Evento destaca contexto de luta das mulheres

O Instituto Federal do Paraná (IFPR), campus Ivaiporã, promoveu, na semana passada, um evento intitulado “Mulheres em Contexto de Lutas”, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. A ação, que contou com participação de alunos e do público em geral, foi realizada na Câmara de Vereadores.

Organizado pelas professoras Neide Biodere e Diana de Santana, o evento contou com palestras da professora Janaína Chaves, da agricultura rural Clara Orzegoski e da psicóloga Meire Lourenço Nunes, que explanaram várias formas de violência e contexto de luta que as mulheres enfrentam, atualmente.

A professora Janaína Chaves destacou que, hoje, o ambiente escolar é um dos espaços onde os profissionais mais sofrem com a questão da violência. Ela afirma que estudos mostram que pelo menos 44% dos professores sofreram algum tipo de violência física dentro das escolas. “O Brasil é o terceiro pior país do mundo para se dar aula”, frisa.

Ela afirma que a sociedade não tem demonstrado respeito às questões do conhecimento pedagógico, onde todos se acham no direito de dar palpites; e lembra que o Brasil nunca teve uma ministra da Educação. “As mulheres devem ocupar as instâncias de poder, para lutar contra essas situações, mas não apenas se candidatar, mas também realizar ações de militância”, disse a professora.

A trabalhadora rural e integrante do Assentamento 8 de Abril, Clara Orsegoski, disse que, hoje, a mulher que trabalha no campo tem desafios muito grandes com relação à luta contra a violência à mulher, o feminicídio, e que busca uma alimentação mais saudável. Em sua intervenção, a integrante do MST fez um resgate de algumas questões históricas e relembrou o nome de mulheres que lutaram pela vida.

A psicóloga Meire Nunes abordou a questão das mulheres que sofrem com a privação de liberdade, apresentando o cenário que existe no Brasil e em Ivaiporã, onde existe, atualmente, 17 mulheres presas, sendo que a maioria tem entre 18 e 30 anos e, geralmente, se envolve no crime por causa de seu companheiro ou familiar, que já está cumprindo pena.

Meire Lourenço apresentou o modelo da APAC feminina que existe na cidade de São João Del Rey (MG). “Atuo como psicóloga voluntária, há alguns meses, e vamos pensar nessa possibilidade”, comenta a psicologa.

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