Pioneiro com 94 anos encontrou tropas de Getúlio Vargas

O pioneiro chegou a Pitanga com apenas dois meses de vida

O pioneiro chegou a Pitanga com apenas dois meses de vida

Antônio Gomes nasceu no dia 2 de julho de 1924, na localidade de Bituva dos Machados, próximo ao município de Fernandes Pinheiro. Filho de Maria de Luz Gomes e Júlio Custódio, veio muito cedo para Pitanga, com apenas dois meses de vida. No entanto, a família teve um baque, quando Antônio Gomes tinha apenas 5 anos de idade, que foi a separação dos seus pais, que fez com que ele fosse morar com um padrinho, chamado Augusto Crevelin, de origem alemã, que residia na área rural de Turvo.

Dessa época, o pioneiro praticamente não tem lembrança sobre a cidade de Pitanga. Mas ele lembra que sua infância, no sítio, foi de muito trabalho na roça, principalmente com a criação de porcos, que eram vendidos em Guarapuava. Gomes lembra que, na época, o valor pago pela arroba do porco gordo era de 7 mil contos de réis, e que os animais eram levados a pé até o local de venda, num trajeto de 30 quilômetros. O pioneiro recorda que os animais andavam melhor no começo da manhã e no final da tarde, quando a temperatura estava mais amena.

Em um desses episódios, no ano de 1932, quando a família levava os porcos para a venda em Guarapuava, encontrou a tropa do então presidente Getúlio Vargas, que andava por essa região do Paraná. “Quando estávamos perto de uma parada, encontramos a tropa; os soldados estavam com mochilas nas costas e mosquetões empunhados”, relembra o pioneiro.

Quando completou 18 anos, Antônio Gomes chegou a ser convocado para servir na segunda guerra mundial. Ele já estava no quartel, esperando a convocação final, quando a Guerra chegou ao fim.

Após servir o Exército, Gomes conseguiu ingressar no DER (Departamento de Estradas de Rodagem) e, na sequência, se casou. No órgão que cuida das estradas do Paraná, Gomes exerceu diversas funções, como encarregado e gerente e, em 1962, assumiu a gerência na cidade de Pitanga. “Quando entrei no DER, comecei a trabalhar com máquinas; o trabalho era abrir e conservar as estradas da região. Percorri muitas estradas, como em Santa Maria do Oeste, Boa Ventura do São Roque e Manoel Ribas”, comenta o pioneiro.

Ele lembra também que a estrada que liga Pitanga a Ivaiporã foi uma das obras que ele ajudou a pavimentar. “Havia uma dificuldade muito grande com aterros e bueiros naquela época”, ressalta.

O aposentado do DER lembra que, quando começou a trabalhar, ainda em Turvo, havia muitas áreas de mata virgem e poucos moradores. Ele lembra que, várias vezes, durante o trabalho de abertura ou manutenção das estradas, precisava dormir no meio do mato, pois não tinha local para as paradas, além das estradas serem ruins e cheias de buracos. “Pitanga era muito pequena, com apenas 3 ou 4 casas e pouca gente”, destaca.

Ele lembra que trabalhou para um homem chamado Olívio Anunciato, que também foi delegado em Pitanga. Além do DER, Gomes trabalhou por 6 anos, após estar aposentado, como patroleiro da prefeitura e destacou que, nesse período, conheceu todo o município. “Apesar de ter muito conhecimento, nunca quis mexer com política; as pessoas sempre me pediam favor, como estrada ou carreador, mas nunca usei isso em benefício próprio”, ressalta o aposentado.

Antônio Gomes foi casado três vezes e teve 11 filhos; seu último casamento foi com Leonice Cordeiro Gomes, em fevereiro de 1968.

Antônio Gomes com os filhos e neta

Antônio Gomes com os filhos e neta

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