Lunardelli trabalha na diversificação de agroindústrias

Rosano Machado mostra espaço de turismo rural em Lunardelli

Rosano Machado mostra espaço de turismo rural em Lunardelli

A diversificação das pequenas propriedades rurais é uma aposta interessante para a manutenção das pessoas no campo e também para a agregar e gerar renda para as famílias. O município de Lunardelli, com o trabalho da Emater, está ajudando várias famílias a estruturar pequenas agroindústrias, que têm sido fundamentais para fixar pessoas em pequenos lotes de terra. Um exemplo bem-sucedido desse processo é o produtor Rosano de Souza Machado, que tem dois alqueires, na região do distrito de Madalena.

Depois de trabalhar com o pai durante 18 anos, como arrendatário de uma área de 6 mil pés de café, Rosano Machado comprou, em 2011, o pequeno sítio onde trabalharia por conta. No entanto, em 2013, quando mudaram definitivamente para o local, seu pai sofreu um AVC e faleceu logo depois. “Comprar esse sítio era o sonho do meu pai, pois nós trabalhávamos para os outros e conseguimos juntar dinheiro para isso”, disse o proprietário rural.

Machado, a princípio, não queria trabalhar com o café, mas quando entrou na propriedade acabou optando pela única lavoura que sabia conduzir bem. Mas produzir café em uma área de dois alqueires não é garantia de renda todos os meses e, logo, ele teve que buscar alternativas para conseguir manter a família no local. A primeira opção foi mudar o foco de comercialização. Em vez de entregar na cooperativa, ele passou a torrar e moer o café e vender diretamente ao consumidor, nas feiras e no próprio sítio. “Eu procuro fazer um café com qualidade, com colheita dos grãos bem maduros, no pano, para fazer um produto com boa qualidade”, disse o produtor rural.

Liliane da Fonseca e Rosemari Marega mostram polpa de maracujá e molho de tomate

Liliane da Fonseca e Rosemari Marega mostram polpa de maracujá e molho de tomate

Além do café, Rosano Machado passou a vender outros produtos na feira e, em 2017, começou a fazer o curso de turismo rural. Foi quando surgiu a oportunidade de diversificação da propriedade, com a abertura do espaço para receber os turistas. Ele transformou um barracão em um espaço de convivência e começou a oferecer alguns produtos que são preparados pela esposa Marilva Cristina Machado e pela mãe Paulina de Souza Machado, como porções de peixes, salgados, sucos naturais e refeições. Além disso, ele diversificou a agroindústria com a produção de conservas de pimenta e colorau.

Para Rosano Machado, o local tem recebido tanto moradores do entorno, como de outras cidades e o trabalho com a diversificação e a feira, tem possibilitado agregar renda à propriedade e se manter no campo.

Outro exemplo de como a agroindústria tem mudado a vida dos moradores da área rural é de Maria Simone Cardoso, que há cerca de 10 anos mora em um lote na Vila Rural de Lunardelli. Com pouco espaço para plantar, ela sempre trabalhou em outros empregos na cidade, como diarista, servente de pedreiro e até mesmo no corte de cana. Há cerca de 1 ano, ela começou a produzir bolachas e vender de casa em casa. Ela participou, no ano passado, do curso Mulher Atual e levou uma amostra da bolacha que produzia, o que despertou interesse da Emater em estruturar a pequena agroindústria, para profissionalizar o trabalho de Maria Cardoso. Com essa estrutura, há cerca de três meses, ela começou a colocar seu produto para comercialização nos mercados de Lunardelli e tem produzido cerca de 100 bandejas de bolacha por semana. Para conseguir estruturar a pequena agroindústria, ela conseguiu recursos do programa Família Paranaense e, agora, pretende aumentar a cozinha e expandir a venda para outras cidades.

Paulina, Marilva e Rosano Machado mostram alguns produtos fabricados na agroindústria

Paulina, Marilva e Rosano Machado mostram alguns produtos fabricados na agroindústria

Quem está finalizando a sua agroindústria e deve iniciar a produção nas próximas semanas é a produtora rural Rosemari Marega. A família tem uma propriedade de 3 alqueires e ela já trabalha, há alguns anos, com a entrega de produtos para a merenda escolar, como polpa de frutas e panificados. Com a agroindústria, ela pretende ampliar a produção, aumentando o volume de polpa de maracujá e molho de tomate, e entregar também frutas, mandioca, amendoim, entre outros. Além da entrega para a merenda, ela quer colocar seus produtos no mercado local.

A engenheira veterinária da Emater de Lunardelli, Liliane da Fonseca, comenta que três produtores estão com suas agroindústrias regulares e funcionando e outros cinco produtores estão em processo de regularização e devem começar a oferecer produtos, como linguiças artesanais, doces, panificados, entre outros. Ela explica que, com a regularização, o produtor rural pode comercializar sua produção em supermercados e, em alguns casos, até mesmo em outras cidades. O processo não é complicado e nem carece de custos altos. Além disso, a Emater tem dado todo o apoio e consultoria, como o estudo nutricional, adequação de receitas e produtos e consultoria de gestão.

“A nossa ideia, com os vários cursos oferecidos, é que possamos fazer uma rota, visitando as agroindústrias e desenvolvendo o turismo rural, como a rota das capelas, onde todos os produtos das agroindústrias possam ser comercializados”, frisa a veterinária da Emater.

Maria Simone prepara bolachas para venda no mercado de Lunardelli

Maria Simone prepara bolachas para venda no mercado de Lunardelli

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