Uso dos pronomes: para eu ou para mim?

Pronome é a classe de palavras que pode substituir (ou acompanhar, ou modificar ou retomar) os nomes (substantivos) relacionando-os às pessoas do discurso (1ª pessoa = emissor; 2ª pessoa = receptor; 3ª pessoa = referente ou assunto da comunicação).

Os pronomes pessoais são:

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Os pronomes pessoais do caso reto só podem funcionar como sujeito dos verbos. Eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos, vós amais, eles amam.

Já os pronomes do caso oblíquo funcionam como complementos verbais ou complementos nominais.

Se o verbo for transitivo direto (VTD) pode ter se objeto direto (OD) substituído pelos pronomes me, te se, o(s), a(s), nos e vos. Assim:

Encomendei (VTD) o livro (OD). = Encomendei-o

Se o verbo terminar em R, S ou Z, seguidos dos pronomes O(S) e A(S), tanto o verbo como o pronome sofrem alterações na grafia. Observe:

• Comecei a ler o livro hoje. = > Comecei a lê- lo.

• Ele pôs o livro na estante. => Ele pô-lo na estante.

• Fez toda a lição rapidamente. => Fê- la rapidamente.

(é estranho aos olhos e ouvidos brasileiros, mas perfeitamente natural em Portugal…)

E se os verbos terminarem em som nasal (-ão, -õe ou -m), não sofrem alteração, mas os pronomes que o seguirem sofrerão uma nasalização, ganhando um ‘n’:

• Os jogadores cantam o hino. = Os jogadores cantam-no.

Já se o verbo for transitivo indireto (VTI) pode ter se objeto indireto (OI) substituído pelos pronomes me, te se, lhe(s), nos e vos. Desta forma:

Entregaram (VTDI) a lista de livros (OI) para mim. = Entregaram-me a lista de livros.

Há também uma situação muito particular, que foge a esse padrão. É o caso de orações reduzidas de infinitivo, que apresentam um sujeito expresso por um pronome.

Podemos ter o pronome oblíquo funcionando como sujeito:

• Mandei-o fazer o trabalho.

= Mandei que ele fizesse o trabalho.

Ou ainda um pronome do caso reto após uma preposição:

Este livro é para eu resumir.

= Este livro é para que eu resuma.

Se não houvesse a segunda oração e a frase se encerrasse no pronome, este deveria ser pronome oblíquo tônico:

Este livro é para mim.

Mas de jeito nenhum pode haver um ‘mim’ conjugando o verbo seguinte.

E se a frase fosse assim: “Para mim, ler é um prazer.” Estaria correto esse ‘mim’ antes do verbo, pois há uma vírgula, a expressão ‘para mim’ está deslocada da ordem direta e esse pronome não funciona como sujeito do verbo ‘ler’, portanto:

Entregaram o livro para mim.

Entregaram o livro para eu ler.

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