Norma culta

Nos concursos e vestibulares é comum encontrar questões pedindo que o candidato assinale a alternativa que está de acordo com a norma culta ou o inverso, isto é, aquela que aquela que apresenta um desvio da norma.

Embora a língua falada, em situações informais, admita alguma ‘flexibilização’ das regras da Gramática, é preciso conhecer o padrão culto, pois ele será cobrado nas situações de maior formalidade, tanto na versão falada, quanto escrita. Por isso, listam-se alguns desvios frequentes, para que, conhecendo-os, possam ser evitados.

- Para “mim” estudar

Apenas os pronomes pessoais do caso reto (eu, tu, ele, nós, vós, eles) podem funcionar como sujeito, portanto diremos (e escreveremos) que o livro é para eu ler, que há um relatório para eu fazer;

- Entre eu e tu

Já os pronomes pessoais do caso oblíquo tônicos (mim, comigo, ti, contigo etc) devem ser empregados após preposições. Por mais estranho que possa soar, deveremos dizer, por exemplo, que não há problemas entre mim e ti, nem entre ti e ele, pois, para mim, o diálogo é o melhor caminho. Mas cuidado com a situação do tópico anterior: mesmo que a preposição peça pronome oblíquo tônico, se o tal pronome funcionar como sujeito do verbo seguinte, prevalece a regra anterior;

- Conhecer “ele”

São os pronomes oblíquos átonos que devem ser empregados como complementos dos verbos (objeto direto ou objeto indireto) ou ainda como complemento nominal. Dessa forma, embora na linguagem falada informal seja frequente o ‘conheço ele’, obedecendo à norma culta, a construção ficará “conheço-o”.

Se os pronomes oblíquos o(s) e a(s) forem empregados após verbos terminados em ‘r’, ‘s’ ou ‘z’, essas letras serão suprimidas no verbo e o pronome ganhará um ‘l’ inicial: conhecer o livro > conhecê-lo; fazer a tarefa > fazê-la.

E se o verbo terminar em som nasal (‘m’, ‘ão’ ou ‘õe’) não há queda de letra, mas aparecerá um ‘n’ no início do pronome: conhecem o livro > conhecem-no, dão a explicação > dão-na.

E falando em letras, além das que somem ou que aparecem, precisamos de atenção também nos seguintes casos de ortografia:

- São sempre separados: “de repente”, “a partir”, “por isso” “o que”;

- São sempre juntos: “embaixo”, “abaixo”, “acima”;

- Embora as regras de ortografia sejam com exceções e/ou difíceis de serem aprendidas, há algumas. Por exemplo:

- Após ditongo ou após a sílaba “me-” ou “en-” é sempre X: frouxo, feixe, faixa, baixo, queixo, México, mexer, mexerica, enxame, enxada, enxergar, enxugar, enxuto, enxoval;

- As formas dos verbos querer e pôr são grafadas com ‘s’: quis, quiser, quiseram, pus, puser, puseram

- Se a palavra primitiva apresentar ‘s’ no radical, o verbo derivado será grafado com ‘s’: análise > analisar; catálise > catalisar; liso > alisar; aviso > avisar; pesquisa > pesquisar;

- Mas, se o termo primitivo não tiver ‘s’, o verbo derivado será escrito com ‘z’: canal > canalizar; símbolo > simbolizar; social > socializar

Essas recomendações não dão conta de todas as dificuldades, mas já ajudam a eliminar algumas. Convém reiterar que, embora haja regras para justificar alguns empregos das colocações das letras , a melhor maneira de saber como se escrevem as palavras é, sem dúvida, por meio da leitura. Leitura atenta, com consultas ao dicionário sempre que necessário vai fazer com que o ‘formato’ dos vocábulos seja memorizado e o leitor seja capaz de reconhecer a forma correta ou estranhar a forma inadequada.

Até a próxima semana!

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