Olga Ivuossyssyn relembra trabalhos sociais realizados na comunidade

Olga Chaniuk Ivuossyssyn está com 84 anos

Olga Chaniuk Ivuossyssyn está com 84 anos

A pioneira Olga Chaniuk Ivuossyssyn nasceu em 5 de julho de 1934, na localidade de Ivaí Calmon, nos Campos Gerais. Veio para Ivaiporã em 1955, já casada com Nicolau Ivuossyssyn, com quem teve 7 filhos: Terezinha, Teodósio, Paulo, Pedro, Augusto, Ana e Maria Gorete. A trajetória dela no município se deu por meio de trabalhos sociais voluntários em igrejas, hospitais e até como parteira. Aos 84 anos, a simpática senhora relatou ao Paraná Centro as principais memórias vividas no município.

Paraná Centro – Onde passou a infância?

Olga – Morei com minha família em Ivaí Calmon, localidade próxima a Imbituva e Bom Jardim, que pertencia a Ponta Grossa. Depois viemos com meu marido, dois filhos e meus pais Miguel e Elvira, que vieram trabalhar com lavoura de café, em um sítio em Jardim Alegre.

Paraná Centro – Quando a senhora chegou em Ivaiporã?

Olga – Cheguei por volta de 1955, época em que a igreja matriz, que era comandada pelo padre Serafim, queimou. Casei-me com Nicolau Ivuossyssyn em 22 de junho de 1950, na Igreja Bom Jesus em Ponta Grossa, e pouco tempo depois vim para cá já casada e com dois filhos: Terezinha e Teodósio.

Paraná Centro – Quando vieram para Ivaiporã, o que vocês encontraram?

Olga – Quando chegamos aqui ainda era como conhecido como Sapecado. Nossa chácara era nos fundos do Ivaiporã Country Club, a maioria das casas era coberta de tabuinha, os moradores eram muito simples. Havia uma casa de comércio, chamada Casa Rolante, que vendia tecidos e ao mesmo tempo era mercado, e pertencia ao Paulo Homenzuk e a família Huida.

Casal Nicolau e Olga Ivuossyssyn

Casal Nicolau e Olga Ivuossyssyn

Paraná Centro – Além desse comércio, o que mais existia no antigo Sapecado?

Olga – Aqui era formado por roça plantando arroz, feijão, milho, engordava capado. Já o comércio ainda era muito devagar.

Paraná Centro – A partir de quando o comércio começou a se desenvolver?

Olga – O comércio foi evoluindo com o tempo, os empregos apareceram e o município foi crescendo.

Paraná Centro – O que levou a senhora e seu marido a virem para Ivaiporã?

Olga – Primeiro viemos para Apucarana e, posteriormente, para Ivaiporã porque meu marido trabalhava como pedreiro e veio trabalhar na região. Nessa época compramos uma chácara que ficava para baixo do Ivaiporã Country Club, na Vila São Jorge.

Paraná Centro – Qual era o tamanho da chácara comprada por seu marido?

Olga – Era uma chácara de um alqueire. Eu cuidava dos afazeres da chácara, enquanto o marido fazia os serviços de pedreiro junto com o compadre Duca na Consil.

Imagem da notícia.

Paraná Centro – Como era a vida do casal naquela época?

Olga – Como meu marido trabalhava de pedreiro, eu tinha a responsabilidade de cuidar da casa e dos filhos. Enfrentamos muitas coisas no início da nossa vida nessa região. Trabalhei por muitos anos como cozinheira e participei de 22 casamentos, cozinhando nas paróquias Bom Jesus, Santíssima, Espírito Santo e dos ucranianos, trabalhando como voluntária, onde me convidava, eu ia. Depois fiz curso de parteira, mas fiz apenas dois partos, porque logo se instalou no município o Hospital Maternidade Ivaiporã, e as mães iam ganhar seus filhos no próprio hospital.

Paraná Centro – Como funcionava esse trabalho voluntário?

Olga – A equipe cozinhava em fogão a lenha, porque não existia fogão a gás. Cozinhamos, por exemplo, para as filhas do Portelinha, do Toninho Maronese, para a família da máquina Moreira. Minha vida foi cozinhar para fazer a alegria das pessoas, sendo que algumas delas nos davam uma gorjeta, um frango, um porquinho.

Paraná Centro – Depois disso, a senhora trabalhou no hospital?

Olga – Trabalhei por 16 anos como voluntária no Hospital Maternidade, junto com a dona Laura Sebold, que está com 96 anos. Nossa função era cuidar dos doentes, levando eucaristia e oração todas as segundas e quintas-feiras. No entanto, tive que parar com a atividade quando peguei dengue. Antes, o padre Natalício veio em casa e sugeriu que eu costurasse para fora e eu aceitei.

Imagem da notícia.

Paraná Centro – E quais outras funções exerceu na comunidade?

Olga – Fiz curso de enfermagem, porque queria trabalhar no hospital como enfermeira, mas eu não tinha estudo e acabei não podendo trabalhar. Mas tenho orgulho de dizer que fui parteira voluntária em casa, e fiz o parto do neto do senhor Antonio Zanardo, e de outro no Jacutinga, que não me lembro o nome, porque ainda não havia hospital; mas pouco tempo depois chegou o Dr. Nelson Subirai, que abriu o Hospital Maternidade e as mulheres passaram a ter seus filhos lá.

Paraná Centro – A senhora comentou que quando veio para cá em 1955, a igreja matriz havia queimado. Como foi o processo de reconstrução da igreja?

Olga – O povo se uniu para comprar os materiais e reconstruir a igreja. Eu e meu marido demos nossa colaboração nessa obra. Nós também ajudamos quando a Companhia Ubá tomou uns ranchinhos de pessoas que moravam no sítio; era um período em que as pessoas se instalavam onde achavam um terreno, mas os funcionários da companhia queimaram os ranchinhos para construir naquele terreno. Houve uma mobilização de toda a comunidade para instalar os desabrigados no salão da igreja, fornecendo colchões de palha para que eles passassem a noite; fazíamos comida para eles e levávamos até o salão paroquial.

Paraná Centro – A senhora mora a mais de 60 anos em Ivaiporã, o que tem a dizer desse período?

Olga – Sempre gostei da vida religiosa e de cuidar dos doentes. Ao longo desses anos, minha vida foi dedicada a esse importante trabalho. Ivaiporã é uma cidade que deu muita força para a nossa família, onde todos os meus filhos se formaram e têm sua profissão.

Entre os momentos estão registros com equipe eucarística do Hospital Maternidade Ivaiporã

Entre os momentos estão registros com equipe eucarística do Hospital Maternidade Ivaiporã

Comentários