Saúde orienta como evitar a proliferação de escorpiões

Aumenta incidência de picada de escorpião no Paraná

Aumenta incidência de picada de escorpião no Paraná

A melhor forma de afastar a possibilidade de acidentes com escorpiões é evitar que se proliferem nas residências e áreas urbanas. A Secretaria de Estado da Saúde orienta a população sobre os cuidados que devem ser tomados para coibir que a população desses animais cresça. As principais medidas são organizar o quintal e mantê-lo limpo, remover entulhos e sobras de construção, e fechar frestas, colocando telas nos ralos e nas janelas.

Outras recomendações são usar sacos de areia nos vãos das portas e não deixar expostos resíduos orgânicos, já que atraem baratas, um dos alimentos para os escorpiões.

O coordenador do Programa Estadual de Vigilância de Acidentes por Animais Peçonhentos e Venenosos, Emanuel Marques da Silva, explica que, mesmo de forma involuntária, o homem auxilia na dispersão de uma espécie. “Houve uma situação em que recebemos de uma moradora de Curitiba um escorpião nativo do Peru que ela capturou dentro de seu apartamento. Como ela estava de férias naquele país, provavelmente o animal encontrou sua mochila aberta, se alojou por lá e foi trazido para o Curitiba sem que ela percebesse”, disse.

Silva destaca que para evitar escorpiões, aranhas-marrons e outros animais é preciso eliminar os chamados 4As: abrigo, acesso a este abrigo, alimento e água. “Se nós mudarmos qualquer um destes As, nós teremos um impacto importante sobre a população destes animais. Se o homem é capaz de produzir um ambiente favorável para o escorpião dentro de seu ambiente domiciliar, ele também é capaz de alterar esse ambiente, não o deixando mais favorável”.

Este é um trabalho que, acrescenta, a Secretaria de Saúde tem feito ao longo dos anos, capacitando os técnicos dos municípios para que orientem a população no controle da proliferação do escorpião amarelo, de forte veneno, e responsável pela maior parte dos acidentes no Estado. Esta espécie não é nativa. Foi introduzida no Paraná antes dos anos 90 por meio do transporte passivo destes animais, que se escondem em vãos de lenhas, tábuas e outros materiais, e assim são levados para outros municípios, estados ou até países.

CONTROLE - A Secretaria de Estado da Saúde tem acompanhado a dispersão de escorpiões nos municípios dentro do Programa Estadual de Vigilância de Acidentes por Animais Peçonhentos e Venenosos. Em 2018, foram registrados 3144 acidentes – a maior parte no Norte, Oeste e Noroeste do Estado. Das 22 Regionais de Saúde, os maiores números de ocorrências foram registrados nas regionais de Paranavaí (518 casos) e de Maringá (762 casos, 223 deles somente no município de Colorado). Na regional de Curitiba, houve ocorrências na Capital e em Pinhais. Desde o início deste ano até dia 5 de março, foram registrados 456 casos em todo o Estado.

Segundo o coordenador do Programa Estadual de Vigilância de Acidentes por Animais Peçonhentos e Venenosos, o controle químico não funciona com os escorpiões. “Se funcionasse, não teríamos no Brasil mais de 120 mil acidentes com escorpiões em um ano, número registrado em 2018”, disse.

De acordo com ele, não existe sazonalidade na maior parte dos estados. “O Paraná tem uma sazonalidade maior pois temos um período frio em que o animal diminui seu metabolismo e fica escondido. Ele sai do esconderijo quando há calor. Por isso, no verão aumenta o número de acidentes”.

Quanto ao controle, há uma crença de que criar galinhas no quintal pode eliminar escorpiões, que são alimento destas aves. Silva esclarece que essa informação não é verdadeira, pois as galinhas se recolhem para dormir no entardecer, enquanto o escorpião é um animal de hábitos noturnos, que sai de seu esconderijo após escurecer.

“Ele até é encontrado durante o dia em caso de infestações grandes e nisso a galinha pode comer um ou outro, mas não vai controlar a quantidade enquanto o ser humano não alterar o ambiente favorável para o escorpião”, explica.

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