Falece 1º proprietário da rádio Ubá

Primeiro proprietário da rádio Ubá falece no Mato Grosso

Primeiro proprietário da rádio Ubá falece no Mato Grosso

Faleceu na quinta-feira, 13 de setembro, aos 81 anos de idade, em Cuiabá (MT), vítima de AVC, Alviar Rother Soni, primeiro proprietário da rádio Ubá de Ivaiporã.

Soni, foi prefeito de Campo Novo do Parecis (MT) entre os anos de 1997 a 2000, atuante na sociedade foi um dos idealizadores e fundador Usina Coprodia. A prefeitura daquele município decretou luto oficial pelo falecimento de Soni, ex-prefeito e pioneiro de Campo Novo do Parecis.

O corpo está vendo velado na capital do Mato Grosso, e o enterro acontecerá no cemitério Parque Bom Jesus, às 17h00.

Confira a entrevista concedida por Soni ao Paraná Centro e publicada na edição especial de aniversário de Ivaiporã em novembro de 2009:

“Ivaiporã poderia estar mais desenvolvida"

O pioneiro ivaiporãense Alvear Rother, o conhecido Soni, visitou a redação do Paraná Centro e concedeu entrevista recordando de quando instalou a Rádio Ubá no município e dos amigos que deixou em Ivaiporã. Ele chegou à cidade por volta de 1950 e ficou até 1979, quando se mudou para Campo Novo dos Parecis (Mato Grosso). Lá, foi prefeito na gestão 1996/2000 e fundador da Cooperativa Agrícola de Produtores de Cana de Campo Novo dos Parecis. Filho dos saudosos Edmundo e Felicita Rother, Soni é irmão do ex-prefeito falecido Adail Bolivar Rother. “Fiquei sabendo da liberação da Rádio Ubá quando estava em Foz do Iguaçu, vendendo trator. No outro dia voltei para Ivaiporã”, conta Soni aos 72 anos e, atualmente, morando em Cuiabá (MT). Sempre que pode visita Ivaiporã, onde tem familiares e muitos amigos.

Jornal Paraná Centro - Onde nasceu e como se chamavam os seus pais?

Soni - Nasci no Rio Grande do Sul. Os meus pais se chamavam Edmundo e Felicita Rother. Em 1952, a minha família chegou a Ivaiporã, vinda de Arapongas (PR).

JPC - Como foi a viagem até esta região?

Soni - O meu irmão Adail (Rother) veio de caminhão carregado de madeira e trouxe a minha mãe. Quando ele chegou, o Max Greipel estava montando a serraria. A primeira serraria foi a do Max e, depois a do Adail.

JPC - Sua mãe foi responsável pelo Hotel Ivaiporã?

Soni - O Hotel Ivaiporã foi criado pela Companhia Ubá. Depois, foi vendido a Américo Merico, que foi um dos pioneiros de Ivaiporã. Ele era uma pessoa muito querida... Mais tarde, o Adail arrendou o Hotel Ivaiporã e trouxe a minha mãe. O Hotel Ivaiporã ficava situado onde existe o Banco do Brasil. Antigamente, era conhecido como Hotel da Dona Felicita.

JPC - Como eram as estradas naquela época?

Soni - Havia muita poeira e barro! Eram intransitáveis. De Arapongas a Ivaiporã a viagem demorava três dias. Tínhamos que parar em Faxinal ou Mauá, onde fazíamos comida e dormíamos em cima do caminhão.

JPC - Quantos anos você tinha na época?

Soni - Tinha 21 anos e, atualmente, tenho 72. Naquela época, não conhecia os grandes centros. Servi ao Exército e, depois, fui transferido para Curitiba. Mas viemos para cá com as melhores perspectivas. Quando o meu pai e o Adail montaram a serraria, Ivaiporã era uma terra de primeira, porque havia palmito, peroba, madeira, cedro e marfim... Era o Eldorado! E é ainda! Se eu tivesse imaginado que as terras iam ficar assim, eu e o Adail só compraríamos terras!

JPC - Como viu a região crescer, gosta de retornar a Ivaiporã?

Soni - Sinto-me feliz quando encontro amigos de infância vivos e fico triste porque alguns faleceram. Recentemente, perdi um grande amigo, o João Maria Rocha. Perdi muitos amigos em Ivaiporã, por isso, encontrei apenas 20% deles. O resto faleceu.

JPC - Quais são as histórias mais vivas na sua memória?

Soni - Todas! Fui muito sapeca! Na minha juventude aprontei muito em Ivaiporã. Mas sem maldade! Com o Zizo, que era comprador de porcos, aprontei muito. Às vezes, ele queria me matar [risos].

