Etimologia

Saber a origem das palavras é saber a sua essência, portanto, nesta edição, apresenta-se a etimologia (origem) de algumas expressões usadas popularmente:

Origem da expressão “pensando na morte da bezerra”

Usada geralmente para se referir a alguém passivo, que só sabe se lamentar, distraído ou excessivamente introspectivo, a expressão “pensando na morte da bezerra” pode ter surgido a partir das antigas tradições hebraicas religiosas. Como forma de redenção dos pecados, os bezerros costumavam ser sacrificados para Deus em tal cultura. A história popular conta que o rei Absalão tinha um filho que possuía grande apego por uma bezerra. Quando o animal foi sacrificado sob ordens do rei, o jovem passou vários dias se lamentando e pensando em sua morte e, por fim, acabou falecendo também.

Origem da expressão “fazer vaquinha”

Usada para representar a ação de juntar dinheiro de várias pessoas, a expressão “fazer vaquinha” pode ter surgido a partir da relação entre o futebol e o jogo do bicho, por volta da década de 1930. Nessa época, a vida dos jogadores de futebol era muito menos luxuosa do que hoje em dia. Inclusive, muitos deles nem recebiam salário, cabendo aos fãs arrecadarem um prêmio em dinheiro para ser compartilhado entre os atletas. Os valores das recompensas passaram a ser relacionados com o jogo do bicho, para facilitar o trabalho. O prêmio máximo era de 25 mil réis, cujo número era representado pela vaca no jogo do bicho. Então, sempre que o objetivo era arrecadar o máximo de dinheiro possível, os termos como “vamos fazer uma vaca” ou “fazer vaquinha” apareceram.

Origem da expressão “ovelha negra”

Usada para designar alguém que se diferencia de um grupo, da mesma forma que uma ovelha de cor preta se destoa das demais brancas, a expressão “ovelha negra” originou-se na Antiguidade e não é restrita à língua portuguesa. Naquela época, animais pretos eram sacrificados em oferendas aos deuses ou para acertar acordos, pois eram considerados animais maléficos. Foi daí que surgiu o hábito de chamar aqueles que se diferenciam por chocar ou desagradar os demais de “ovelha negra”.

Origem da expressão “Lua de mel”

Usada para representar o primeiro mês de casais recém-casados, a expressão “lua de mel” é oriunda da língua inglesa. Na Idade Média, na Irlanda, era costume dar uma bebida fermentada aos jovens recém-casados, chamada de “mead”, composta por levedo, malte, mel, água e outros ingredientes. O mel era tido como um alimento afrodisíaco, considerado uma fonte da vida. Então, tal bebida era dada aos novos casais durante um mês, ou uma lua, como costumavam chamar. Foi por essa razão que esse período recebeu o nome de lua de mel.

Origem da expressão “comprar gato por lebre”

Usada para caracterizar uma situação em que se é enganado, a expressão “comprar gato por lebre” surgiu em tempos de carestia e de guerra. Nesta época, era comum comerciantes venderem carne de gato no lugar de lebre como alimento, devido à semelhança entre os dois animais após lhes retirarem a pele. Para disfarçar o cheiro, a carne do gato era deixada marinando na água temperada. Assim, eles conseguiam vender a carne do gato como se fosse carne de lebre tranquilamente.

Origem da expressão “lavar as mãos”

Usada quando se que isentar-se de uma responsabilidade, a expressão “lavar as mãos” tem sua origem nas histórias bíblicas. Era tradição um preso ser libertado durante a Páscoa Judaica. A decisão de soltar Jesus ou o assassino Barrabás foi passada para a multidão que acompanhava o julgamento por Pôncio Pilatos. E como se é conhecido, Jesus acabou sendo crucificado. Ao passar a decisão para o público, Pôncio se isentou dessa responsabilidade, representadas pelo ato de lavar as mãos enquanto dizia a seguinte frase: “Estou inocente deste sangue. Lavo as minhas mãos”.

Origem da expressão “botar a mão no fogo”

Usada para representar que se confia muito em algo ou alguém, a expressão “botar a mão no fogo” surgiu na Idade Média. Quando a inocência de um acusado precisava ser posta em prova, um método bastante utilizado naquela época era fazê-lo segurar uma barra de ferro em brasa ou algo semelhante. Se nada acontecesse, o acusando seria tido como inocente e liberado. Assim, o termo ganhou popularidade e evoluiu com o tempo para o que conhecemos hoje.

Origem da expressão “ao deus dará”

Usada para representar alguém que está entregue à própria sorte, a expressão “ao deus dará” tem sua origem por volta do século XVII. Nessa época, o abastecimento de soldados em Recife recebia grande ajuda do comerciante Manuel Álvares. Mas sempre que os recursos ficavam escassos, ele dizia “deus dará”. Depois disso, a expressão foi se popularizando, passando a ser usada por pessoas, ao serem abordadas por mendigos e chegando no significado que possui hoje.

Origem da expressão “batismo de fogo”

Usada para caracterizar o momento de enfrentar uma situação muito difícil, a expressão “batismo de fogo” surgiu nos tempos da Inquisição. Para os fanáticos, aqueles que não eram batizados da forma tradicional, deveriam ser condenados à fogueira, pois só assim seus pecados seriam redimidos. Alguns séculos depois, o sobrinho de Napoleão Bonaparte, Napoleão III, não entendeu direito o sentido da expressão e passou a usá-la com os soldados novatos que iam para a guerra.

Origem da expressão “para inglês ver”

Usada para fingir que algo foi feito ou para representar algo mal feito, a expressão “para inglês ver” surgiu no século XIX. A Inglaterra foi o primeiro país do mundo a tentar abolir a escravidão, por interesses econômicos, na primeira metade desse século. O Brasil era um dos países na lista da potência britânica, porém, a base da nossa economia na época eram os escravos. Portanto, os navios eram colocados no litoral com a suposta missão de ir atrás de naus negreiras, com a intenção de enganar a coroa inglesa. Mas nada era feito de fato. Tudo era uma encenação para “inglês ver”.

Origem da expressão “marmelada”

Usada para designar uma ação desonesta ou algo ilegítimo, a expressão “marmelada” surgiu de uma prática não muito apreciada de fazer com que o doce de marmelo rendesse mais. Um dos métodos existentes bastante usados era misturar o insípido chuchu no doce. Dessa forma, a ilusão de que tinha uma grande quantidade de doce era criada, sem que ninguém percebesse o gosto do vegetal. Como essa era uma das formas de enganar os clientes, então a termo “marmelada” virou sinônimo de trapaça.

Origem da expressão “vá plantar batatas!”

Usada para demonstrar desprezo por alguém, a expressão “vá plantar batatas!” surgiu com a Revolução Industrial. Lá pela segunda metade do século XIX, os portugueses que trabalhavam em fábricas eram muito mais prestigiados. Já quem trabalhava com atividades rurais era tido como gente desqualificada. Portanto, mandar alguém plantar batatas era uma forma de ofender.

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