Grupos de facebook ajudam a preservar a história de Pitanga

Rubens Ribeiro e Júlio César dos Santos administram grupos no facebook

Rubens Ribeiro e Júlio César dos Santos administram grupos no facebook

Apesar de ter uma história bastante recente, já que ainda é possível conversar com algumas pessoas que chegaram à região no início da colonização, a região central ainda é bastante carente com relação a guardar registros históricos, principalmente, fotos sobre os fatos que ocorreram na região.

No entanto, com as novas mídias sociais, esse trabalho está sendo facilitado, principalmente, pelos grupos de interesse, como no facebook.

Um dos grupos com mais seguidores sobre a história é o grupo Pitanga-Pr, que é administrado pelo funcionário da Câmara de Vereadores, Júlio César Teixeira dos Santos. Natural de Imbituva, ele chegou a Pitanga em 1985 e começou a trabalhar no legislativo local. Amante de novidades eletrônicas, publicidade e mídia digital, Santos começou a levantar algumas informações sobre os ex-presidentes da Câmara, a pedido de uma antiga funcionária.

A ideia de fazer um grupo temático com fotos surgiu nas antigas redes sociais, como o MSN e o Orkut, que tinham as comunidades temáticas. No entanto, o grupo ganhou força com o facebook e, hoje, a página conta com mais de 13 mil seguidores. O administrador não tem ideia da quantidade de material disponível, mas acredita que entre vídeos, documentos e fotos de Pitanga, há cerca de 1 milhão de arquivos, entre imagens antigas, atuais e aéreas feitas com drone.

Pitanga na década de 60

Pitanga na década de 60

Júlio César acredita que a material mais importante que ele tem no acervo é o livro do tombamento da igreja matriz Sant’Ana, que faz um resgate da história da paróquia, e que contou com o apoio dos dois últimos párocos que deixaram a igreja, padres Paulo e Thiago Grande. A publicação contém detalhes sobre as reformas pelas quais passou a igreja e também desmente algumas histórias, como por exemplo, que os índios colocaram fogo na igreja, na década de 20. “Posso afirmar que não foram os índios que colocaram fogo na igreja; esse incidente é atribuído a eles, porque alguns dos desbravadores de Pitanga tiveram problemas para pegar a terra dos índios e tomar posse, o que resultou nesse confronto. A corda sempre arrebenta no lado do mais fraco”, afirma Júlio César dos Santos.

Ele acredita que o incêndio pode ter ocorrido em função de um raio ou mesmo de uma vela que queimou dentro da igreja e destruiu o prédio. “Muitas histórias dão conta que outras pessoas roubavam criação e colocavam a culpa nos índios”, cita o administrador do grupo.

Júlio César salienta a dificuldade de conseguir contextualizar algumas imagens que chegam a suas mãos. Segundo ele, essas fotografias foram passadas de pai para filho ou para sobrinhos e foram guardadas; mas as pessoas, datas e até mesmo o contexto da imagem quase nunca são lembrados. “Pitanga tem um acervo muito grande guardado, mas temos dificuldade para conseguir acessar esse conteúdo, as pessoas têm um baú de fotos, mas não doam e não emprestam”, ressalta.

Prefeitura de Pitanga em 1946

Prefeitura de Pitanga em 1946

O funcionário da Câmara de Vereadores afirma também que outra história, inclusive, contada em um livro, também não é verdadeira. Ele salienta que existem pesquisas e documentos oficiais, que estão no Museu Nacional do Rio de Janeiro, que confrontam a história narrada no livro “Abril Violento”, de Manoel Borba de Camargo, em que não houve uma revolta dos índios de Pitanga.

Pitanga Memórias e Fatos Atuais

Outro grupo que se dedica à história e à memória do município é Pitanga Memórias e Fatos Atuais, que é administrado pelo empresário Rubens Ribeiro. Ele veio de Arapongas em 1985 e sempre foi um apaixonado por histórias e coisas antigas. A ideia de montar o grupo também foi inspirada no trabalho que Júlio já realizava nas redes sociais. “Mas, na verdade, quem montou esse grupo foi um jornalista amigo meu, que me convidou para administrar e comecei a correr atrás de algumas coisas antigas. Tenho uma boa relação com o Júlio e, com isso, compartilhamos algumas imagens e informações”, comenta o empresário. O grupo Pitanga Memórias e Fatos conta com aproximadamente 8 mil membros.

Livro

Júlio destaca que a proposta do grupo é fazer um apanhado ainda maior de informações e o mais completo possível, para, a longo prazo, produzir um livro, contando um pouco da história de Pitanga. “Mas não com a minha visão, e sim com aquilo que conseguimos apurar durante todo esse tempo”, comenta.

Funeral do ex-prefeito João Gonçalves, em 1979

Funeral do ex-prefeito João Gonçalves, em 1979

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