Familiares reclamam das condições da cadeia pública de Ivaiporã

Familiares protestam contra situação dos presos

Familiares protestam contra situação dos presos

Familiares de detentos da cadeia pública de Ivaiporã realizaram na manhã desta quarta-feira, dia 14 de fevereiro, uma manifestação em frente ao portão de acesso à carceragem da Polícia Civil do município. As famílias reclamam a dificuldade de entregar comida para os detentos e também da limpeza que os agentes carcerários realizaram nas celas e retiraram colchões e objetos pessoais dos presos.

Cerca de 50 pessoas estavam em frente da delegacia esperando o momento de entregar comida aos detentos. Mas a informação é que a entrega dos alimentos está proibida. E apenas kits de higiene foram liberados para serem entregues aos presos. A visita desta quarta-feira também estava suspensa.

Ivone Volpe, mãe de um detento, disse que a cobrança é para que fosse liberada a entrega de alimentos e visita. Segundo ela, foi realizada uma revista nas celas e retirados diversos objetos como roupas, colchões, lençóis, ventiladores e redes. “Faltam condições que qualquer ser humano precisa, sabemos que eles estão presos e pagando pelo que fizeram, mas eles também têm direitos e não podem passar fome”, desabafa. Ela afirma que a marmita que é fornecida pelo Estado é ruim e, muitas vezes, é servida azeda. Além disso, já foram encontrados parte de insetos nas quentinhas. “Hoje, eles deixaram entrar apenas os kits de higiene, mas é uma obrigação do Estado; os presos estão passando fome. Sabemos que a situação é grave há anos, mas queremos pelo menos passar os alimentos para eles”, disse a mãe.

Nerli Lacerda, que também tem um filho detido, comenta que a situação é caótica e reclama da dificuldade de tratamento de saúde. Ela salienta que alguns presos são soros positivos, têm hepatite e doenças contagiosas e têm dificuldade para conseguir atendimento médico. “A carceragem só atende os presos em casos extremos, eles estão sob custódia do Estado, que está sendo omisso, muitos deles ainda não foram julgados e é dever do Estado preservar a saúde dos seus custodiados”, lamenta. Ela ainda classifica a situação da cadeia como nojenta e degradante.

Restos de colchões e material oriundo de tentativas de fugas foram retirados da cadeia de Ivaiporã

Restos de colchões e material oriundo de tentativas de fugas foram retirados da cadeia de Ivaiporã

Selma do Prado disse que a situação dos detentos da cadeia de Ivaiporã é desumana. Ela disse que seu filho relata que eles passam frio na cela, já que as paredes são úmidas e estariam sem agasalhos. “Eles estão pagando pelo erro que cometeram, mas a situação é de calamidade”, relatou.

A manifestação foi realizada após a divulgação de uma carta escrita pelos presos e entregue ao delegado Gustavo Dante da Silva, relatando as condições precárias da cadeia e cobrando a volta de alguns privilégios que os detentos tinham no interior das celas, como ventiladores e televisões, além das visitas e recebimento de alimentos.

Por volta das 11h00, o delegado Gustavo Dante recebeu um grupo de representantes dos familiares dos presos e explicou os motivos de retirar televisores e suspender a visita e a entrada de alimentos na cadeia. Ele também mostrou a marmita fornecida aos detentos e esclareceu algumas dúvidas dos familiares. Na sequência, o delegado liberou temporariamente a entrada de alimentos e disse que vai avaliar a possibilidade de autorizar novamente as visitas.

Ao Paraná Centro, o delegado de Ivaiporã comentou que a medida de retirar os televisores e suspender a visita e entrada de alimentos é disciplinar, já que, nas últimas semanas, houve três tentativas de fugas frustradas e um princípio de rebelião. “O Estado fornece café da manhã, almoço e jantar aos presos; a entrada de alimentos externos e os televisores são regalias e não um direito dos presos, e que suspendemos até que as coisas se acalmem”, disse.

Ele também negou que a alimentação fornecida aos detentos esteja estragada. “Essa é uma empresa que tem um contrato com o Governo do Estado e que passa por supervisão de nutricionista e temos acompanhado a entrega dessa alimentação”, garantiu o delegado.

Ele comentou também que as equipes de saúde têm acompanhado os presos e os agentes de carceragem prestam todo o atendimento possível aos detentos. Gustavo Dante da Silva frisou que existe um problema grave de estrutura e superlotação na cadeia de Ivaiporã e reconheceu que a situação é caótica e coloca em risco a vida tanto dos presos, como dos agentes de carceragem e policiais civis que trabalham no local. “A cadeia está com mais de 160 presos, quando a capacidade é para 32; a estrutura física está comprometida e nem conseguimos fazer os reparos necessários em função do grande número de detentos, mas tivemos que tomar algumas atitudes mais drásticas para evitar uma fuga em massa e causar mais transtornos à população”, frisou.

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