Aumento no preço da carne beneficia setor produtivo

Luiz Carlos Zampier – presidente do Sindicato Rural de Pitanga

Luiz Carlos Zampier – presidente do Sindicato Rural de Pitanga

O recente aumento no preço da carne bovina, que assustou consumidores, tem um reflexo positivo para os produtores de carne do Paraná. O presidente do Sindicato Rural de Pitanga e integrante da Associação dos Bovinicultores do Centro do Paraná, Luiz Carlos Zampier, comenta que esse movimento de alta já era esperado pelo setor produtivo, já que o preço da carne estava represado há cinco ou seis anos, onde todos os custos de produção subiram e o preço da arroba do boi continuava o mesmo.

Inicialmente, o setor esperava que, com a recuperação da economia interna, o consumo das famílias voltasse a crescer e houvesse uma maior demanda e, consequentemente, um aumento no preço da arroba. No entanto, a abertura do mercado chinês e o grande volume comprado pelo país asiático provocou esse desabastecimento e, hoje, a carne bovina está em falta em todo o Brasil. “Sabemos que, para o pecuarista foi um alívio, até maior do que era esperado, e isso trouxe um novo ânimo para o setor, que agora pensa em retomar os investimentos e, certamente, o país ganha e haverá um incremento maior na pecuária de corte, com o produtor investindo em pastagens, estrutura, genética, aumento de matrizes e com a possibilidade do Brasil exportar muito mais”, disse.

Zampier explica que, apesar da China ter o maior rebanho de bovinos do mundo, essa entrada do mercado brasileiro se deve à peste suína que está dizimando os rebanhos de porco na China, que é a principal fonte de proteína do país e, com isso, eles estão sendo obrigados a consumir carne de boi.

No entanto, não é apenas a China que tem comprado a carne brasileira. Recentemente, o Brasil também fez exportações significativas para os Estados Unidos e para a Arábia Saudita, que aumentou a compra da carne brasileira em mais de 350%. “Ainda existe um mercado muito maior para ocupar e, quando se falar em exportar em carne para a Índia, vamos dobrar o patamar dessa demanda”, ressaltou Zampier.

O proprietário do FrigoDasko, Márcio Dasko, disse que o preço pago pela arroba do boi girou em torno dos R$ 150 e isso estava fazendo com que os pecuaristas saíssem da atividade. Ele reconhece que houve um aumento de mais de 50% no preço da arroba, em menos de 30 dias, e isso foi algo significativo, mas acredita que haverá uma estabilidade e, após isso, a carne deve ficar entre R$ 200 e R$ 220 a arroba. “Dessa forma, teremos um preço justo e os produtores que saíram da atividade, porque não teriam margem de lucro, podem voltar à atividade e aumentar a produção”, aponta Márcio Dasko.

Para ele, outro fator que é importante para explicar esses aumentos é a entressafra e, especialmente no Paraná, a pouca opção por gado de inverno e de boi de pasto.

Dasko acredita que, para o Natal, não haverá redução nos preços da carne bovina, justamente porque a oferta de boi para abate está menor nesse ano.

Márcio Dasko – sócio proprietário do Frigo Dasko

Márcio Dasko – sócio proprietário do Frigo Dasko

Presidente do Sindicato Rural de Ivaiporã acredita que produtor terá mais dinheiro para gastar

Lourival Góes, presidente do Sindicato Rural de Ivaiporã

Lourival Góes, presidente do Sindicato Rural de Ivaiporã

Os brasileiros que não dispensam um pedaço de carne nas suas refeições do dia a dia estão sentindo a elevação no preço em açougues e supermercados há dois meses.

O presidente do Sindicato Rural de Ivaiporã, Lourival Góes, explicou que um dos principais fatores para a disparada no preço da carne é em função da abertura de mercado que a Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o presidente Jair Bolsonaro têm feito em países como China, Japão, Coréia do Sul e Índia. “O governo está trabalhando para abrir mercado, fazendo com que a carne daqui vá para outros países; o preço aqui no Brasil acaba subindo, pois o país está exportando mais”, esclareceu.

Entre setembro e outubro, as exportações para China (+110%), Rússia (+694%) e Emirados Árabes (+175%) cresceram muito na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a associação que representa os frigoríficos (Abrafrigo).

O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina e o principal exportador mundial. Em segundo, vem a Austrália, que enfrenta uma grave seca e, consequentemente, teve sua produção de gado afetada. Depois vêm os Estados Unidos, que travam uma guerra comercial com a China, principal consumidora de proteínas animais do planeta.

Com o Brasil sendo um importante fornecedor de carne bovina para a China, os preços no mercado interno devem se manter em alta. Lourival Góes informou que a elevação chegou ao produtor, mas não soube precisar se com a mesma alta dos mercados e açougues. “O produtor está vendendo a vaca e o boi melhor do que vendia há um mês. No entanto, não foi só o preço do boi que subiu, mas também do frango e do porco, pois o governo está trabalhando para divulgar nossos produtos mundo afora, consequentemente, num breve espaço de tempo o produtor vai ter mais dinheiro na mão para injetar na economia”, defendeu.

Comentários