Sidnei Cifonni descreve colonização de Ivaiporã

Sidnei Cifonni

Sidnei Cifonni

O pioneiro Sidnei Ciffonni veio da cidade de Jandaia do Sul, onde trabalhava para a Companhia Ubá. Enteado do colonizador Leovegildo Barbosa Ferraz, Ciffonni é nascido em 15 de setembro de 1926, na cidade de Ourinhos (SP). Atualmente morando na região metropolitana de Curitiba, o pioneiro esteve no município há cerca de um ano, em uma homenagem do Rotary e contou um pouco de sua história no município.

Paraná Centro - Como foi a vinda do senhor para Ivaiporã?

Sidnei Ciffoni – Vim para Ivaiporã de Jandaia do Sul, tínhamos um escritório lá, de onde fizemos a colonização da cidade de Barbosa Ferraz, que ficava do outro lado do rio; com o escritório transferido de Apucarana para cá, eu vim para trabalhar para a Companhia Ubá, para fazer a instalação da sede e montar o escritório aqui.

Paraná Centro - Como foi esse trabalho inicial aqui em Ivaiporã?

Sidnei Ciffoni – Foi interessante, pois as terras foram adquiridas em 1929, por um grupo, que era do Rio de Janeiro; depois alguns milionários paulistas compraram e vieram lutando para concretizar o sonho de colonizador. Eles já vinham colonizando o norte do Paraná, Cambará, Leópolis, Cornélio Procópio, Uraí e vinham caminhando e, em uma composição com os ingleses, eles cederam a Companhia Barbosa para os ingleses que continuaram a obra.

Paraná Centro - Qual era o desafio do senhor em vir para essa região, que era inóspita e de mata apenas?

Sidnei Ciffoni - O desafio me motivou, eu sempre aceitei desafios; fui um pioneiro no Paraguai, pois lá abri uma firma, chamada Barbrás. Eu sempre procurei aceitar os desafios, por mais difíceis que fossem. Assim que tem que ser o homem, desafiar-se sempre.

Paraná Centro - Qual foi a dificuldade da colonização nesse início?

Sidnei Ciffoni - Especialmente as invasões que tinham aqui. Um pessoal de Santa Catarina, do sul, que tinha invadido as terras. Mas conseguimos uma composição com o governo, que naquele tempo era o Moisés Lupion, que fez a nomeação de um coronel do Exército, da Polícia do Paraná, que se instalou aqui e fomos fazendo acertos e composições até boas, como, por exemplo, com o senhor Merico, que conseguiu o hotel, e outros tantos que fomos localizando e ajudando. Os que procuraram se acertar, acertamos, mas os outros tiveram que sair, até que saiu a colonização. Quando instalamos o escritório da agrimensura, fizemos a medição, mas já tinham pessoas instaladas. A cidade tem esses declives e aclives, que não são da composição original, pois precisaria fazer uma curva de nível, mas já tinha gente instalada. O Sapecado já contava com farmácia, pensões, casas de comércio e era um núcleo residencial bem fortificado aqui.

O levantamento da agrimensura não coincidia com o local escolhido e, por isso, houve a alteração e tem os aclives e declives. Essa era uma cidade moderna e depois fizemos um plano, de que devíamos fazer uma reforma agrária, dividindo as terras. Fizemos primeiro as chácaras e sítios, e as fazendas foram ficando mais para as regiões de fundo e, na época, me criticaram, pois iria se tornar um minifúndio. Mas, hoje, vemos o contrário, que as pessoas foram adquirindo os sítios, as chácaras e hoje temos esse imenso progresso, vemos um trabalho muito grande da população.

Paraná Centro - A ideia de dividir a cidade em pequenos sítios partiu do senhor então?

Sidnei Ciffoni - Sim partiu, pois eu vinha da criação de Barbosa Ferraz, que foi o mesmo plano e aproveitei. E trabalhava conosco o Willi Davis, que carinhosamente nós chamávamos de professor Bilinho, que teve sucesso na continuidade do nosso trabalho de abertura do norte do Paraná, como em Cambará, onde o major Antônio Barbosa Ferraz foi o primeiro prefeito.

Paraná Centro - Como era a relação do senhor com os irmãos Barbosa Ferraz?

Sidnei Ciffoni - O Levegildo é meu padrasto, tenho um irmão que é filho dele e, desde a década de 30, temos um relacionamento próximo. Na verdade, a minha vida é formada no padrão dele, que foi estudar na Europa. O major Barbosa pegou os cinco filhos e mandou para a Europa e eles se formaram na Inglaterra, França, Alemanha e vieram fazer esse trabalho de colonização, que é algo dos ingleses. E toda aquela performance dos ingleses de colonizar o mundo como fizeram na Índia, África, muitas coisas eles trouxeram e nós herdamos aqui.

Paraná Centro - O senhor ficou em Ivaiporã até que ano?

Sidnei Ciffoni - Fiquei até o ano de 1968. Quando fizemos a colonização, criamos uma companhia de melhoramento e cobrávamos, nos negócios, um imposto de 2% que ficava nessa composição. E esse dinheiro era direcionado para o desenvolvimento da cidade; e falávamos para as pessoas que compravam um lote rural, que ele seria muito mais valorizado se tivéssemos uma grande cidade. Com esse valor, fizemos cinema, hotel, trouxemos o Banco do Brasil, o Sesi e tudo o que foi possível; trouxemos o primeiro médico Luiz Francisco de Oliveira, que cuidou do primeiro hospital, que nós fizemos aqui. Na realidade, eu havia lido, em uma revista, um artigo que falava de general americano, que voltou da guerra e que planificou uma cidade dentro da temática da guerra e tudo o que eles faziam na guerra e poderiam fazer em uma cidade e compor o ambiente. Eu tinha um enorme amor por Ivaiporã, para mim esse é meu filho predileto.

Paraná Centro – O sobre cargo político, pensou em ocupar algum?

Sidnei Ciffoni - Eu nunca quis ocupar cargo político, isso é importante, apesar de terem acenado várias vezes. Eu tinha comigo, que se eu podia realizar as coisas pelo meu conceito público, porque iria me candidatar? Assim, por exemplo, foi com a Copiva; recebi do IBC, a fundo perdido, toda a máquina da Copiva e, logo em seguida, trouxe os armazéns. Encontrei-me com o presidente do IBC no aeroporto de Londrina, ele havia recém-casado e estava indo para a Europa e pediu para que eu indicar. Fiz a indicação no aeroporto mesmo, fizemos um documento, ele assinou nas minhas costas e consegui trazer esses investimentos para Ivaiporã.

O Rotary me anima muito, porque ele tem duas frases importantes: Dar de si, sem pensar em si; e Mais se beneficia, quem melhor serve. E o Brasil está fugindo disso.

Fazia 8 anos que não vinha a Ivaiporã e achei notável o crescimento.

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