JPC – Recorda-se de uma história engraçada que se passou em Ivaiporã?

Os ônibus da Francovig paravam no hotel da minha mãe. O motorista, que estava acompanhado do cobrador, sugeriu pegar a turma do Porto Ubá e trazê-la para assistir à Missa do Galo. Assim, ganhariam um dinheirinho extra. Eles foram pegar os passageiros e, após a Missa do Galo, levaram de volta ao Porto Ubá. Juntei uma turma e fui até a entrada de Ivaiporã. Naquela época, havia muita queimada e juntava muita madeira à beira da estrada. Bom, resolvi fechar a estrada com pedaços de paus. O motorista e o cobrador tiveram que limpar a estrada [risos].

Eles deveriam sair de Ivaiporã às 06h00, mas só chegaram ao hotel às 09h00. Estavam pretos de sujeiras de tanto empurrar pedaços de paus [risos].

JPC – Como surgiu a idéia de fundar a Rádio Ubá?

Soni - A Rádio Ubá foi fundada há 30 anos... Tinha a serraria em Jardim Alegre e máquina de café. Mas perdi muito dinheiro. Naquela época, fiquei numa situação difícil. Depois, comecei a montar a emissora. Tive oito grandes concorrentes, como, por exemplo, senador da República, e ganhei duro [sem dinheiro]. Minha salvação é que fiquei amigo de Jaime Canet, que era governador do Estado e que tinha um voto no Ministério das Comunicações. O voto dele e do coronel Osvaldo Bianco, que era diretor do SNI do Paraná, ajudou. O coronel foi meu comandante, quando servi ao exército. Fiquei sabendo da liberação da Rádio Ubá, quando em estava em Foz do Iguaçu, vendendo trator. No outro dia, voltei.

JPC – Em que ano faleceu sua esposa?

Soni - A Sheila morreu há oito anos. Tivemos três filhos: Johnny (arquiteto), Patrícia (psicóloga) e Kelly (casada com o 2º goleiro do Roma).

JPC – Gostava de futebol?

Soni - Fui ponta esquerda do Comercial e Atlético. Mas jogava porque o Adail era dono do time. Existia uma rixa gostosa, por isso, não surgiam brigas.

JPC – Por que e quando foi embora de Ivaiporã?

Soni - Em 1979, fui embora porque a rádio não dava condições de comprar nem 10 alqueires de terra. Ou seja, o dinheiro mal chegava para pagar as despesas. Depois, decidi ir para o Mato Grosso, porque sempre fui aventureiro. Para isso, troquei um terreno num caminhão Mercedes e coloquei um trator em cima. No Mato Grosso, fui grileiro. Peguei 12 mil hectares de terras, abri três mil hectares e recebi o título definitivo do Incra.

JPC – Em qual município?

Soni – Município de Campo Novo dos Parecis, onde fui prefeito, na gestão 1996/2000, e fundador da Cooperativa Agrícola de Produtores de Cana de Campo Novo dos Parecis. Gostei de ser prefeito, mas os compromissos particulares ficavam à parte. Fiz 17 obras fabulosas! Mas não quero mais saber de prefeitura, nem de política. Agora, quero passear e me divertir.

JPC – Acha que a cidade está bem desenvolvida?

Soni - Não! Ivaiporã poderia estar mais desenvolvida. A cidade teve boas e más administrações. Lembro-me da administração do Maneco (Manoel Teodoro da Rocha) e, naquela época, a Prefeitura de Ivaiporã não tinha nenhum lápis. Depois, vieram o Adail Rother e o Dr. Manoel Fernandes Silva. Quanto às demais administrações, seria desleal comentar, porque não estava aqui... Na minha opinião, há duas situações difíceis para a atual administração, que são a saúde e a educação. Outro problema tem a ver com o consumo de drogas, embora seja um problema nacional.

JPC - Tem vontade de voltar para Ivaiporã?

Soni - Tenho muitos amigos em Ivaiporã e gosto muito da cidade. Essas amizades podem me fazer voltar, porque não se trata de amigos passageiros. São amizades de raiz... Conheço a família de todos eles e, por isso, sou capaz de voltar ao Sapecado.

JPC - Que mensagem deixa a população?

Soni - Desejo à população de Ivaiporã e do Vale do Ivaí, em nome da minha família, felicidades. Gostariam que os meus amigos parassem de morrer [risos], porque quero continuar tendo amigos para fazermos um churrasco e nos reunirmos para contar algumas mentiras [risos]. Quanto aos funcionários da Rádio Ubá, desejo muitas felicidades.

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