Estilística

A Estilística estuda os processos de manipulação da linguagem que permitem a quem fala ou escreve sugerir conteúdos emotivos e intuitivos por meio das palavras. Além disso, estabelece princípios capazes de explicar as escolhas particulares feitas por indivíduos e grupos sociais no que se refere ao uso da língua.

A todo o momento, atribuem-se novos sentidos às palavras que conhecemos. Quando são usadas no sentido que se encontra no dicionário, diz-se que seu sentido é denotativo ou literal. Se usada essa mesma palavra em sentido figurado, está-se diante de um sentido conotativo.

Dessa forma, foram criadas as Figuras de Linguagem (ou tropos) com o objetivo de produzir maior expressividade à comunicação. Subdividem-se em figuras de som, figuras de construção, figuras de pensamento e figuras de palavras.

Entre as figuras mais usadas está a metáfora. A metáfora consiste em utilizar uma palavra ou uma expressão em lugar de outra, sem que haja uma relação real, mas em virtude da circunstância que as associa e depreende entre elas certas semelhanças. É importante notar que a metáfora tem um caráter subjetivo e momentâneo, pois se a metáfora cristalizar-se, deixará de ser metáfora e passará a sercatacrese. É o que ocorre, por exemplo, com “pé de alface”, “perna da mesa”, “braço da cadeira”.

Toda metáfora é uma espécie de comparação implícita, em que o elemento comparativo não aparece.

Observe a gradação no processo metafórico abaixo:

Seus olhos são como luzes brilhantes.

O exemplo acima mostra uma comparação evidente, por meio do emprego da palavra como.

Observe agora:

Seus olhos são luzes brilhantes.

Nesse exemplo não há mais uma comparação (nota-se a ausência da partícula comparativa), e sim um símile, ou seja, qualidade do que é semelhante.

Por fim, no exemplo:

As luzes brilhantes olhavam-me.

Há substituição da palavra olhos por luzes brilhantes.

Essa é a verdadeira metáfora.

Outros exemplos:

1) “Meu pensamento é um rio subterrâneo. ” (Fernando Pessoa).

Nesse caso, a metáfora é possível na medida em que o poeta estabelece relações de semelhança entre um rio subterrâneo e seu pensamento (pode estar relacionando a fluidez, a profundidade, a inatingibilidade...).

2) Minha alma é uma estrada de terra que leva a lugar algum.

Uma estrada de terra que leva a lugar algum é uma metáfora. Por trás do uso dessa expressão que indica uma alma rústica, abandonada e angustiadamente inútil, há uma comparação subentendida: Minha alma é tão rústica, abandonada e inútil quanto uma estrada de terra que leva a lugar algum.

O pavão é como um arco-íris de plumas. (comparação)

“O pavão é um arco-íris de plumas” - Rubem Braga (metáfora)

Em resumo, metáfora é uma figura de linguagem que produz sentidos figurados por meio de comparações implícitas, com a ausência de uma conjunção comparativa.

E, para encerrar, um dos exemplos mais conhecidos do uso de metáfora:

“Amor é fogo que arde sem se ver.” Luís de Camões

Comentários