Deputado por Pitanga lembra trajetória de conquistas políticas

Um dos primeiros deputados eleitos por Pitanga, o cartorário aposentado Jurandir Messias, conta um pouco da própria história no município de Pitanga. Natural de Reserva (PR), Jurandir Avahe Messias é nascido em 13 de março de 1931. Casado há 62 anos com Maria Jaskiu Messias, tem dois filhos Jurandir Messias Júnior, o Jurinha, e Jobert Artur Messias, além de ser avô de 2 netos. Seus pais Tarcílio Messias e Maria de Jesus Messias vieram para Pitanga em 1954, para assumir o cartório local. Em entrevista ao jornal Paraná Centro, o pioneiro conta a trajetória de vida em Pitanga e algumas conquistas como deputado estadual, eleito por dois mandatos.

Maria Messias, Jurandir Messias e Jurinha

Maria Messias, Jurandir Messias e Jurinha

Paraná Centro - Em que ano o senhor veio para Pitanga?

Jurandir Messias - Eu vim em 1954, quando tinha 23 anos, da cidade de Cândido de Abreu. Lá eu trabalhava com caminhão; meu pai tinha uma frota de caminhões e uma empresa de ônibus, que fazia várias linhas na região, como Ponta Grossa, Reserva, Ortigueira, Queimada, Ivaí. Eu estudei até o 2º ano do Científico (atualmente Ensino Médio), como interno no Colégio Paranaense. Não terminei os estudos para poder ajudar meu pai, trabalhando no escritório da empresa em Ponta Grossa. Pouco tempo depois, ele vendeu a empresa de ônibus e nos mudamos para Cândido de Abreu, onde papai tinha uma casa comercial e também fazia a compra de suínos para revender em outras cidades. Em 1954, acompanhei-o quando ele veio para Pitanga.

Paraná Centro - Qual foi o motivo da mudança para Pitanga?

Jurandir Messias - Na época, meu pai era cartorário em Reserva e adquiriu o cartório daqui, por meio de uma permuta. No começo, não trabalhei diretamente com meu pai, fui procurar outra coisa para fazer. Eu ainda era moço e comprei dois caminhões e comecei a comprar cereais. Naquela época, ninguém trabalhava nesse ramo e fui o primeiro. Investi em uma máquina para debulhar o milho. Fiquei dois anos nesse ramo e depois fui trabalhar no cartório com papai e, quando ele se aposentou, eu assumi o cartório, onde trabalhei por 37 anos.

Paraná Centro - Quando veio para Pitanga, como era a cidade?

Jurandir Messias - Quando cheguei a Pitanga, eu percebi que havia necessidade de muitas coisas, por exemplo, não havia nenhuma casa de alvenaria, nenhuma rua asfaltada ou calçada, não havia saneamento básico, ou seja, não havia nada, era apenas poeira e barro. Quando chovia bastante, não dava para ir a Guarapuava, pois a estrada não permitia. Na primeira eleição que houve, me candidatei a vereador e fui o mais votado, mas nosso candidato a prefeito, que era o Seu Dico Petrechem, perdeu. Quatro anos depois, eu me reelegi, sendo novamente o mais votado e, desta vez, Dico ganhou a eleição. A partir daí começamos uma luta por Pitanga; vestimos a camisa da cidade e conseguimos as primeiras ruas asfaltadas. Fomos a Curitiba, arrumamos verbas e conseguimos construir o prédio da prefeitura e da câmara de vereadores, já que as instalações eram de madeira e estavam caindo; era uma verdadeira vergonha. Na eleição seguinte, ganhamos também, quando sai candidato a vice-prefeito do Dico Petrechem e, em 1974, nosso grupo achou que eu deveria ser candidato a deputado estadual. Eu achava que era muito difícil, pois Pitanga tinha menos de 14 mil eleitores; mas os companheiros me convenceram e saí candidato; fui eleito com 17,5 mil votos.

Paraná Centro - Nessa época, como Pitanga era atendida pelo Governo do Estado?

Jurandir Messias - Até a minha eleição, Pitanga não existia no mapa do Paraná. A ação do Governo era a mínima possível. Com a minha eleição, o prefeito e os vereadores exigiram que eu fosse morar em Curitiba, pois lá poderia atender melhor a população e abrir as portas das secretarias e do Governo para Pitanga. Sempre procurei trabalhar com os pés no chão, com humildade e nunca impondo nada. Na época, me tornei um dos grandes amigos do governador Jayme Canet Júnior, e conseguimos a pavimentação da rodovia entre Guarapuava a Pitanga e de Pitanga até Manoel Ribas, algo que era praticamente impossível naquela época. Foi um trabalho sem descanso. Depois começamos a correr atrás da solução de outros problemas da cidade.

Jurandir Messias teve Atuação política no Estado

Jurandir Messias teve Atuação política no Estado

Paraná Centro - Quais eram as dificuldades de conseguir chegar até Guarapuava naquela época?

