Crase

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A crase é um dos mais complexos fenômenos linguísticos e é exatamente por isso, ou seja, por ela ser um fenômeno que a maioria das pessoas não compreende quando usá-la. Caracteriza-se como a fusão de duas vogais idênticas, relacionadas ao emprego da preposição “a” com o artigo feminino a (s), com o “a” inicial referente aos pronomes demonstrativos – aquela (s), aquele (s), aquilo e com o “a” pertencente ao pronome relativo a qual (as quais). Casos estes em que tal fusão se encontra demarcada pelo acento grave (`): à(s), àquela, àquele, àquilo, à qual, às quais.

Trata-se de uma particularidade gramatical de relevante importância, dado o seu uso de modo frequente. Diante disso, compreender os aspectos que lhe são peculiares, bem como sua correta utilização é, sobretudo, sinal de competência linguística, em se tratando dos preceitos conferidos pelo padrão formal que norteia a linguagem escrita.

Há que se mencionar que esta competência linguística, a qual se restringe a crase, está condicionada aos nossos conhecimentos acerca da regência verbal e nomimal, mais precisamente ao termo regente e termo regido. Ou seja, o termo regente é o verbo ou nome que exige complemento regido pela preposição “a”, e o temo regido é aquele que completa o sentido do termo regente, admitindo a anteposição do artigo a(s). Como revelam os exemplos a seguir:

Refiro-me a(a) funcionária antiga, e não a(a)quela contratada recentemente.

Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela contratada recentemente.

Nota-se que o verbo referir, analisado de acordo com sua transitividade, classifica-se como transitivo indireto, pois sempre se refere a alguém.

Constata-se que o fenômeno aplicou-se mediante a fusão da preposição a + o artigo feminino (à) e com o artigo feminino a + o pronome demonstrativo aquela (àquela).

A fim de ampliarmos os conhecimentos sobre as circunstâncias em que se requer ou não o uso da crase, analisar-se-á:

# O termo regente deve prescindir-se de complemento regido da preposição “a”, e o temo regido deve admitir o artigo feminino “a” (s):

Exemplos:

As informações foram solicitadas à diretora. (preposição + artigo)

Nestas férias, faremos uma visita à Bahia. (preposição + artigo)

Observação importante:

Alguns recursos servem de subsídios para que se possa confirmar a ocorrência ou não da crase. Eis alguns deles:

a) Substitui-se a palavra feminina por uma masculina equivalente. Caso ocorra a combinação a+o(s), a crase está confirmada.

Exemplos:

As informações foram solicitadas à diretora.

As informações foram solicitadas ao diretor.

b) No caso de nomes próprios geográficos, substitui-se o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso resulte na expressão “voltar da”, há a confirmação da crase.

Exemplos:

Faremos uma visita à Bahia.

Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase confirmada)

Não me esqueço da viagem a Roma.

Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momentos jamais vividos.

O conteúdo continua na próxima semana. Até lá!

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