o contexto no qual ele está inserida, seja ela oral ou escrita.

Quando se escreve, pode-se impedir que o leitor interfira diretamente em no texto. Indiretamente, porém essa intervenção acaba por acontecer, visto que, continuamente, ajusta-se a escrita à imagem que se faz dele, prevendo possíveis perguntas que ele faria – e tentando respondê-las. Desse modo, a presença desse leitor virtual exige um esforço de elaboração e precisão, levando o texto escrito para um certo grau de completude e preenchimento, refletidos no vocabulário apurado, no rigor gramatical, na obediência à norma culta, na objetividade e clareza de ideias, na eliminação de ambiguidades, enfim, na prolixidade.

Por outro lado, na oralidade, a relação que se estabelece com quem se fala é direta, traduzida em um processo de dialogação, que pode ainda contar com uma série de recursos extralinguísticos, como gestos, expressões faciais, entonação, postura, que facilitarão a transmissão de ideias, emoções e possibilitarão refazer a mensagem, caso esta não seja assimilada ou bem interpretada.

Em ambas as modalidades (oral e escrita) , espera-se que a comunicação seja efetiva (realizada) e possa, de fato, concretizar-se pelo contínuo ajustamento de linguagem que o emissor da mensagem faz com relação ao seu destinatário.

Portanto, a língua é rica e múltipla de possibilidades. Atualizá-la em função das exigências do momento da comunicação é nossa tarefa e nosso desafio.

Uma boa maneira de saber se você se faz entender é:

*oralmente: ao gravar um áudio, ouvi-lo e observar se sua fala é clara, se a mensagem não está repetitiva, imprecisa, se nela há as informações necessárias para que o seu interlocutor a compreenda;

*verbalmente: ao terminar de escrever um texto, releia-o criteriosamente. Observe clareza, concisão (precisão), ortografia, acentuação... Se for escrito à mão, observe se sua letra está legível.

Não use o velho chavão ”escrevi errado porque estava com pressa”, pois quem sabe escrever, escreve certo com pressa ou sem pressa, já que o trabalho é o mesmo. Também se deve reiterar o que é escrito desde o início das postagens de nossa coluna: a Língua Portuguesa é complexa e muitas pessoas têm dúvidas em relação à norma culta tendo em vista que há muitas regras e várias exceções.

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