José Betim recorda trabalho no Banestado e jogos de futebol

José Betim

José Betim

Nascido na cidade de Ortigueira em 1952, José Betim, conhecido como Eca, veio para Ivaiporã ainda como criança de colo, junto com a mãe Floriza Mendes Betim e familiares. Ele perdeu sua primeira esposa em um acidente automobilístico e, atualmente, é casado com Luzia Betim. É pai de 4 filhos: Marçal, James, Rafael e Júlio César.

Paraná Centro – De onde veio o apelido Eca?

José Betim - Não sei, desde criança tinha esse apelido e até no tempo que jogava futebol, mas hoje me chamam de Betim. Sou nascido em 1952, na cidade de Ortigueira, e vim para Ivaiporã ainda criança de colo. Minha família trabalhava na zona rural, e quando chegamos aqui fomos também morar em sítio, numa propriedade que hoje pertence ao município de Jardim Alegre. Depois, ficamos um ano morando em Lidianópolis e, na sequência, viemos para Ivaiporã, onde fomos trabalhar em um sítio, no local conhecido como Campo Velho, hoje em dia é conhecido como a subestação da Copel. Moramos por 10 anos na fazenda de um alemão, que se chamava Hans Lapizzi. Eu ia a pé para a escola, que na época era chamada Barão do Cerro Azul, e atualmente é o Colégio Estadual Idália Rocha.

Paraná Centro – Por que seus familiares saíram de Ortigueira e vieram para essa região?

José Betim - Não tenho muita referência, mas quando viemos para cá, a minha família era grande, havia outros tios que já moravam por aqui, mas quem permaneceu em Ivaiporã só fomos nós. Na época, viemos com a minha mãe Floriza Mendes Betim, dois irmãos Jairo e João Francisco Betim e tios maternos, cunhados, entre outros familiares, que moravam juntos.

Paraná Centro - Quais as primeiras lembranças que o senhor tem dessa região?

José Betim –Lembro-me de quando tomávamos ônibus de Jardim Alegre para vir para cá e passávamos na Vila Santa Maria, pela água, não tinha ponte. Todos os meses precisávamos fazer compras aqui na cidade, e quando estudava, vinha a pé. Também tinha a recordação do tempo dos times do Adail e do Comercial, que o campo era onde atualmente é a prefeitura; estávamos sempre por ali, assistindo. Lembro-me também dos amigos do tempo escola e alguns temos amizade até hoje.

Paraná Centro - Qual era a atividade desenvolvida na fazenda deste alemão?

José Betim - Ali a maioria da produção era de café, mas, na entressafra, entramos como colonos para plantar feijão, milho e arroz. A fazenda tinha uma colônia e ficamos dez anos nesse local; as primeiras aulas que tive foram numa escola isolada, que ficava nessa colônia, ali estudávamos até o terceiro ano e depois tínhamos que vir estudar em Ivaiporã; isso por volta de 1966.

Paraná Centro - O senhor se lembra de como era Ivaiporã nesta época?

José Betim - Algo que me recordo, foi quando precisei de um atendimento médico aqui e fui atendido por um farmacêutico, chamado Oscar, que ficava na Rua Santa Catarina, na parte velha da cidade. Estava trabalhando e tive um corte na cabeça e esse farmacêutico fez os pontos. Nesta época, nós morávamos em Lidianópolis e ficamos na pensão da família do Flávio Teixeira; ficamos por ali uns três dias, até dar uma melhorada; e eu era moleque, mas me lembro dessa passagem. Lembro que meus irmãos mais velhos estudaram, com um dos irmãos do prefeito Miguel Amaral. Ficamos na região para cá do Rio Ivaí, e chegamos aqui no município de Ivaiporã em 1957, mas na região chegamos em 1953.

Paraná Centro - Como o senhor começou a trabalhar no banco?

José Betim - Comecei em 1973, no Banestado, onde me aposentei. Tive três empregos, dei aula em uma escola no município de Jardim Alegre, quando eu tinha 16 anos. Na época, ninguém aguentava os alunos, e com o pouco conhecimento que eu tinha, fui fazer um teste em Jardim Alegre, com o primeiro prefeito, o Clarismundo; passei e fui lá, dei aula por quase três anos nessa escola que ficava no sítio. Os alunos eram terríveis, e como eu era “piazão”, acabava brincando na hora do recreio, jogávamos futebol juntos, mas na sala de aula era duro com eles. Depois vim para Ivaiporã, onde trabalhei 1 ano e 11 meses na prefeitura e depois comecei no banco. Fiquei em Ivaiporã até 1991, depois fui transferido para Juranda, como gerente administrativo; de lá para Godoy Moreira, como gerente-geral, e me aposentei como gerente em Kaloré. Como tinha a casa em Ivaiporã, me aposentei e voltei para cá.

Paraná Centro – Em qual função o senhor começou no banco?

José Betim - Comecei como contínuo, entregava a correspondência na rua; fiz o concurso interno, passei para escriturário e fui subindo de cargo dentro do banco. Trabalhei como caixa, chefe de serviço, supervisor da agência, mas depois não tinha mais cargo para mim aqui, foi quando o banco me ofereceu o cargo em Juranda e aceitei. Quando eu fui embora, em 1991, éramos em 38 funcionários, hoje, com tudo automatizado, os bancos têm poucos funcionários, mas, na minha época, era tudo manual. Quando começaram a informatizar o sistema de contabilidade, todo mundo achou legal, porque não iria mais trabalhar à noite, mas ninguém pensou que a máquina estava tomando o lugar do homem. Quando foi automatizado os demais setores, o trabalho ficou mais fácil, mas onde a máquina chega, ela tira o lugar do homem.

Paraná Centro - O senhor jogou em quais times aqui em Ivaiporã?

José Betim - Joguei em praticamente todos os times que você pensar: no Atlético, no Comercial, no Garotos Unidos; quando o Tião Boiadeiro montou um time na Vila Nova Porã eu também joguei lá, junto com o Zé Balão, o Quatorze, e outros boleiros e fomos campeões por vários anos com esse time. Joguei futsal por vários anos e Taça Paraná, pelo time do Banestado. Era lateral direito. Mas comecei a jogar futebol em Ivaiporã no campo dos Pirolos.

Paraná Centro – Que grande lembrança o senhor tem da cidade de Ivaiporã?

José Betim - Uma das principais lembranças é o cinema, as pessoas trabalhavam a semana inteira e o único local de diversão era o cinema e o principal horário era a matinê. Outra lembrança antiga é quando saímos para fazer compras, tínhamos que trazer as sacolas nas costas, a pé. Antes as crianças ajudavam e hoje não podem fazer nada.

Paraná Centro - O senhor achava que Ivaiporã iria crescer tanto?

José Betim - Um dos meus familiares foi embora para Curitiba em 1976 e ele falava para que eu ir morar lá. Mas eu nunca quis ir, por causa do tumulto; e hoje, em Ivaiporã, quando você vai ao centro, para arrumar um local para estacionar é terrível. A cidade maior que morei foi Ivaiporã e tenho muitos amigos aqui.

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