Autoridades policiais falam sobre decreto que facilita posse de arma

Capitão Élio Boing e Delegado Gustavo Dante da Silva

Capitão Élio Boing e Delegado Gustavo Dante da Silva

Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro assinou decreto que definiu novas normas para a concessão da posse de arma de fogo. Uma das principais mudanças no decreto é a definição da real necessidade de portar a arma, que na teoria seria para moradores que residem em estados com índices de homicídios acima de 10 mortos para cada 100 mil habitantes, que, na prática, abrange todos os estados brasileiros. Outros pontos como a revalidação da licença e a possibilidade de ter mais de uma arma como posse também foram abrangidos pelo decreto.

No entanto, os representantes da segurança pública em Ivaiporã, Gustavo Dante da Silva, delegado da Polícia Civil de Ivaiporã, e o capitão Élio Boing, comandante da 6ª Companhia Independente da Polícia Militar de Ivaiporã, comentaram, principalmente, sobre os cuidados que são necessários para que a pessoa possa ter uma arma de fogo em casa e ela não se torne um problema ao invés de uma solução.

Capitão Élio Boing destaca que sempre houve a possibilidade do cidadão ter uma arma de fogo em casa, mesmo após o estatuto do desarmamento, que foi votado em 2005, por meio de referendo popular. O que ocorre é que até então alguns critérios eram subjetivos e havia uma restrição por parte da Polícia Federal e, agora, são critérios mais objetivos, que facilita para o cidadão adquirir sua arma de fogo.

O comandante da PM ressalta que não houve uma redução na criminalidade, mesmo com o estatuto do desarmamento, ao contrário, houve um aumento no número de armas apreendidas, que estavam sendo usadas de forma ilegal. “O desarmamento não foi eficaz para retirar a arma de fogo ilegal, que está nas mãos das pessoas que querem cometer crimes”, cita o comandante da companhia da PM em Ivaiporã.

No entanto, ele ressalta que, ao optar por ter uma arma de fogo em casa, o cidadão precisa entender todos os riscos e, principalmente, os cuidados que são necessários para quem quer ter uma arma de fogo em casa. “Quando temos filho pequeno em nossa residência, temos que ter todo o cuidado para que ele não tenha acesso a uma faca ou outro objeto cortante. Mas com a arma de fogo, esse cuidado deve ser redobrado”, assinala.

Ele cita que a arma de fogo pode criar uma sensação de segurança, mas também pode ser um motivo a mais de preocupação. “No ambiente rural, uma arma de fogo poder dar uma sensação de segurança, mas existe o outro aspecto, em que as pessoas mal intencionadas, que pretendem roubar uma residência e fazer algum mal para a família, já contam com a possibilidade daquela família tem uma arma de fogo em casa e vão se preparar para isso”, pondera.

O comandante da PM defende que a decisão de ter uma arma em casa precisa ser debatida com toda a família e os prós e contras precisam ser pensados.

O delegado de Polícia Civil de Ivaiporã, Gustavo Dante da Silva, acredita que não houve muitas mudanças em relação ao que já havia como regras para que o cidadão tivesse uma arma de fogo em casa. Ele lembra que existe uma diferença entre posse, que é permitido aos cidadãos que preenchem os requisitos da lei, para ter a arma de fogo em sua casa; e porte, que é a permissão para andar com uma arma pela rua, que é restrita a poucos civis e a militares ou policiais.

Apesar de entender que existe uma questão psicológica no fato do cidadão ter acesso a uma arma de fogo, ele acredita que, em um segundo momento, isso acaba causando mais preocupações do que melhorias na segurança. “Eu acredito que isso não vai reduzir em nada a criminalidade, até porque o bandido sabendo que em determinada residência existe uma arma de fogo, é possível que ele vá até esse imóvel e pegue essa arma, porque ela vale muito no mercado negro”, comenta.

Ele ressalta que a pessoa precisa ter um controle rigoroso das pessoas que podem ter contato com essa arma e também estar preparado para usá-la.

Para conseguir uma redução nos índices de violência, o delegado defende um investimento maior em segurança pública, com melhoria na estrutura de investigação e repressão e também melhoria dos presídios e evitar a comunicação dos elementos com o exterior e isso impacta em um investimento maciço.

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