Excesso de chuvas coloca produtores de soja em alerta

Produtor tem aproveitado dias de sol para realizar tratos culturais

Produtor tem aproveitado dias de sol para realizar tratos culturais

O mês de janeiro de 2018 já acumula o maior volume de chuvas para o período dos últimos 4 anos. Ainda faltando uma semana para o final do mês, a região de Ivaiporã registrou 303 milímetros, número quase três vezes maior que o registrado no mesmo período do ano passado, quando choveu apenas 132 milímetros. O que a princípio parece ser uma boa notícia, na verdade, está tirando o sono dos produtores rurais, isso porque os vários dias com chuvas têm dificultado o trabalho de tratamento das lavouras, como a aplicação de defensivos para o controle de doenças, que são favorecidas por essa condição climática, como ferrugem, antracnose e esclerotinia ou mofo branco.

Segundo o engenheiro agrônomo da Coamo de Ivaiporã, Fernando Soster, em alguns locais, os produtores têm conseguido, mesmo com dificuldades, entrar nas lavouras e fazer os tratamentos, no entanto, o clima tem sido favorável ao surgimento de doenças fúngicas, entre elas a antracnose. “Estamos pedindo para que os produtores façam os tratos culturais recomendados e, mesmo com as dificuldades que estão surgindo com o clima, fiquem atentos e sigam as recomendações do agrônomo”, alerta.

Outra situação que está deixando os sojicultores preocupados é o aparecimento de focos de esclerotinia, popularmente chamado mofo branco. A doença é mais comum em locais com alta umidade e baixas temperaturas, mas, mesmo na região de Ivaiporã, especialmente em lavouras acima de 750 metros de altitude, está sendo possível notar a presença dessa doença. “Essa não é uma situação comum em nossa região e, por isso, estamos orientando os produtores que nos procurem aos primeiros sinais do surgimento dessa doença”, relata Soster.

Outro fator que está influenciando no desenvolvimento das lavouras é a pouca luminosidade plena. Com muitos dias nublados, a soja não se desenvolve em sua plenitude. “Ainda não podemos afirmar que haverá perdas, pois se a condição de clima melhorar, a soja pode recuperar seu potencial produtivo”, avalia o agrônomo.

Mofo Branco preocupa produtores de Pitanga

Se na região de Ivaiporã, o aparecimento do mofo branco é algo pouco comum, já em Pitanga, pelas temperaturas mais baixas, clima mais úmido e altitude elevada, não é raro o surgimento da esclerotinia, ainda mais com o excesso de chuva das últimas semanas. O agrômomo Carlos Vinícius Precinotto, da Coamo de Pitanga, relata que, em algumas lavouras, a incidência de mofo branco nas lavouras chega a 20% da área. “Quem não fez o tratamento preventivo, terá muita dificuldade para o controle depois que a doença estiver estabelecida, pois as aplicações não conseguem chegar às folhas mais baixas, onde estão os focos”, disse.

Ele ressalta que os sojicultores precisam estar em alerta para a incidência de lagarta e ferrugem. “Percebemos muitas mariposas sobre as lavouras e isso significa que, assim que o tempo esquentar, pode ocorrer uma grande incidência de lagartas e também o surgimento de focos de ferrugem”, relata. A orientação do agrônomo é que, se possível, o produtor antecipe os tratos culturais para evitar que as lavouras fiquem um longo período sem tratamento. “A baixa luminosidade tem provocado o abortamento de vagens em algumas áreas, mas a soja tem um grande poder de recuperação e pode compensar isso se as condições climáticas melhorarem”, finaliza o agrônomo.

A previsão é que ainda ocorreram chuvas intensas até a segunda semana de fevereiro, mas a colheita da soja deve acontecer com clima mais seco.

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