Médicos de Ivaiporã fazem cirurgias gratuitas no interior do Maranhão

Jorge Kawano e Jorge Kawano Júnior participam de trabalho voluntário na Aldeia São José, no interior do Maranhão. Por: Divulgação

Jorge Kawano e Jorge Kawano Júnior participam de trabalho voluntário na Aldeia São José, no interior do Maranhão

Fonte: Divulgação

Os médicos do Instituto de Saúde Bom Jesus, de Ivaiporã, Jorge Kawano e Jorge Kawano Júnior, participaram no período de 13 a 20 de setembro, do projeto social Expedicionários da Saúde, organização não governamental (ONG) sem fins lucrativos, criada por médicos voluntários de Campinas (SP), que leva atendimento médico especializado a populações indígenas que vivem isoladas geograficamente.

No Brasil, cerca de 500 mil indígenas vivem em áreas rurais e florestas. São localidades de difícil acesso e que sofrem com a escassez de serviços de saúde. Por conta do intenso contato com a luz solar, há uma alta incidência de doenças degenerativas dos olhos, como a catarata. O intenso esforço físico realizado por essas populações também provoca o desenvolvimento de hérnias inguinais e abdominais.

Por meio de um Complexo Hospitalar Móvel, a EDS organiza três expedições anuais com tecnologia de ponta e médicos voluntários para realização de cirurgias e orientação pré e pós-operatórios, além de atendimento clínico, pediátrico, ginecológico, oftalmológico, ortopédico, odontológico e treinamento dos profissionais de saúde local. As intervenções foram realizadas em pacientes já diagnosticados e a equipe de voluntários também realizou novas triagens antes dos procedimentos.

A convite da organização da expedição, o médico Jorge Kawano afirmou que foi uma experiência inesquecível realizar o trabalho voluntário acompanhado do filho Jorge Júnior. “Foi uma experiência gratificante, porque trabalhamos num ambiente de amizade e receptividade, além do prazer de ajudar os indígenas, que são uma classe um pouco esquecida pelos brancos. Para muitos deles, foi a primeira consulta da vida com um médico. Por isso, esse trabalho voluntário foi extremamente recompensador”, ressaltou Kawano.

Conforme Jorge Kawano, a expedição foi composta por 60 pessoas, das quais 30 são médicos/cirurgiões, 10 enfermeiros e 20 pessoas responsáveis pela logística. Jorge Kawano e o filho atuaram ao lado de outros 8 cirurgiões, que no total realizaram 250 cirurgias de hérnia e 300 cirurgias de catarata, beneficiando os índios Krikatí, que residem na Aldeia São José, que fica no município de Montes Altos, no Maranhão.

Os atendimentos acontecem na própria aldeia, sempre de forma gratuita, onde é montada uma grande estrutura, com a utilização de 15 toneladas de equipamentos. “São montados centros cirúrgicos de guerra, compostos por galpões infláveis com ar condicionado e geradores de energia próprios. É uma estrutura gigantesca e ao mesmo tempo muito bem organizada, onde nas consultas oftalmológicas o paciente já sai com os óculos e nas consultas pós-cirúrgicas eles já levam a receita e o remédio”, contou Jorge Kawano, lembrando que há uma parceria entre a ONG e o exército brasileiro para transportar os médicos e os equipamentos para outras comunidades.

De acordo com o médico ivaiporãense, o pós-operatório das cirurgias de hérnia era feito em redes. “Eu e o Júnior fizemos em torno de 60 cirurgias, e espero que, com nosso trabalho, possamos ter retribuído a confiança da ONG para poder voltar na próxima oportunidade”, comentou.

Fundada em 2003, a ONG Expedicionários da Saúde foi criada como um serviço complementar aos programas de atendimento à saúde, visando evitar a necessidade de deslocamento, nem sempre viável, do doente e sua família até centros urbanos.

O pós-operatório das cirurgias de hérnia é feito em redes

O pós-operatório das cirurgias de hérnia é feito em redes

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