Jurandir Messias – O carro da época era fusca e para chegar até Guarapuava, quando chovia, só se fosse acorrentado. Com caminhões era impossível de trafegar. Mas depois que saiu o asfalto, o progresso começou a chegar a Pitanga. O município era um “grilo” de terra de cerca de 60 mil alqueires. Os posseiros daquela época, que não tinham a documentação, entraram aqui com documento falso e um advogado tentou ficar com essas terras e isso provocou a morte de muitos lavradores, em confronto com os capangas, que não tinham dó e queriam tirar os lavradores da terra, para ficar livre deles. Em Curitiba, junto com o governador Canet, nos reunimos por pelo menos 4 vezes com os advogados e procuradores do Governo do Estado, para buscar uma solução para o problema. Com essas reuniões, fomos acertando detalhes jurídicos para resolvera questão. No entanto, os juízes tinham medo de dar a sentença e eu fiz o acerto político e arrumei um escritório do departamento de terras, que veio para legalizar as terras para as pessoas e conseguimos resolver o problema de todo mundo. Todos têm seu título e documentos das terras e isso ajudou no desenvolvimento de Pitanga.

Paraná Centro - Quando seu pai assumiu o cartório, o território de Pitanga se estendia desde a divisa com Turvo, até as margens do Rio Ivaí, próximo a São Pedro do Ivaí; como era cuidar da documentação de uma área tão vasta como essa?

Jurandir Messias – A extensão era muito grande e chegava até próximo a Nova Cantu; talvez fosse o maior município do Paraná, na época. Era a coisa mais difícil do mundo. Mas para prefeitura era pior, pois eram poucos maquinários; apenas um trator e duas ou três máquinas Caterpillar para arrumar estradas, pontes e bueiros. Era muito difícil, o município era muito extenso. Com a minha eleição como deputado, começamos a arrumar mais máquinas e conseguimos melhorar. Também veio a criação de outros municípios e isso foi aliviando para Pitanga. Conseguimos fazer o desmembramento de Santa Maria do Oeste, Nova Tebas, Mato Rico. Perdemos uma parte do território, que era interessante por causa do Incra, mas em compensação, valeu, porque ficou um município menor e mais fácil de administrar.

Paraná Centro - Como vocês conseguiam atender a questão de documentação de toda essa área com o cartório?

Jurandir Messias - Eu fiz quase 700 escrituras e, muitas vezes, trabalhávamos até as 3 horas da manhã para atender o povo. Essa foi uma das razões que cresci politicamente. Muitas pessoas me criticavam e diziam que não teria futuro com essas ações. Mas eu disse que era uma meta minha, trabalhar até o fim para legalizar essas terras. Tanto que não tenho um palmo de terra em meu nome, tive inúmeras oportunidades de levar alguma vantagem, mas eu não quis, porque não era meu. Foi uma luta incansável, mas conseguimos vencer.

Paraná Centro - Quais ações o senhor conseguiu desenvolver depois que foi reeleito?

Jurandir Messias - Depois disso trabalhei para fortalecer a educação em Pitanga e consegui trazer o ginásio para todos os distritos (atualmente Ensino Fundamental das Séries Finais), que era algo quase impossível. Isso aconteceu porque o secretário de Educação era meu amigo, mesmo antes de eu ser deputado. Quando me elegi, fui me encontrar com ele e expus minha preocupação com a educação de Pitanga, principalmente, da área rural, porque existia a dificuldade dos alunos virem até a cidade estudar. Ele me disse que abriria uma exceção, pois tinha feito uma portaria que proibia a criação do ginásio nas comunidades rurais, por ser muito dispendioso para o Estado, mas que, pela nossa amizade, iria abrir uma exceção. Além disso, ele instalou a Inspetoria de Ensino aqui, e isso ajudou muito para levar os projetos e conseguir essa melhora na educação. Para as escolas municipais, conseguimos carteiras, que não havia em nenhum outro município da região. Um caminhão da prefeitura ia até Curitiba buscar o material. Tínhamos as portas tão abertas na Secretaria da Educação, que um diretor disse que eu era o deputado que mais conseguia coisas de Curitiba.

Paraná Centro - Na primeira eleição para deputado estadual, quantos votos o senhor fez?

Jurandir Messias - Fiz 17,5 mil votos e consegui votos em Pitanga em outras cidades do Paraná e, na segunda eleição, eu consegui mais de 19 mil votos. Com o meu trabalho, prefeitos de várias cidades me procuraram e comecei também a atender a outros municípios e, na segunda eleição, tive votos em 9 municípios.

Paraná Centro - O que representa Pitanga para o senhor?

Jurandir Messias - Pitanga para mim é um berço, eu amo essa cidade e tanto que não saí daqui. Hoje, como cartorário aposentado, e minha esposa, como professora aposentada, poderíamos ter ficado em Curitiba, mas preferi Pitanga e quero morrer em Pitanga. Gosto muito daqui, pelo que consegui e pela luta que tive para o crescimento dessa cidade. Muita gente ainda fala que fui o melhor deputado que Pitanga já teve e aquilo que trazem, hoje, não representa um terço do que eu consegui. Sempre procurei ser um político coerente, honesto, e que pensou em coisas do interesse do povo de Pitanga e não tenho nenhum inimigo político e tive apoio de todos os partidos da época.

Deputado conseguiu obras e recursos para Pitanga

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