Hospital e Maternidade Ivaiporã pode fechar as portas

Hospital com mais de 50 anos de história pode encerrar atividades em Ivaiporã

Hospital com mais de 50 anos de história pode encerrar atividades em Ivaiporã

Dia 30 de junho pode ser o último dia de funcionamento do Hospital e Maternidade Ivaiporã, atualmente Instituto de Saúde Lucena Sanchez. O prazo de fechamento da instituição hospitalar foi definido pela direção do hospital, caso não haja, por parte do Governo do Estado, uma melhora nos repasses de recursos para o atendimento do SUS (Serviço Único de Saúde).

O jornal Paraná Centro conversou com os diretores da instituição hospitalar, Orlando Sanchez e Orlando Sanchez Júnior, que admitiram as dificuldades financeiras para manter o hospital funcionando.

Orlando Júnior comenta que o hospital já vem sofrendo com problemas de custeamento dos pacientes do SUS há vários anos, principalmente, pela defasagem na tabela do serviço, que não é reajustado desde 2009. “Nesse período, tivemos novas exigências de vigilância sanitária, bombeiros, questões trabalhistas e se aumentou a demanda financeira e não houve a contrapartida por parte do Estado, além da implantação de novas tecnologias, e chegou a um ponto que se tornou insustentável”, comenta.

Já em 2017, o hospital havia decidido encerrar as atividades, no entanto, com o apoio do então secretário de Saúde do Estado, Michele Caputo Neto e do prefeito Miguel Amaral, o hospital se transformou em Instituto de Saúde, para que houvesse a possibilidade de repasses do Estado. “Fizemos todo o processo de transformação, da forma como nos foi orientado, apesar de termos alguns benefícios, como a isenção de impostos, os demais benefícios que esperávamos acabaram não vindo”, frisa Orlando Júnior.

Para manter o hospital funcionamento, os sócios estão tendo que custear as despesas do SUS e, com isso, a dívida do hospital está chegando em torno de R$ 700 mil. “Estamos contando com o grande apoio dos médicos, que estão compreendendo a situação, principalmente na área de ortopedia”, explica.

A demanda de atendimento aumentou com a implantação do Samu, que tem obrigado o hospital a realizar procedimentos de alta complexidade, também na área de ortopedia, e a instituição não está recebendo nada além disso.

Caso não haja uma solução a curto prazo, o fechamento do hospital representará a demissão de 117 funcionários. “São eles que ainda fazem com que a gente mantenha o hospital funcionando, mas a situação está insustentável”, afirma.

Uma das soluções, a curto prazo, segundo Orlando Júnior, seria a integração do Instituto Lucena Sanchez à Rede de Urgência e Emergência. “Nós já fazemos o serviço de atendimento do Samu, Bombeiros e de Urgência e Emergência, mas não ganhamos nada para isso; já temos o procedimento preenchido na Secretaria de Estado da Saúde, mas falta a assinatura, que é a parte financeira do Estado”, relata o diretor do hospital.

Orlando Júnior e Orlando Sanchez lamentam situação do Instituto

Orlando Júnior e Orlando Sanchez lamentam situação do Instituto

No entanto, mesmo que isso se concretize, os recursos desse programa ainda são insuficientes para manter o hospital funcionando. “Teremos que conversar ainda com o Governo do Estado para ver se ele tem interesse que a gente permaneça funcionando ou não”, ressalta.

Caso o fechamento se concretize, serviços como UTI, ortopedia, cirurgia geral, pediatria e internamentos serão prejudicados. Orlando Júnior acredita que os pacientes terão que migrar para outros hospitais, inclusive fora de Ivaiporã.

O fundador do Hospital e Maternidade Ivaiporã, Orlando Sanchez, diz que é muito triste ver essa situação, mas que está muito difícil contornar o problema. “Não é fácil olhar esse trabalho que temos feito há 52 anos e chegar a esse ponto; de forma alguma era a nossa vontade que isso acontecesse, fizemos investimentos, mas está muito difícil”, frisa.

Associação Médica

O presidente da Associação Médica de Ivaiporã, Humberto Moreira da Silva, ressalta que a entidade vê com muita preocupação o fechamento dessa instituição hospitalar, não apenas pelos profissionais médicos, mas também pelos funcionários que serão afetados. Ele ressalta que toda a população do Vale do Ivaí irá sofrer, já o outro hospital de Ivaiporã, dificilmente, conseguirá absorver toda a demanda. “Os dois hospitais são muito importantes para a nossa população e para toda a região central”, comenta.

Ele também ressalta o risco do município de Ivaiporã perder alguns especialistas, já que a região não tem capacidade de absorver todos esses profissionais. “Para a nossa comunidade e sociedade é uma perda inestimável, que não tem reparação, principalmente, por se tratar de um hospital com tanta tradição e que há tantos anos vem fazendo o bem ao próximo”, comenta.

A Associação Médica vem buscando soluções e, na semana passada, conversou com a Secretaria de Estado da Saúde, onde apresentou a situação do hospital. “Fomos bem recebidos lá e acredito que as nossas reivindicações serão atendidas; eles nos garantiram que irão agendar uma reunião com a direção do Hospital e Maternidade para buscar uma solução para esse problema, mas sabemos que o tempo é curto e estamos muito preocupados com isso”, cita o presidente da Associação Médica de Ivaiporã.

Humberto Moreira – presidente da Associação Médica de Ivaiporã

Humberto Moreira – presidente da Associação Médica de Ivaiporã

Reunião em Curitiba deve definir futuro do hospital

O prefeito de Ivaiporã, Miguel Amaral, se reuniu na manhã desta terça-feira, dia 14 de maio, com o diretor administrativo do Instituto de Saúde Lucena Sanchez (Hospital e Maternidade Ivaiporã), Lourival Mossini, para debater soluções para evitar o fechamento da unidade hospitalar. A reunião, que ocorreu no gabinete do prefeito, contou também com a presença do vice-prefeito Ilson Gagliano e do secretário municipal de Saúde, Claudeney Martins.

Ilson Gagliano, Claudeney Martins, Lourival Mossini e Miguel Amaral debatem ações em prol do hospital

Ilson Gagliano, Claudeney Martins, Lourival Mossini e Miguel Amaral debatem ações em prol do hospital

Segundo o prefeito de Ivaiporã, foi agendada para a próxima segunda-feira, dia 20 de maio, em Curitiba, uma reunião entre a diretoria do Instituto de Saúde, Prefeitura e Associação Médica, com o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto. O objetivo da reunião é convencer o Estado a retomar o repasse dos recursos do convênio firmado no ano passado. “Se o governo voltar a fazer esses repasses, o hospital continuará atendendo; a nossa expectativa é que esse importante hospital para Ivaiporã e região, que atende muito bem o SUS, continue atendendo a nossa população”, comenta o prefeito.

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