Fazenda de Pitanga pretende se tornar autossuficiente em geração de energia elétrica

Usina tem capacidade de geração de 120 Kva

Usina tem capacidade de geração de 120 Kva

A Fazenda Maria de Lourdes, de propriedade da família Petrechem, iniciou, no final de 2018, um projeto que já começa a apresentar resultados positivos, com a geração própria de energia elétrica por meio do biogás, produzido com esterco de suínos. A propriedade rural tem uma granja com 450 fêmeas, onde é realizado o ciclo completo de produção, desde a cria, desmame e engorda. Atualmente, a propriedade finaliza cerca de mil leitões por mês. Apesar de ser um dos maiores produtores de suínos da região, os proprietários Luiz Carlos Petrechem e o filho Luiz Carlos Petrechem Filho dizem que a estrutura é de uma granja de médio porte.

No entanto, eles começaram a se interessar pela produção de energia elétrica, quando viram algumas reportagens apresentadas na televisão, que mostravam a experiência de fazendas de Santa Catarina, principal produtor de suínos no país, onde o esterco dos porcos se transformava em energia elétrica. “Mas o que nos animou para investir no projeto foi a visita que fizemos a uma propriedade em São Miguel do Iguaçu, onde conhecemos um projeto, que é desenvolvido em parceria com a Itaipu Binacional e a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), e vimos como funciona o sistema e voltamos bastante animados”, disse Petrechem Filho.

Como a produção de dejetos é muito grande e para se adequar às normas ambientais e exigências do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), a fazenda precisa construir um biodigestor, uma fossa revestida, onde o esterco é “curtido”. Nesse processo, ele produz um gás, que os proprietários resolveram canalizar e que é usado como combustível para a geração de energia elétrica.

Petrechen Filho, Reinaldo Petrechem e Luiz Carlos Petrechem mostram estrutura do biodigestor

Petrechen Filho, Reinaldo Petrechem e Luiz Carlos Petrechem mostram estrutura do biodigestor

Os proprietários procuraram uma empresa de Marechal Cândido Rondon, que deu toda a assessoria, e o gerador foi adquirido em Londrina. Os equipamentos foram instalados em dezembro e, desde então, não apresentaram nenhum tipo de problema. A primeira vantagem do sistema é que a energia gerada está abastecendo a própria granja de porcos, algumas outras dependências e a casa do proprietário da Fazenda. Apenas nessas instalações, a economia estimada é de R$ 3,5 mil por mês. Agora, eles pretendem colocar outras estruturas da fazenda na rede própria de energia, como é o caso da leiteria, que atualmente tem um consumo mensal de cerca de R$ 1,9 mil. “Também pretendemos solucionar uma questão de cabeamento e interligar ao sistema da Copel, passando a fornecer o excedente da energia para a rede externa, além de zerar as contas de luz”, comenta Luiz Carlos Petrechem.

A capacidade de geração da usina é de 120 Kva. No momento que a equipe de reportagem estava na fazenda, por volta das 15h00, o consumo era de cerca de 27 Kva, no entanto, como o sistema ainda não está ligado à rede, a energia produzida era desperdiçada.

Outra vantagem do sistema é que, desde dezembro, a propriedade não teve nenhuma interrupção no fornecimento, o que sempre ocorria durante chuvas e temporais.

Biofertilizante

Além da produção do biogás, a instalação do biodigestor possibilitou uma melhora na produção do biofertilizante, que é o resultado do esterco curtido. O produto que fica estocado em tanques é despejado nas áreas de pastagens e lavouras e os primeiros resultados têm sido animadores. O processo possibilita uma fermentação melhor da mistura que, ao ser aplicada em área de lavoura, potencializa a produção de soja que, no local observado, teve um aumento na ordem de 23%. “Ainda é cedo para saber se isso vai gerar redução nos custos de adubação ou aumento da produtividade, mas os primeiros resultados são animadores”, comentam os proprietários.

Eles avaliam que o investimento é compensado em pouco tempo com a geração de energia, além de estarem totalmente adequados com as normas ambientais.

Assim que toda a propriedade estiver integrada ao sistema, os proprietários têm um desejo um pouco mais ousado. Eles pretendem utilizar o biogás ou a energia elétrica produzida para abastecer os carros, maquinários e implementos da Fazenda, semelhante ao que eles observaram durante a visita a Itaipu.

Biofertilizante é aplicado nas lavouras e pastagens

Biofertilizante é aplicado nas lavouras e pastagens

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